sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Mulher vingativa - Crônicas do dia a dia

Milla bateu com os punhos na mesa com tanta força que os copos voaram, um caiu no chão e quebrou.
- Calma minha amiga!  O copo quebrar não vai resolver o seu problema não! – Isadora se abaixou pra pegar os cacos.
- Essa mulher é mau caráter gente! – Milla grunhiu com os dentes. – Se eu pegar ela esgano com as minhas mãos.
- Nossa gata, que violência! Você ta muito agressiva. – Disse Flor. – Isso não adianta nada.
- E diplomacia adianta? - Milla se exaltou.
- Não sei se adianta, mas louca assim você morre e fica tudo igual. – Disse Bella. E não vai ter a promoção de volta do mesmo jeito.
- Gente, eu to fazendo de tudo por esta promoção à meses. Comecei a fazer a pós
que me pediram, o inglês, to diminuindo o tempo de relatórios, fazendo o trabalho de três pessoas!
 E na hora do reconhecimento eles entregam pra uma...
- Cuidado com o que vai dizer Milla! – Disse Flor.
- SAFADA! – Ela gritou. – Não vem defender esta cobra não Flor. – Eu sei por que entregaram pra ela, ela fez alguma coisa pra me prejudicar.
- Primeiro veja se ela é a culpada mesmo Milla, se ela fez trairagem, beleza xingar, mas falar isso é zuado.
- Pode parar com essas gírias ai, quem fala isso é o filho da Isadora. - Disse Milla.
- E o que tem a ver isso Mila. – Isadora riu. – Você ta variando Milla. – Brigando a toa. Eu entendo a sua raiva, mas somos unanimes em dizer pra investigar isso direito.
- Essa rixa é antiga. – Sussurrou Bela coçando a cabeça. – Esta não é aquela que pegou ódio de você por que as duas saíram com o seu gerente há uns dois anos atrás.
- Ow memoria boa da porra! – Milla bufou. – É ela mesma. Mas isso é passado, eu não tenho raiva dela por isso.
- Imagina... – Flor riu contida. – Já sei quem é este cara. – Flor gargalhou. – É aquele que você jurou que ia casar, por que ele era fofo...
- Ele mesmo! – Respondeu Milla.
- E quem não é fofo nas anotações da Milla?- Isadora resmungou.
- Muitos não são! - Milla se irritou.
- To sabendo... - Flor riu.
- Calma gente, vocês estão misturando tudo, aquele meu ex chefe não tem nada a ver com a historia. Ele nem trabalha mais no nosso setor.
- Interessante... – Disse Bela. – Mas ele continua com ela?
- Ele esta casado com outra, que conheceu também na mesma época que saiu com nós duas. – Milla gargalhou. – Mas o infeliz me chama até hoje pra sair, varias mensagens. – Ela mostrou o celular.
- Ele gosta de ser o garanhão neh! – Retrucou Flor.
- Meninas isso não tem nada a ver com a minha Promoção perdida, meu chefe não quis me premiar, voltou atrás porque essa Samara contou que eu briguei com o cliente mês passado, quase ninguém sabia disso.  
- Mas isso não é motivo pra não te promover.
- Pra chefia qualquer coisa é motivo. – Disse Milla. - Eu já tinha recebido o informativo da promoção, não consigo acreditar!
- Se ela recebeu a promoção no seu lugar, pode ser que tenha sido mau caráter. – Disse Isadora.
- Mas logo você vai saber a verdade, só não adianta ficar louca, senão além de perder a promoção vai perder o emprego!  – Disse Flor.

No dia seguinte...

Milla chegou no trabalho em passos de ódio e soltando labaredas pelos olhos. Passou pela mesa de Samara e viu que ela parecia triste e abatida.
- Essa não é cara de quem foi promovida. – Pensou ela.
Milla resolveu investigar. Se não foi Samara, quem recebeu a tal promoção esperada?
Depois de dois dias tentando saber quem estava ocupando o cargo que deveria ser seu, Milla desacreditou do que viu.
- Adalberto! O que você esta fazendo neste setor, você não estava no setor sul?
- Estava, mas demorei a vir pra cá por conta de burocracia.
- Como assim? Vai voltar pra cá?
- Sim, e como chefe! Eu recebi a promoção do setor, você não sabia? - Disse Adalberto.
Milla sentiu o corpo endurecer, em seguida o seu rosto ficou avermelhado aos poucos, até se sentir pegando fogo.
- Então foi você! - Ela gritou.

No final da tarde Milla chegou em casa calma, a tranquilidade se estampou no seu sorriso.
Convidou as amigas para a sua casa e assim que chegaram abriu a garrafa de vinho.
- Nossa, pra abrir este vinho do jeito que você é mão de vaca, vem coisa boa por ai! - Disse Flor.
- Com certeza tenho boas noticias. - Milla levantou a taça em um brinde. Vamos comemorar a minha promoção!
Todas gritaram em comemoração. Em seguida sentaram.
- Hoje eu descobri que foi o Adalberto quem armou tudo pra azedar a minha promoção.
- O seu ex gerente, aquele que você saia?! - Disse Isadora.
- Ele mesmo! O infeliz fez praticamente um dossiê inventando coisas de mim. Que ódio! Tudo bem que este cargo tem aumento de salario, mas não precisava tanto.
- Talvez ele quisesse poder. - Disse Bela.
- Mas acho que dessa vez ele aprendeu. - Milla se ajeitou no sofá. - Eu levei ele pra sala dele e mostrei todas as mensagens e convites que ele me fez pra gente sair, inclusive as vezes que saímos depois que ele ja estava casado. Disse que se ele não desfizesse o "mal entendido" entregaria pra mulher dele, e pro gerente da empresa, assim seriamos demitidos por justa causa, ele sabe que a politica da empresa proíbe envolvimento entre funcionários.
- Você é louca! - Disse Isadora.
- Você não me viu louca! - Milla gargalhou. - A cara dele foi a melhor. Depois chamei a Samara, e usamos as coisas parecidas que ela tinha contra ele. Conclusão: serei a promovida, e a Samara ficará no meu antigo cargo, ou seja. também foi promovida!
- Chantagista esperta! - Disse Bela.
- Ele mexeu comigo! Eu só paguei na mesma moeda
- Gênio! - Disse Flor. - Um dia aprendo com você!



Texto: Grazy Nazario. 










sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Disputa Saudável - Cronicas do dia a dia


Isadora pulou com grande impulso e levantou a bola na frente da rede. Bela veio correndo do fundo da quadra, saltou duas vezes o seu tamanho e desceu o braço na bola, acertou a cortada na quadra adversária fazendo um ponto espetacular.
- Ual! - Todas gritaram juntas e comemoraram.
- Que ponto, Bela! – Berrou Isadora.
- É a sua vez Flor.

Flor se preparou para fazer o saque, reparou quando uma moça alta e forte entrou na quadra e se distraiu.

- Anda Flor! – Gritou Milla.

Flor sacou e colocou a bola pra fora da quadra.

Depois do ponto perdido Flor se desconcentrou, perdeu a empolgação e pediu pra sair da quadra. Outra amiga do time a substituiu. Flor continuou no banco até o fim do jogo.

- Flor pode parar. - Gritou Isadora no vestiário. – Por que você saiu no meio do jogo?

- Nada. – Ela resmungou. – Você sabe que prefiro futebol.

- Para de mentir Flor. – Milla retrucou. – Você mudou a cara quando viu a Roberta.

- Não tem nada a ver com a Roberta.

- Não precisa muito pra saber que você não gostou de ver ela na quadra. – Bela suspirou - Você voltou a sair com o namorado dela?

- Voltou não né, nunca parou você quis dizer. – Disse Milla.

- Para com este assunto gente, eu nunca mais vi o Pedro.

- Eu já falei pra não ficar dando moral pra cara com namorada. – Disse Isadora. – Curtiu um lance, se divertiu, sai fora. Você sabe que este cara é um babaca.

- Ele é idiota, só é bom de cama. – Flor riu sem jeito. – Mas to de saco cheio dele. – A gente só sai quando ele pode ou quer, quando sou eu que sugiro ele fica de enrolação.

- Eu sei, já vi este filme antes. – Milla juntou as coisas na sua mochila. – Você diz que não vai mais sair, mas ele liga e você vai.
- Da ultima vez fui por que não tava fazendo nada. - Ela riu. 
- Então não reclama depois. 
Flor emburrou. Roberta entrou no vestiário no mesmo instante com mais duas amigas e se posicionaram na frente de Flor,  as três de braços cruzados.

- Boa noite. – Disse Roberta. – E ai Flor, tudo beleza? – Disse ela com a voz firme.

Flor empalideceu, esticou seus ombros estreitos, enquanto se levantava mantendo a postura pra se sentir forte. Seu coração começou a acelerar feito louco.

- To de boa. 

As amigas se posicionaram atrás de Flor. Se sentiram no jogo do mortal kombat se preparando para a luta.

- Tem visto o Pedro? – Perguntou Roberta.

Flor ficou muda com o coração saltando e as mãos tremendo.

- Faz tempo que não. – Ela respondeu sem olhar a cara da moça.

- Sei... Tipo antes de ontem né.

- Olha, vou te falar a verdade, eu vi ele há uns dias atrás sim. – Flor levantou a cabeça.

- Eu sei, ele me contou. Nós terminamos. – Disse Roberta com a voz ríspida.
- E veio aqui pra que?
- Eu vim pra te contar a novidade, pode ficar com ele todo pra você. – Roberta cruzou os braços. – Vamos voltar com tudo no time de vôlei, vamos ter boas disputas nos próximos jogos. 
- Legal você voltar as suas atividades neh, bom era nunca ter saído. Mas eu não quero o seu namorado não. – Flor riu sem jeito.
- Tu só queria sarrar neh! – Roberta respondeu irônica.

Flor ficou em silencio, pensou que uma só palavra seria o bastante pra explodir uma guerra no vestiário.

- Calma gente! – Gritou Isadora. – Vamos com calma ai! Vocês não vão brigar por conta de macho não.

- Eu não quero brigar. Mas você sabe que essa mina é fura olho né Isadora?

- A minha amiga pode não ta toda certa, mas quem ta errado mesmo é o tal do Pedro que deve ta tirando onda com outra menina agora, enquanto as duas tontas então brigando no vestiário.

- Nisso você tem razão. – Disse Flor. Enquanto olhava Roberta e pensava “some daqui louca”.

Roberta ficou parada olhando Flor, medindo sua estatura como se pensasse por onde começar a picotar a rival. Passaram-se trinta segundos como se fossem dez minutos.

- Verdade. – Roberta resmungou. – Eu não vou brigar com você, se eu for bater em todas com quem ele me traiu não faço mais nada da vida. 
Flor percebeu as amigas relaxarem da posição de “briga”.
- Bem a cara dele! - Resmungou Flor.
- Vou seguir o conselho da Isadora, não vou perder o meu tempo. – Roberta esticou a mão. – Deixa isso pra lá.

Flor pensativa olhou a mão de Roberta esticada. Roberta puxou com força o braço de Flor, rodou o seu corpo como um boneco de pano até jogar seus 58 quilos no fundo do vestiário fazendo um barulho de explosão. Flor se assustou, seu corpo sobressaltou e ela “acordou” da sua cena espetacular.
  - Claro.  – Flor esticou a mão e olhou para a antiga rival. – Desculpa qualquer coisa.

- Vamos Roberta. – Disse uma das amigas dela. – Precisamos treinar, o campeonato ta chagando.  

- Se inscrevam no campeonato, vamos competir em coisas saudáveis – Ela riu. E em seguida saiu junto com as amigas atrás.

- Meu Deus! – Pensei que a gente ia levar uma surra Flor. – Disse Milla nervosa ao voltar da porta do vestiário, e ter certeza de que as meninas tinham ido embora.

- Caramba Flor. Dessa vez você quase se ferrou, e ferrou a gente junto! – Disse Bela preocupada. – Não brinca com essas coisas. Essas mina desse tamanho. – Ela arregalou os olhos. – A gente ia apanhar feio.

- Eu não entendi nada, pensei que ela fosse bater na gente. – Resmungou Flor. – To me cagando aqui.

-Vê se aprende agora. – Retrucou Isadora.

- Eu vou excluir o numero dele, mas não por ela, quem tem que saber se a relação ta boa não sou eu. Vou excluir por que ele é um cretino!

- E porque você é medrosa! – Milla gargalhou. - Vai que eles voltam o namoro e ela resolve te bater de verdade.
Todas riram.   

- Eu odeio brigas gente, já pensou quebrar uma unha por conta de um idiota daqueles!
- Vamos esperar cenas dos próximos capítulos. - Bela Riu. - Por que jogar contra essas minas nessa gana de jogo não vai ser fácil. 


Texto: Grazy Nazario.






quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Crônicas do dia a dia - Salto alto

Isadora e Flor circulavam pelo salão enquanto chegavam os convidados do evento.

- Isadora! – Flor puxou o braço da amiga. – Aquela senhora que esta andando com as pernas abertas, toda encurvada, não parece a sua mãe? Acho que é sim dona Tereza!

- Meu Deus Flor! – Isadora arregalou os olhos e pôs a mão na boca.

A senhora usava um conjunto de saia e blusa preta, e andava como se estivesse mancando. Isadora foi até onde ela estava.

- Mãe, eu não disse pra senhora colocar um sapato mais baixo? – Perguntou Isadora entre os dentes.

- Sim. – Ela respondeu com tranquilidade. – Mas não combinava com esta roupa.

- Esta roupa também não ta muito curta pra senhora? Quer passar frio e ficar doente?

- Ahhh pronto! – Tereza entortou a boca.

-  Ta, este sapato é mais bonito, mas é muito alto. – A senhora não esta andando, parece que ta sendo arrastada pelo salão!

- Para de exagero Isadora! – O sapato é um pouco alto e desconfortável, mas eu já to aqui e vou ficar com ele mesmo.

- Não é possível Flor! Minha mãe enlouqueceu. – Isadora esbravejou, e em seguida olhou para os lados para ter certeza de que ninguém estava olhando.

Dona Tereza colocou a pequena bolsa debaixo do braço e se desequilibrou, até quase cair.
- A senhora quer cair e quebrar um osso mãe? Se quebrar isso não cola mais não!

- Eu já vou sentar coisa chata! – Ela ajeitou a saia. – Não pode nem querer ficar elegante. – Ela olhou pra cima. – Uma festa dessas e eu não vou me arrumar!

- Mãe, eu vou pedir pra alguém trazer outro sapato pra senhora, desse jeito não dá. Não adianta ficar elegante e não conseguir andar!

- Quem sabe da minha vida sou eu Isadora. Mas que implicância, será que eu não sei o que é melhor pra mim?

- Não! Ou não pegaria o sapato da sua neta! – Isadora riu e cruzou os braços.

- Qual é o problema disso? Preconceituosa.

- Para com isso mãe! Não ligo ser o sapato da Morgana,  o problema é ser um numero a menos, e a senhora ter 75 anos. Se cair o tombo é feio!

- Qual é o problema da minha idade? Não posso usar um sapato alto e vermelho que você quer anunciar quantos anos eu tenho!

- Calma Isadora, não é pra tanto! – Flor se intrometeu com uma risada sem jeito. – Ela só vai ficar sentada mesmo.

- Nada disso. – Tereza riu descontraída. – Eu vim pra esta festa foi pra dançar. – Mas eu não sou boba, eu trouxe o sapato da dança, ta aqui na minha bolsa.

- Vê se eu posso com isso Flor! – Ela pôs as mãos na cintura. - Eu com um salto de 3 centímetros, e a minha mãe com esta perna de pau!

- Chega de drama! Só ta apertando um pouco na frente. E tirei foto com todo mundo em casa antes de sair e ficou uma beleza, na hora do baile eu troco o sapato. Se preocupe só com a sua fala.
- Tava todo mundo olhando a senhora andando toda torta.

Tereza gargalhou.

- Problema é de quem ta curioso, eu não to atrapalhando a vida de ninguém, você que ta querendo se meter no que eu uso.

Flor olhou para Isadora, fez sinal com a boca pra ela se calar.

- Você não sabe o que eu aguento dela Flor, por isso pede silencio. Fomos ao médico esta semana, e ela perguntou pra ele se tava liberado o sexo!

- E o que tem isso? - Disse Flor.

- Como assim? Ela fez isso na minha frente, eu fiquei vermelha igual este sapato dela.

- Bobagem Flor, querida. Isadora parece que tem mais de 90 anos. Ow menina careta! Por isso não arruma namorado...

- E quem disse que eu quero arrumar namorado?  

- E precisa dizer?

- Mãe para com isso de arrumar namorado, por favor? Eu não sou mais adolescente.

- Então para com essas coisas de não poder transar por que eu sou velha, ou não posso usar saia ou salto, eu uso o que eu quiser. Meu corpo minhas regras!

- Vixe, sua mãe ta andando com alguma feminista barra pesada Isadora? Hahahahaha

- Deve estar, só pode!

- Ela ta mais empoderada que você. – Flor gargalhou.

- Ta bom mãe, a senhora venceu! Fica com o seu sapato.

- Claro que vou ficar, jamais tiraria por que você disse.

- Que mulher ranzinza a senhora esta. – Resmungou Isadora.

- Você é minha copia autentica – Tereza sorriu satisfeita.

O salão encheu depressa, logo a plateia estava cheia. Isadora ia em direção ao palco onde faria a fala inicial da cerimonia de premiação do hospital.

Dona Tereza foi beber agua, andando devagar com as pernas abertas. Isadora viu a mãe e mexeu a cabeça querendo rir. Olhou para o lado e deu um passo em falso, o seu salto de três centímetros grudou no vão descoberto do piso, Isadora caiu e o salto quebrou.

- Flor, me ajuda. Isso é castigo! – Ela gargalhou enquanto levantava no chão. - O que eu faço? Vou entrar sem sapato ou mancando.

Dona Tereza se aproximou.

- Toma aqui, pode usar a perna de pau.

- Não, pelo amor de Deus! Com este salto agulha vou cair em cima do palco.

- É isso ou descalça.

- Já que não tem jeito neh! – Ela bufou. – Pelo menos é meu numero.  - Isadora colocou o sapato no pé.

Pouco tempo depois Isadora subiu no palco e fez seu pronunciamento divinamente, se sentiu ótima.
Assim que terminou, desceu do palco e foi falar com a amiga.

- Flor este sapato me deixou com uma postura muito legal. – Ela riu. – Mas não conta pra minha mãe. Dona Tereza já é muito convencida.

- Claro que não vou contar, ainda bem que ela tinha outro sapato, ou você estaria perdida.

- Isso é verdade. Ela tem tudo naquela bolsa dela. – Ambas riram.

Isadora arregalou os olhos:

- Olha aquilo, você ta vendo o que eu to vendo?

- Acho que sim.

Tereza se aproximou das duas amigas.

- Mãe, este não é o Manoel, o mecânico do bairro? – Isadora cochichou no ouvido da mãe.

- Não, este é o Maciel, meu namorado.

Flor e Isadora se olharam.

- Desculpa ai dona Tereza! – As duas gargalharam.


Texto: Grazy Nazario. 






quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Prazer sem tamanho - Crônicas do dia a dia



- Meninas, ontem enfim sai com o Paulão! – Disse Flor empolgada.

- Ebaaaaa! – Milla falou ao correr pela sala da amiga. – Até que enfim! – Ela bateu palmas.

- Me conta tudo sua maníaca sexual. – Exigiu Isadora enquanto saboreava sua marguerita. – Ela riu. – Conta logo, ele mandou bem?

- Vamos Flor, pare de matar a gente de curiosidade. – Isabela sentou no sofá e fixou os olhos na amiga. – Quero saber dos detalhes sórdidos.

- Vocês nem imaginam. – Ela torceu o lábio, e balançou a cabeça. – Foi uma decepção.

- Como assim amiga, com aquele bíceps e tanquinho! – Retrucou Milla. – Você ta brincando.

- Lógico que eu não ia brincar com isso Milla, o cara foi horrível!

- Mas o que aconteceu? Vocês não se sentiram á vontade um com o outro, ou não rolou química mesmo? – Perguntou Isabela.

- Já sei! Ele tem o pinto pequeno! – Isadora gargalhou.

- Até que não, o instrumento dele tem um tamanho bom. – Flor riu. – É que ele não sabe usar mesmo, ficou se olhando no espelho o tempo todo, colocando uma força nada a ver, parecia que estava na academia puxando ferro, o cara foi um mala.

- Meu Deus!  Tanta demora e suspense ele fez, e o cara é sem noção!? Aposto que não se preocupou com seu prazer. – Milla cruzou os braços emburrada.

- Gata, ele se preocupou com o espelho. – Flor bebeu cerveja. – Garanto que não tem nada a ver com o tamanho, ele não sabe usar mesmo.

- Como assim, vai dizer que você acha que tamanho não é documento?- Perguntou Isadora.
- Eu acho que é documento sim. – Gritou Milla. – Gosto de um documento grande e bem apresentável.

- Eu não concordo. – Disse Isabela. – Posso dizer que o mais importante é se entenderem nas preliminares, posições e no tempo certo.

- Você só namorou dois caras Isabela, e não transou com muitos além deles. – Milla se intrometeu.

- E o que isso tem a ver Milla? – Disse Isabela

- Ué, que você não te muito parâmetro. – Milla riu.

- Calma gente, eu concordo com a Isabela. – Flor se jogou no sofá. – Tamanho não é o mais importante. Mas eu compro do tamanho que eu quero na lojinha! – Ela gargalhou.

- Mas tem a sua importância, se fosse assim ninguém queria sexo com penetração, ficariam sós nas preliminares e tava linda! – Milla insistiu.

- Eu já namorei um japonês. – Gritou Isabela. – E o dele tinha um tamanho normal.

- Ta, mas ele mandava bem? – Perguntou Isadora.

- Não! – Isabela gargalhou. – Caraca, a gente ta mal hein!

- Eu já fiquei com negão, e o tamanho “super” é lenda, mas ele foi bacana. – Disse Isadora.

- Eu já sai com um super dotado! – Milla gargalhou. – Foi maravilhoso. – Mas ele se achava muito, ficou me dando canseira pra sair de novo. – Ela revirou os olhos. – Estes caras são folgados...

- Para Milla! – interrompeu Flor.

- Eu não ia dizer nada demais. – Milla fez cara de desentendida.


– Estamos falando de tamanho de pinto e performance sexual, e isso não tem nada a ver com romance ou namoros. – A moça sorriu suavemente. – Já sei onde você vai chegar com essa conversa.

- Nossa que falta de romantismo. – Ela torceu a boca descontraída. – Namorar um cara que transa bem é muito bom tá!

- Sim, é o CEU! Mas não é este o caso agora. – Flor se levantou, e gesticulou com as mãos. – O caso é como eles se comportam com as mulheres, em tempos que sabemos diferenciar quando uma transa é boa ou ruim.

- Entendi, gostei disso. – Milla sorriu. – Podemos falar disso com alguma propriedade. - Mas continuo gostando dos que tem um grande “potencial”.

- Eu também acho que quando maior pode ser mais divertido, por que se o cara não mandar muito bem no resto, pelo menos dá pra falar de alguma sensação né. – Isadora se divertiu.

- Dor também é sensação ta gente! – Isabela se levantou. – Essa conversa ta me dando arrepios.

- Eu acho que é relativo. – Flor se intrometeu. – Eu já transei com um cara que tinha o pinto pequeno e não era grosso. - Ela riu descontroladamente. – Mas ele mandava super bem, sai com ele várias vezes, era muito bom. – Ela fez cara de prazer. – Acho que vou ver se ele ainda esta na minha lista de contatos.  

- Então quer dizer que estes caras super bombados não funcionam bem? – Disse Isadora. – Pensei que fosse lenda.

- Comigo não rolou. Mas pode ser que funcione. – Disse Flor.

- Para o sexo ser bacana, acho que ser tudo na medida, tamanho, química e pegada, e o Paulão não se importar com nada disso é mega decepcionante. Aff, já que vai fazer que faça direito neh. – Disse Isadora com as mãos na cintura.

 – Que chato, colocar uma lingerie nova, roupa, se preparar toda pra não sentir uma gotinha de prazer. Muito babaca. – Milla Cruzou os braços.  

 Flor se levantou e pegou o celular. E em seguida voltou decepcionada.

- O que foi Flor, por que fez esta cara?  - Perguntou Isadora. – Não me diga que esta preocupada se o Paulão te ligou.

- Imagina, quem iria querer viver aquele horror de novo? – Ela ficou pensativa. – E... Duvido que ele fale comigo de novo, sé se fosse bem resolvido. – Ela revirou os olhos. – O que é difícil para homens desse tipo.

- Mas o que você fez pra ele? - Disse Milla.

- Nada demais, mas acho que ele não gostou muito. Eu tinha levado os meus brinquedinhos, e ele não quis nem olhar. Então depois que ele parou e me deixou na vontade eu fui ao banheiro, e disse a ele que sentiria prazer sozinha. – Flor olhou pra amiga com cara de safada.

- Você não fez isso sua louca?

 As três gritaram com os olhos esbugalhados.

- E por que eu não faria? Ele ficou bravo, mas a esta hora já estava sem força pra qualquer coisa, pediu pra eu esperar um pouco, mas eu estava cansada. Varias marcas roxas!

- Você enlouqueceu. – Afirmou Isadora com a boca aberta.

- Ele ficou tanto tempo agindo como se estivesse competindo que se esqueceu do mais importante, interagir. – Flor deu de ombros. 

- Você tem razão! – Milla gaguejou. – Ele mereceu.

- Assim, quem sabe quando ele sair com outra garota aprenda a ouvir e se importar, sexo é troca de prazer. – Flor levantou o copo em brinde.

- Verdade. – Riu Isadora. – Mas acho que pro Paulão só uma coisa ajuda.

- O que? – Disse Flor.

- Que tirem todos os espelhos do motel!





Texto: Grazy Nazario.


sábado, 25 de agosto de 2018

Calcinha de dormir - Crônicas do dia a dia


Isabela entrou no carro e ligou o motor, saiu as pressas enquanto ouvia o tagarelar da amiga.
Em menos de duas quadras o carro levou uma fechada de uma moto, a moça pensou rápido e saiu pra sua direita. Ouviu-se a derrapada forte, o carro que vinha no sentido contrário tentou desviar, mas bateu próximo a porta da motorista, prensando toda a parte dianteira.

Isabela soltou um grito, e em seguida começou a chorar.

- Esta tudo bem com você Bela? Fala comigo Isabela, por favor! – Perguntou Isadora com tranquilidade.
- To bem. – Respondeu a moça. –  Eu não consigo mexer o meu pé, deve estar preso em algum lugar. – Ela resmungou controlando a respiração e aos poucos se acalmando.

Cerca de trinta minutos depois chegou a ambulância, Isadora e Isabela conversavam quando um homem alto e forte chegou próximo do carro onde estavam as amigas.

- Bom dia senhoras. Estão conscientes? – Perguntou o homem.

- Muito bem. – Respondeu Isadora entre os dentes. - Melhor agora.

- Por favor, Isadora. - Ele veio me socorrer. – Isabela sorriu.

– A minha amiga esta com o pé preso na lataria. – Isadora disse imediatamente.

- Meu nome é Jota. Deixa eu olhar como estão as coisas por ai.

O homem examinou a parte que estava prendendo as pernas de Bella.

- Espero que não goste muito dessa calça.  Ele sorriu descontraído. - Vamos tirar você daí. – Ele disse em confiante. – E saiu em direção a ambulância.

As meninas riram presunçosas.

- Nossa que profissional da saúde! – Isadora se abanou. – No meu trabalho não tem nenhum desse ai, nem para fazer de colírio para os olhos. – Ela gargalhou. – Seria bom demais, ou não ia prestar, por que ninguém ia trabalhar.

Isadora olhou pra amiga e viu seu semblante fechar, de uma hora pra outra seu rosto ficou pálido, e sua boca pareceu querer arroxear.  Isabela estava preocupada demais, ou prestes a desmaiar.

- O que foi garota? - Isadora gritou.

- O que ele disse sobre a calça? - Perguntou Isabela como se tivesse em transe.

- Ele falou aquilo porque a sua calça deve ser toda cortada neh, isso é normal. 

- Eu não posso ir para o hospital. – Respondeu a motorista com convicção. 

- Que isso garota! Ta devendo o que? - Retrucou Isadora.

- Não to devendo, não quero ir. – Disse a moça com a voz alterada.

O atendente da emergência chegou:

- Vamos lá moça, acabar com isso ai.

- Eu não quero ir para o hospital Jota, me deixe ir pra casa. Eu estou bem. – Isabela tentou ser convincente, mesmo com a voz fraca dissimulando a dor. 

- Eu não entendi essa agora Jota, garota estranha. – Isadora resmungou.

Isabela fixou os olhos na amiga. e passou a mexer todos os músculos faciais possíveis, era o nariz entortando, a boca gemendo, os olhos piscando desesperadamente, tudo ao mesmo tempo.

Isadora percebeu que tinha algo errado, mas ainda assim caiu na gargalhada.

- To entendendo é nada!

Isabela começou a mexer a cabeça em direção a sua virilha. A amiga arregalou os olhos.

- Eu vou te matar Isadora! – Disse Isabela enquanto Jota e mais um agente tirava o seu pé das ferragens. 

Em seguida ela gritou. 

– Ta doendo muito, ta insuportável.

- Pelo que vi o seu pé esta quebrado em três partes, isso é serio. Vai precisar de cirurgia. - Afirmou Jota

- Não! – Isabela berrou.

Todos a olharam. 

Em menos de dois minutos ela estava na ambulância a caminho do hospital, as duas amigas enfim estavam a sós.

- Não entendi nada das suas macaquices Isabella, você ficou se estremecendo toda. – Você ta afim do boy? Não tem problema...

-  Fica quieta. - Isabela cochichou. – E eu lá tenho cara de fazer uma coisa dessas, parece que não me conhece! – Ela respirou fundo. - Eu to com uma calcinha rasgada. – Seu rosto  ficou vermelho, mais que a lua em dia de eclipse.

Isadora abriu uma boca imensa, maior mesmo só os seus olhos de espanto.

- Como você sai de casa pra me levar numa consulta com uma calcinha rasgada?! – Ela ergueu o corpo e pôs a mão na cintura. – Você é louca, só pode!

- Eu não ligo muito pra essas coisas, você sabe. – Respondeu Isabela.

- Percebe-se. – Isadora bufou. – De quanto a respeito de rasgada estamos falando?

- Muito. – Isabela engoliu seco.

- Você  disse que não liga né, então por que tanta preocupação afinal. – Ela revirou os olhos. – Se é uma pessoa que não tem condições financeiras eu entenderia, mas você esta bem colocada no mercado de trabalho, isso é desleixo já!

- Não exagera! Eu estava atrasada, sai com a calcinha que usei pra dormir.

- Entendi. Desleixo e preguiça!

- Exagero seu. – Resmungou Isabela.

 Chega! – Isadora ameaçou a rir. – Eu não quero saber mais dessa historia. – Você não liga mesmo, então pode parar com isso. Não pode deixar de operar o pé por conta de uma calcinha furada, deixe o medico pensar que rasgou no acidente.

As duas gargalharam como loucas.

- Imagina se isso acontece comigo, eu sofro um desmaio! – Brincou Isadora. – Calcinha rasgada eu jogo fora. Não da pra usar um troço que não tape nada! Isso é auto cuidado.

- Ta bom, ta bom! Chega de sermão. Eu aprendi a lição, não ligo de usar calcinha rasgada, mas alguém ver é bem constrangedor.

- Vão tirar a sua roupa toda, inclusive a calcinha. – Isadora ficou um pouco pensativa e  riu compulsivamente.

- O que foi?

- Nada... – Isadora balançou a cabeça. – Hoje você faz a equipe de enfermagem rir a toa.  

- Isso, ta me ajudando muito. –Ela fulminou a amiga. - Estou muito melhor depois desse nosso papo.

O carro parou na entrada de emergência.

-  O que me consola é que nada pode ficar pior. – Resmungou Isabela.

O médico chegou, olhou para o pé da acidentada.

- Que coincidência boa, uma fratura em três partes, é disso que eu preciso. - O medico levantou a mão e chamou uma moça. - Peça para todos os estagiários da emergência vir para a sala de cirurgia do terceiro andar, farei uma cirurgia de algo que estamos acompanhando esta semana. São um total de 25 pessoas.

Isabela empalideceu, enquanto sua maca era empurrada para a sala de cirurgia olhou para a amiga,  mexendo a cabeça desesperadamente.



A cirurgia enfim foi um sucesso, pouco após terminar Isabella estava no quarto.

Ficou ansiosa quando viu a amiga na porta.

- Vai ficar tudo bem comigo, o médico disse que dificilmente ficarei com alguma dificuldade pra andar ou correr, e se eu me cuidar bem em alguns meses estarei 100%.

- Isso é maravilhoso. – Isadora disse feliz.

- Eu acho que o médico percebeu que eu estava constrangida por conta da calcinha, que não tinha um furo, aquilo era um  tiro  de canhão. Eu pedi pra ele não chamar os estagiários.

- Nossa que coragem, e ele disse o que? - Questionou Isadora.

- Que ali eu era um instrumento para estudo, e que estava contribuindo para formar médicos e ajudar pessoas a se saírem bem de uma fratura como a minha. E também falou que a medicina é bem clara quanto à questões de ética e profissionalismo. 

- Nossa, ele é bom!

- Sim, eu fiquei muito mais tranquila, depois disso relaxei, eu já tava ali mesmo não é! – Isabela sorriu. – Não tinha o que fazer, decidi não me preocupar.  

- Verdade. – Isso é bom. - Garantiu Isadora.

Flor e Milla apareceram na porta do quarto.

- Oi meninas! – Que bela visita.

- Bela, me diz que você não é a Isabela da calcinha furada do leito 12? – Perguntou Milla com o semblante preocupado.

Todas as amigas se olharam simultaneamente, e em seguida para o numero abaixo da cama. N-12.

Isabela Ficou vermelha de raiva.

- Malditos estagiários!

Texto: Grazy Nazario. 





terça-feira, 7 de agosto de 2018

Curiosidade mata - Crônicas do dia a dia



Flor estava ansiosa, depois de devorar uma caixa de bombons, e beber sozinha duas garrafas de vinho, ouviu a campainha tocar. 

Isadora entra animada.

- Oi minha linda!

Logo atrás dela estavam Milla e Bella. Ambas beijaram Flor, que a esta altura estava pálida e transpirava descontroladamente.

- Que cara é esta Flor? – Pergunta Isadora com sua voz de papagaio esvoaçante, como de costume.

- Eu vou morrer! – Responde Flor abaixando a cabeça em cima da mesa. – São meus últimos dias de vida. – Ela diz com a voz mole, e começa uma choradeira.

As três amigas arregalam os olhos.

- Você esta bêbada, sua louca! - Pergunta Milla curiosa como se quisesse rir. – Enlouqueceu?

- Não brinca com essas coisas Flor. – Bella diz preocupada. Passa a mão nos cabelos da amiga. – Fala logo o que aconteceu. Isso é drama por conta de algum crush!

Flor aumenta o volume de choro.

- Eu não tenho crush. Sou um caso perdido Isabella. 

- Acabei de crer, dessa vez você perdeu o rumo da sanidade mesmo, só pode! – Isadora gargalha. E fica pensativa. – Isso são excessos de hormônios, certeza. – Isadora diz convicta.

-Para de chorar. – Milla pede irritada. – Fala alguma coisa.

- Isso é exagero da Flor. – Isadora revira os olhos. – Eu aposto quanto você quiser que ela ta na TPM, ela sempre fica desse jeito. Mês passado teve crise existencial. – Isadora levanta as mãos para o alto. – Ainda bem que não tenho isso, eu já teria agredido algumas pessoas.

- Será que é isso? – Isabel pôs a mão no queixo.

Flor fez silêncio, levantou e pegou envelopes que estavam em cima da mesa da sala, levou para as amigas, e entregou nas mãos de Isabel.

- Olhem isso.

- O que tem isso Flor!?  - Pergunta Isadora.

- Você não sabe ler? – Flor enxuga o rosto.  Você não trabalha na saúde? Esta dizendo que eu tenho miomas malignos, que eu terei que arrancar o meu útero, que eu vou morrer, e jamais poderei ter filhos! – Flor recomeçou a crise de choro.

- Mas amiga, você sempre disse que não queria ter filhos de jeito nenhum!

- CALA A BOCA MILLA! – Gritaram Bella e Isadora numa única voz.

- Mas ela sempre disse mesmo. – Milla sussurra.

Isadora encarou Milla como se fosse possível asfixiar com a mente. 

- Calma minha linda Flor. – Bella diz com a voz calma e levemente embargada. – Estamos aqui, vamos ficar juntas. - Já conversou com a sua família?

- Não. – Flor encheu uma taça de vinho. – Eu estou muito triste hoje, já chorei o bastante pra encher uma represa em tempos de crise de chuva. Eu quero beber mais.

Isadora e Milla se olharam, e os olhos entristeceram.

 - Que coisa chata amiga. – Diz Milla com a voz delicada. – Você já sabe o que precisará fazer? Vamos ajudar em tudo.

- ESPERA AÍ! – Grita Isadora.

- Para de berrar Isadora! – Temos uma mulher doente aqui.  

- Também não precisa falar assim neh Milla, daqui a pouco vai me enterrar. – Disse Flor.

- Parem de escândalo meninas. – Interrompe Bella.

- Que médico safado é este que você foi?  Pelo amor de Deus Flor! Não pode ser. – Isadora levanta os exames.

Flor levanta a cabeça devagar, com os olhos cheios de olheiras e sorri um pouco sem graça.

- Médico? Como assim.

- Ele não sabe ler um exame direito? – Pergunta Isadora. – De onde ele tirou que você vai morrer? Vou denunciar o CRM desse patife, como pode falar uma coisa assim, se a pessoa não morre de doença, morre de infarto!

- O que você esta falando Isadora? – Pergunta Bella. – O que tem escrito aí?

- Não esta falando nada sobre morrer em alguns dias. – Isadora respondeu irritada. – Existem sim uns nódulos minúsculos, mas a biopsia já diz que são benignos. Isso é normal, não tem nada disso de tirar útero, inclusive você pode engravidar normalmente.

- Devem ter outros exames Isadora. – Resmungou Bella- Cadê os outros exames Flor, deixa a Isadora olhar pra deixar a gente mais tranquila.

Flor abriu os dentes sem sorrir.  

- Não tem mais exames. São só estes mesmo. – Ela pegou o envelope das mãos da amiga. – Eu peguei os resultados ontem.

- E quem é este médico? – Insiste Isadora.

- Eu sei o que estou falando gente. – Ela disse meio aos soluços. – Coloquei todos os sintomas no google, o diagnostico é certeiro em mais de três sites. O dr. Google foi preciso!  

As amigas se olharam simultaneamente raivosas.

- Então eu não vou morrer? – Resmunga Flor.

- Sua doida irresponsável. Você nem passou pelo médico ainda, e ta querendo matar a gente de preocupação! – Isadora fecha os punhos. –  A minha vontade é de matar você! Vá até o médico e depois confirme isso direito.

- Você tem certeza disso? – Diz Flor enquanto ergue a cabeça.

- Eu já li vários exames desse tipo, esta tudo bem. – Responde Isadora.

- Eu nunca tinha pensado sobre isso de morrer. – Flor suspira. – Acho que vou fazer uma produção independente, escrever um livro e plantar uma arvore.

Todas riram.

- Você é louca! – Resmunga Milla. – Isso não se faz.

- Agora to curiosa pra saber se esta tudo bem mesmo. – Disse Flor.

- Amanhã você vai ao médico e deixa que ele faça o diagnostico, nada de entrar nessa onda de Dr. Google, isso mata a gente de susto!

- Tudo bem, espero até amanhã. – Ela respirou fundo. - Mas esqueci de falar uma coisa, tem a mamografia que eu ainda não abri, vamos dar uma espiada juntas?

- NÃOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO



Texto: Grazy Nazario. 





quarta-feira, 18 de julho de 2018

Mulheres de Poder - Sexo Seguro


Sexo Seguro


 O Encontro


No bar a musica tocava em ritmo dançante, Isadora estava aflita, não parava de remexer os pés.
- Vamos dançar garota! – Disse Flor no ritmo da musica. - Olha essa musica que maravilha!
- Não consigo Flor! – Respondeu Isadora.  – Estou preocupada e ansiosa.
- Amiga, poder ter certeza de que ele vem. – Milla gargalhou. -  Depois  dessa canseira de quase quatro meses de espera pra uma transa. – Ela riu. – Não demora e ele já chega.
- Eita, todo este tempo só conversando com o cara? – Flor arregalou os olhos. – Então este é o Sandro, seu ex-namorado de dez anos atrás!
- Também não exagera né Flor, não nos vemos há uns oito anos. – Ela revirou os olhos indignada. - E sim, estamos conversando a alguns meses.
- Ow mulher difícil! – Brincou Flor.
- Não é questão de querer ser difícil, eu queria saber qual é a dele comigo. Se for pra gente sair só pra uma transa, eu já fico sabendo disso.
- Entendi. – Flor respondeu pensativa. - E você conseguiu saber o que ele quer?
- Não faço a menor ideia! – Isadora gargalhou. – Eu estou rindo, mas é de nervoso.
Neste momento um homem alto, negro e de porte forte chegou, cumprimentou todas as meninas, e em Isadora deu um beijo na boca. Flor apontou uma cadeira e o convidou a sentar. Sandro foi gentil, mas disse que preferia não se juntar a elas. Esperou que Isadora se despedisse das amigas, e os dois saíram.
Isadora e Sandro chegaram ao motel em ritmo de lua de mel, Sandro estava animado, Isadora era a própria rainha. Assim que se beijaram, e o clima começou a esquentar Isadora perguntou:
- Você trouxe preservativo?
- Como? – Ele disse sem jeito.
- Se você não trouxe não tem problema, pega ali que eu tenho. – Respondeu Isadora apontando na direção de sua bolsa.
- Calma. – Disse Sandro enquanto dava mais uns beijos em sua suposta amada. – Sabe o que é minha linda, camisinha é muito ruim, aperta, machuca, incomoda muito!
- Não vem como este papinho não, Sandro! – Isadora se enfureceu. Levantou da cama irritada, e foi vestindo as poucas peças que tinha começado a tirar. – Eu não acredito que um homem da sua idade vai querer se comportar como um adolescente inconsequente.
- Não exagera! – Respondeu Sandro. – Você sabe que é ruim.
- Ruim é ter uma doença, ou engravidar de uma pessoa que mal conheço, por que esta com frescura pra se prevenir, não dá pra acreditar nisso.
- Deixa de marra. Deita aqui que eu faço você esquecer tudo isso, confia em mim. – Disse Sandro.  
- Perdi a vontade! – Ela cruzou os braços.
 - Não é possível que você vai me deixar na mão! – Sandro levantou da cama irritado.
- Não me enche que eu já estou azeda! – Ela suspirou. – Você sabia que eu fui arrumar meu cabelo, fiz depilação, unhas, passei meu perfume importado para ocasiões mega especiais e coloquei esta roupa que me deixa linda! Tudo a troco de raiva.
- Não estamos numa boa por que você não quer. – Resmungou Sandro.
- Me poupe! – Ela se exaltou. – Pare de tentar passar a responsabilidade pra mim, eu vim até aqui com um proposito, mas não sou obrigada a não me proteger porque você não esta se importando com a sua saúde, ou com a minha. Você esta tentando me intimidar evitando o sexo, quando o óbvio era você se prevenir sem eu precisar pedir.
 - Só acho que não sou um qualquer, não precisa dessa desconfiança toda.
- Eu definitivamente não vou discutir isso com você.
Passado pouco mais de duas horas, Flor dançava e Milla mexia no celular. Isadora entrou pela porta do bar apressada.
- O que você esta fazendo aqui mulher? – Milla arregalou os olhos. – Nossa já voltou. Que trepada rápida foi essa.
- O que aconteceu Isadora? Por que essa cara de quem quer agredir alguém?- Perguntou Flor enquanto se ajeitava na cadeira.
- Vocês não vão acreditar! – Respondeu Isadora com os punhos fechados. – Má hora que eu resolvi dar uma chance pra um cretino desses. Em seguida Isadora contou o acontecido as amigas.
Milla e Flor se olharam no mesmo tempo. Ficaram poucos segundos em silêncio, como se buscassem o que dizer diante da “não transa” da amiga.
- É, realmente não pode. – Respondeu Milla. – Quer dizer que você vai ficar na seca por mais um tempo né amiga. – Ela gargalhou.  
- Não fala assim da nossa enfermeira de plantão. – Flor riu. – Mas o cara não é nada seu, ta se achando demais.  
- Eu não o via a anos, nem sei com quem ele anda. – O cara é louco, e se eu sou uma porra louca?
- Enrolando mais de quatro meses pra transar não é porra louca mesmo! – Se intrometeu Milla.
- Você entendeu sua maluca! – Disse Isadora com a voz visivelmente mais tranquila.
- Verdade, se ele não quis usar camisinha com você é por que não usa com ninguém. – Flor balançou a cabeça.
- Você teve muita personalidade amiga, o que você fez foi muito difícil, eu não sei se conseguiria. - Muito babaca este cara! – Disse Milla.
- Então aprenda para o seu próprio bem, você precisa se cuidar, nenhuma outra pessoa fará isso por você. Qualquer pessoa tem contatinho pra sexo, se for pra ser assim que seja pelo menos sexo seguro né. Não dá trocar um momento de prazer pra ter problemas o resto da vida.
 – Mas tem uma coisa que esta me intrigando. – Flor fez cara de desentendida. - Como você conseguiu vir com ele do motel até aqui depois de todo este barraco?
- Você parece que não me conhece! - Isadora gargalhou desesperadamente. – De jeito nenhum eu entraria no carro daquele maluco. – Respondeu com cara de quem fez arte.
- O que você fez? – Flor arregalou os olhos.
Isadora pegou o copo de cerveja e tomou quase tudo de uma vez.
- Ele não me trouxe, eu o larguei trancado no quarto do motel e vim embora, ele que se vire. E tem outra coisa, ele que não me ligue, por que quem não quer  falar com ele sou eu.





Texto por: Grazy Nazario.

Não é só no circo que tem palhaço

  Flor chega em casa furiosa. Joga a bolsa no sofá, bebe água e olha o celular. Percebe que tem pelo menos dez mensagens. Ignora todas e b...