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quinta-feira, 10 de março de 2022

Mulheres de Poder - Festa na Piscina

 

As quatro amigas estão num quarto conversando.

- Uma loucura mulheres da nossa idade com estas crianças. – Resmunga Milla.

- Tá me chamando de velha, Milla? – Responde Isadora espantada.

Milla gargalhou.

- Lógico que não amiga! Mas é estranho, fico um pouco deslocada.

- Pois eu adoro. – Diz Flor satisfeita. – A juventude é incrível.

- Eu não tenho outra escolha, preciso ir soltando o Matheus aos poucos. – Responde Isadora com certa aflição.

Flor encara a amiga de braços cruzados.

- Quem vê você falando pensa que o Matheus tem 5 anos.

- Eu estou aprendendo a ficar de boa, Flor. Será que você pode respeitar o meu tempo?

Milla levanta:

- Tomara que não dure até os 36 anos do Matheus. 

- Exagerada! – Reponde Isadora. – Meninas, o Matheus acabou de fazer 18 anos, não é de uma hora pra outra que a gente deixa o menino sair sozinho pra uma festa na piscina com os amigos.

As três amigas ficaram em silêncio encarando Isadora.

Neste momento ouve-se um barulho estrondoso, como se algo tivesse caído. Isadora fica pálida.

- Gente, o que foi isso?

-Vamos ver! – Diz Bella, e sai correndo puxando o “bonde das mulheres de poder”.

Assim que chegaram na piscina viram uma “briga” generalizada, tendo como trilha sonora um funk. 

Duas meninas discutem. Matheus levantava a caixa de som no alto. 

- Tia Isadora! – Grita a amiga de Matheus. – Ela para de discutir com uma moça e vem em sua direção.

- Tia!? – Resmungou Milla. – Se esta garota me chamar de tia, eu voo na cara dela.

- Cala a Boca, Milla. A coisa é séria. – Responde Flor.

- Mas me chamar de tia, também! -  Milla Retruca. 

Flor a fuzila com os olhos.

- Ta bom, ta bom....

- O que está acontecendo Marcela? – Pergunta Isadora quando percebe que todos estão assustados.

- O Matheus tentou me impedir, mas eu não aceito!

- Abaixa este som, pelo amor de Deus. Vamos enlouquecer. – Grita Isadora.

Bella abaixa o som, olha todos os “grupinhos”, e faz um movimento de calma entre os amigos e amigas. Os ânimos parecem se acalmar.  

A moça que discutia com Marcela está em silencio.

- Você pode falar o que está acontecendo, Marcela?

- Tia, este menino. Ela apontou pra um rapaz que estava de frente pra ela. – Então, ele é namorado desta menina, a Luiza. Ela estava brincando com a gente na piscina.

- Quem estava brincando? – Pergunta Milla.

- Todas as meninas, era um jogo de meninas! – Diz Marcela satisfeita.

- Tá e ai. – Responde Isadora.

- Daí este cara. – Ela apontou pro rapaz. – O Luiz Fernando, ele é namorado da Luiza.

- Continua.

- Ele tirou a menina da piscina feito um louco, segurando o braço dela com violência, só porque a gente estava se divertindo. Ele é muito machista!

- Espera ai, não foi assim também! – Disse Luiz se intrometendo.

- Calma ai rapaz! – Isadora levantou a mão na cara dele.

- Você sabe de quem é esta história? Mulheres de Poder, logo, vamos ouvir as mulheres envolvidas. por hora homem não tem voz neste tribunal.

- Perfeita! – Diz Flor ao bater palmas.

Todas as amigas olham para Flor.

- Desculpa, gente. Me empolguei.

Isadora se vira para Marcella.

- Marcela o que você quer dizer? Ele bateu na namorada, é isso?

- Não chegou a bater...

- Calma meninas, não é só agressão física que é violência. – Diz Bella.

- Isso mesmo! – Completa Flor. – A garota tem razão em se intrometer.

- Não põe lenha na fogueira, Flor. – Resmunga Milla.

- Não é lenha!

- Calma, gente! – Diz Bella. – Deixem a Marcela falar, e a Luiza. Diz meninas, o que causou esta guerra e fez vocês derrubarem o som, “sem desligar a música”. – Bella Sorri.

- Foi o seguinte. Estávamos brincando na piscina, e a Luiza estava subindo e descendo e brincando, daí o Luiz Fernando ficou irritado e disse que ia levar ela pra dormir por conta que ela tinha bebido muito.

- Todo mundo aqui tem 18 anos, não é verdade? – Diz Bella.

- Mas isso também não quer dizer nada, por que podemos ter resp... – Diz Flor.

Bella olha pra amiga com cara de má.

- Ta, depois eu falo disso...

Bella concorda com a cabeça.

Todxs que estão ali respondem que sim.

- Legal. Sendo assim, Luiz Fernando, caso a Luiza não esteja se afogando ou necessitando de ajuda médica, nem você ou ninguém deve segurar o braço dela com violência. Isso não está certo.

A menina que discutia com Marcela levantou a mão.

 - Posso falar uma coisa?

- Lá vem o patriarcado. – Resmunga Flor.

Todos olharam pra ela.

- Eu sou amiga do Luiz Fernando e da Luiza. E sempre que saímos assim ela dá este tipo de show, fica bebendo...

- E se divertindo? – Diz Flor atropelando. – E esta não é a intenção? – Ou quando ele está feliz com os amigos é normal ela apertar os braços dele e mandar ele ir dormir.

- É bem capaz... – Responde a moça.

- Olhem, eu não conheço o namoro de vocês, se é uma relação abusiva para os dois lados, seria legal vocês fazerem terapia nesta idade, pra quando ficarem adultos as coisas não ficarem pior. – Diz Isadora.

Milla se aproxima:

- Gente, não adianta se meter nisso. Briga de marido e mulher....

- Nem completa, Milla. Se não eu vou ter que começar uma briga com você – Diz Flor.

- Tia, me desculpe. – Mas eu não concordo com isso. Eu sempre falo disso com minha mãe e irmãs. – Diz Marcela. – Não podemos deixar os machistas à vontade, não podem ir á qualquer lugar, serem abusivos e todo mundo fingir que não ta vendo. O Matheus tentou me impedir e levou um empurrão, por isso a caixa de som caiu, eu fui pra cima do Luiz, e iria de novo. Comigo, na minha frente e onde eu estiver machista não se cria!

- Que linda! – Vibra Flor. – Quer ir morar comigo por um mês? Por isso eu amo a juventude.

- Que bonita fala, Marcela. – Diz Bella. – Você está certíssima. – E você erradíssimo Luiz. Relacionamento abusivo não é bom pra ninguém, mas homens geralmente tendem a ser agressivos com mais facilidade que as mulheres.

Luiz Fernando ficou quieto, com o semblante envergonhado.

- Eu sei que não é fácil mudar, mas olhe novamente a sua atitude. Isto não é amor. Precisamos oferecer cursinhos antimachistas para toda a humanidade.

- Esta certíssima! Eu super concordo. E é claro que devemos chamar a Marcela, ela foi certeira! – Diz Flor com empolgação.

- Este caso não é pra chamar a polícia, mas poderia ser. – Completa Bella.

Luiz arregalou os olhos.

- Falo que não é por que a agressão não passou disso, mas e se ninguém intervisse e você continuasse a agir como se fosse dono da Luiza? É bom vocês pensarem nisso. – Bella disse em tom sério.

- Que bom que tudo foi resolvido, mesmo que, temporariamente. Depois podemos conversar mais, ok. – Diz Isadora. – Agora vamos entrar, tomar uma água...

- Desculpa, a todos. – Disse Luiz Fernando. – E em seguida foi até a namorada. – Desculpa, eu vou cuidar disso em mim.

- Muito importante a sua atitude, Luiz. – Diz Bella. – Mas é importante rever esta postura. Todos nós estamos aprendendo sempre.

As amigas se aproximaram de Milla, que estava encostada na parede com a cara emburrada.

- Ta tudo bem, Milla? – Pergunta Isadora.

- Nossa, ainda bem que eu estava aqui. –  Diz Isadora.

- Que nada, Isadora. – Flor interrompe aos risos. – Se você não estivesse aqui a Marcela resolveria tudo numa boa.

- Concordo. – Diz Bella.

- Pois eu não concordo com nenhuma de vocês. – Responde Milla irritada.

- Milla não fica brava com a menina porque aquele seu comentário é do século passado, nada a ver falar aquilo.

- Eu não tô nem aí por ela me interromper, só que se ela vir me chamar de “tia” de novo eu vou falar: “Tia é a sua avó”!

Todas gargalham.

FIM. 



Texto: Grazy Nazario.

domingo, 31 de janeiro de 2021

O Rei da Casa - Crônicas

 

Milla abre a porta empolgada.

- Chegou na hora do brinde! – Ela sorri. – Eu sei que não podemos nos abraçar, mas como é bom te ver.

- Oi meninas! – Responde Isadora com certo desanimo. – Gente, podem abaixar um pouco o som? – Ela senta no sofá.  

Bella, Flor e Milla arregalam os olhos:

- Nossa, que ânimo em plena sexta-feira. – Comenta Flor.

- Eu sei... – Isadora suspira. – Tive um plantão daqueles. Esta covid19 quando não mata de um jeito, ferra de outro.

- Imagino, amiga. Olha estávamos todas de máscara, só tiramos agora para o brinde. Não dá pra beber de máscara. – Disse Milla enquanto riu. 

- Passei em casa pra tomar banho, não queria vir direto do hospital, mesmo já infectada e curada preciso evitar transmitir os vírus de outra forma.

- Foi bacana da sua parte vir, mesmo que um pouquinho. – Diz Bella. – Agora que as coisas estão mais ou menos voltando ao normal... - Fase laranja, quase amarela. - Ela ri sem jeito. - Era importante ter este momento, não comemoramos o aniversário de ninguém.

- Eu também estava com saudades. – Diz Isadora. – Mas passei em casa e me aborreci. É muito louco precisar brigar por certas coisas.

- O que aconteceu? -  Pergunta Milla. – Segura este copo, relaxa e nos conte tudo!

- É o meu filho.

- O que tem ele? – Pergunta Bella.

- Ele não quer colaborar com nada. Antes eu já fazia tudo, mas agora a minha sobrinha esta passando uns dias em casa, e pedi pra ela fazer algumas coisas.

- E o que tem isso? – Rebateu Flor. – Estranho precisar pedir isso para o seu filho, só mora vocês dois na mesma casa, pensei que ele fazia o básico.

- Muito chato fazer coisas de casa! – Milla revira os olhos. – Ainda bem que moro com minha mãe.

- Isto não diminui em nada sua responsabilidade, minha filha! – Disse Bella. – Se você faz a sua mãe de empregada ta igual o filho da Isadora, só que pior, porque é adulta!  

- Não acredito que estou ouvindo isso! – Flor bateu o copo na mesa e foi até a cozinha. Voltou com uma latinha de cerveja na mão.  – Pelo amor de Deus, em pleno século XXI você ta sofrendo porque seu filho não quer ajudar, ou melhor, fazer a parte dele nos afazeres domésticos. É sério isso?

Isadora fica sem graça, e olha para as amigas.

- Você nunca ensinou isso a ele? Prefiro não falar sobre a Milla, porque se fizer isso serei obrigada a brigar com ela!

- Calma, gente! – Milla riu. – Eu pago uma diarista super bacana, e ajudo também em casa. Só disse que era chato.

- Disso todo mundo sabe Milla. – Responde Bella. – Mas a gente sabe como você não é fã de fazer muitas coisas.

- E quem é? – Responde Milla irritada.

- Eu! – Diz Isadora prontamente. – Eu sempre fiz tudo sozinha. Nunca pedi nada pro meu filho, dava pra eu fazer eu fazia. E ele é homem, vocês sabem que eles não têm muito jeito pra fazer coisas de casa.

- Pelo amor, que papo mais anos 50! AFFFFFF – Disse Flor e revirou os olhos. – Meus ouvidos estão sangrando!

- Não exagera com a Militância Flor! – Isadora virou um copo cheio de cerveja. – To ficando mais brava com vocês do que com meu filho.

- A questão é que é mais fácil fazer do que ensinar. Ok.  Mas e se o seu filho fosse uma menina, você ensinaria ou não? – Pergunta Bella.

- Mas ai não tem comparação né, gente! – Insiste Milla. – A mãe da gente já manda a gente fazer tudo desde pequena. Acho que por isso odeio. – Milla gargalha.  

- Como que não tem comparação! – Flor se exalta. – Você aprendeu desde pequena, seria a mesma coisa caso fosse um menino.

- Isso é o que a gente queria! – diz Milla.

- Sim, por isso mesmo temos que fazer. Eu não tenho filhos, mas isto está claro pra mim. Precisamos passar valores diferentes do que tivemos para meninos e meninas, ou nada vai mudar.  

- Você odiar fazer estes serviços é só mais um exemplo de que isso não tem nada a ver com gênero. – Insiste Bella.

- Mas é que eu sempre trabalhei e estudei... – Resmunga Milla.

- Milla, se for assim ninguém tem tempo de fazer nada, mas alguém precisa fazer! – Insiste Flor.

- Ah gente, mas agora ele já ta moço. – Resmunga Isadora. – O problema foi esta pandemia, eu levava muito bem as coisas porque era só nós dois. Agora parou a escola e todas as coisas possíveis, e eu to trabalhando feito uma louca no hospital...

- Não é possível, você quer viver como se o seu filho fosse o rei da casa! – Flor se irrita. – Eu não agüento manter um bom humor com uma fala dessas.

- Calma flor! – Pede Bela. – Falar assim não adianta nada, só deixa ela mais nervosa.

- Nossa gente, pra que eu fui comentar do meu cansaço. – Isadora respira fundo. – Só queria relaxar e aproveitar que amanhã é minha folga.

Isadora levanta a vai ao banheiro.

- Caramba meninas, vocês pegaram pesado hoje hein! -  Reclama Milla e vai atrás da amiga no banheiro.

Bella e Flor se olham.

- Nossa, ainda não me acalmei. Eu não me conformo que a pessoa queira ser empregada, por isso tem uma par de boizinho se achando pra cima da mulherada. – Suspira Flor. – Querendo tratar mulher como empregada!

- Eu sei Flor. Mas ela não enxerga assim, fica calma, não precisa brigar também, né. – Diz Bella.

- Dá vontade é de tacar foco nesta macharada folgada!

- Mas ele tem 17 anos!

- Sim, e logo terá 20, e 21, 24, 32.... E vai neste ritmo, “alguém faz por mim”.

- Calma, pode ter salvação.

Flor suspira.

- Eu acho que estou estressada mesmo! – Ela ri. – Muito tempo de quarentena e descobrimos que nossa amiga está se fazendo de escrava e nem enxerga, é problema viu.

Milla e Isadora voltam.

- Meninas, eu vou embora. – Diz Isadora com a voz ligeiramente mais calma.

- Não precisa ir Isadora. - Diz Bella. – Pegamos pesado. Vamos ficar de boa, não é Flor? – Bella olha de canto de olho para a amiga.

- Sim. – Responde Flor a contragosto. – Desculpa, senta ai e fica de boa.

Isadora senta novamente.

Flor bebe uns goles de cerveja, observando a amiga.

- Permita-me dizer mais uma coisa? – Flor sorri. – Mesmo se você não permitir eu vou dizer. - Ela afirma em tom descontraído. 

- E a novidade, Flor? – Diz Milla.

- É que assim.... Precisamos mudar está visão de que as mulheres precisam fazer tudo sozinhas. Por que temos que carregar o mundo nas costas? Reclamamos na internet sobre as atitudes dos homens, e não exigimos que nossos filhos arrumem a cama?

- Você nem tem filho, Flor! – Ironiza Milla.

- Eu sei Milla. Mas você entende o que eu estou falando? – Flor passa as mãos nos cabelos. – O mundo vive uma pandemia louca, muitas pessoas morreram e continuam a morrer. A nossa amiga trabalha na linha de frente contra a doença, chega cansada, e não tem o apoio da própria família. O que ela estaria passando como valores ao filho?

- Isso é verdade. – Diz Bella. – E se algo acontece com ela?

- Sim, eu fiquei doente. E alguém foi pra minha casa, o meu filho ficou perdido.

- Ele não é mais uma criança, se algo acontecer com você, ele precisa ter noção do que é preciso fazer, em outros sentidos também. – Completa Flor com a voz mansa. – Você pode fazer tudo, se assim escolher. – Quem sou eu pra dizer o que você deve fazer?

- Uma feminista do caraio! – Riu Milla. – Mas isso é verdade.

- Eu sei, mas não é fácil mudar hábitos. - Lamenta Isadora. 

- Isso não é mesmo Isadora. Mas não é impossível. – Bella abre um sorriso. – E não é só por você, mas por ele também.

- Isso é verdade. E também o que você vai deixar para o mundo. – Mães super protetoras são péssimas.

Isadora torce o nariz e a boca.

- Mas você não se contenta neh Flor!

- Jamais! – Ela sorri. – Pra mudar precisa fazer diferente. Eu nunca imaginei que veria aquele menino tão lindo sendo acostumado assim, nessa vida mansa.

- É a idade também. – Ameniza Bella. – Os hormônios e tals.

Milla riu.

- Na minha época os hormônios faziam outra coisa.

Todas riram.

- Posso perguntar mais uma coisa?

- Ai meu deussssss – Grita Isadora simulando desespero. – Eu já entendi sobre os direitos iguais e tudo mais, você tem toda razão, Flor! Agora deixa eu tomar essa cervejinha e ouvir este som gostoso porque eu quero relaxar.

- Ah sim. – Flor riu. – Relaxa sim, e depois vamos sortear quem vai lavar a minha louça lá em casa!

Todas olharam Flor.

- Ta doida!?

- Não! Kkkkkkkk – É que como eu conseguir fazer você dividir o seu serviço de casa, todas vocês podem dividir comigo!

 


Imagem: Site "Pra ficar Charmosa. 


FIM

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Personagem - Bella

 Bella é uma jovem mulher madura. Feminista por opção esta mulher de poder é puro equilíbrio e sensatez. Em busca de uma sexualidade equilibrada com suas preferências independente do gênero sente-se livre para buscar além do que o mundo lhe apresenta. Bella é comunicativa e trabalha com vendas de cosméticos, atualmente estuda marketing e tem uma filha, Sophia de 11 anos. 

Esta mulher de poder de 36 anos é capricorniana, e sabe que sempre há tempo de fazer o que gosta e ganhar dinheiro com isso, apesar de sua sobriedade já mudou algumas vezes de cursos técnicos transitando desde radiologia, administração e economia, fazendo jus ao seu ascendente em gêmeos. Bella entende que sua palavra tem poder, assim como suas atitudes, sabe que pode ajudar outras pessoas e reconhece que amadureceu muito por prestar atenção em pessoas que tem o que dizer. Embora saiba sobre suas habilidades e facilidade de aprender, é humilde e gosta de ser todo ouvidos para as amigas. Além disso, sabe que nenhum empoderamento é fixo, e que precisa ser lembrada sempre quanto a sua importância para si e para o mundo.                                                                    


Ficha técnica    

        

Nome: Isabella Morais de Souza     

Idade: 36 anos.

Profissão: Vendedora

Signo: Capricórnio.

Filhos: 1 filha 

Estado civil: Solteira.

Formação:  Estudante de Marketing.

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Crônicas do dia a dia - O primeiro NÃO a gente nunca esquece


Sentadas de frente para a piscina, Flor e Isadora mexem no celular, quando ouvem a voz de Milla.

- Podem parar com esta palhaçada de ficar no celular. – Eu quero uma cerveja, to morrendo de sede.
- Senta ai maluca! – Diz Flor enquanto enche seu copo.
- Por que tanta agitação? Hoje ainda é sábado! – Resmunga Flor.
- Vamos falar dos detalhes da viagem – Diz Isadora apressada.
- Calma, primeiro eu quero falar do Evandro. – responde Milla.
- Quem á este? – Isadora fez cara de espanto.
- A Flor conhece.
- Conheço? – Flor fez cara de ueh.
- Lógico! – Responde Milla irritada. – É aquele cara que conhecemos juntas no aniversario da Ju...
Flor continua calada, e pensativa.
- Vocês ficaram conversando horas sobre a caça aos animais...
- Lógico que me lembro! – Flor dá uma risada. – Ele era amigo deste, ou primos, não sei bem.
- Então... Acho que ele é gay! – Diz Milla. – Acho não, tenho certeza. – Ela torce o nariz.
- E por que você tem tanta certeza disso, Milla? Ele falou alguma coisa? - Pergunta Isadora.
- Tem certas coisas que não precisa dizer, né gente, é só prestar atenção nas atitudes.
- Ele saiu com você e negou fogo? – Flor colocou a mão na boca com os olhos arregalados.
- Não. – Diz Milla. Pior que isso!
- O que pode ser pior que isso neste caso? – Isadora põe a mão no queixo pensativa. – Diz logo que to curiosa!
- Eu chamei ele três vezes pra sair e ele me esnobou, não quis nem me conhecer, tomar alguma coisa... Nada!
- E o que isso tem a ver? – Isadora levanta as sobrancelhas.
- Como assim amiga, ele só pode ser gay!
Flor balançou a cabeça.
- Essa foi a coisa mais machista que você já disse!
- Machista mesmo, com certeza, Milla. - Repetiu Isadora.
- Então me diz por que ele não quis sair comigo? – Ela bufa. – Por um acaso eu sou feia, desinteressante, sem graça? Por que um homem heterossexual não sairia com uma mulher como eu?
- Pelo mesmo motivo que não saímos com qualquer homem! – Flor responde imediatamente.
- Você ta falando serio, Mila? – Isadora gargalhou. – Você não sabe ouvir um NÃO de um cara. Ta andando muito com homens, não é possível!
- Não é isso. – Mila começa a falar devagar. – É que não da pra entender por que o cara se recusou a sair comigo. – Ela mexe nos cabelos. – Mesmo que fosse só pra gente conversar e se conhecer. Se ele é solteiro e eu também, na minha visão ele é gay e não quis ser indelicado.
- Me lembrei de um filme agora. – Isadora começa a rir. – É com aquele ator Mel Gibson, ele fica ouvindo os pensamentos das mulheres e certa altura do filme diz pra uma mulher que ele é gay, só pra não magoar ela.
Flor começa a rir.
- Eu me lembro deste filme. É muito bom!
- Para, gente! – Interrompe Milla com a cara fechada. – Que mané filme, vamos para o meu assunto. Foco!
- Se for pra falar em foco, temos que falar da viagem que ninguém lembrou que existe! - Resmunga Isadora.
- Daqui a pouco Isadora, calma. – Milla levanta as mãos. – Isso é coisa séria.
Diz Flor, você acha que ele é gay, ele dá pinta?
- Gata, eu não vi ele dando pinta, não. – Flor bebeu cerveja. – Amiga, seria legal a gente entender que os caras também podem dizer não, do mesmo jeito que nós dizemos.
- Acho que estão tudo mole! - Bufa Milla.
- Você não sabe o que quer! – Grita Isadora. – Se os homens vão pra cima são atirados demais, se não vão são gays. Isto é pensamento do século passado, Milla, as coisas mudaram.
- Mudaram pra pior.
- Milla, pensa comigo. Antigamente, nessa mentalidade sua ai, só os homens chegavam nas mulheres, a gente não tinha esta liberdade de tomar a iniciativa.
- E o que isso tem a ver. – Milla retruca irritada.
- Tem a ver que a gente falava Não pra vários caras que a gente não queria ficar. E os homens atiravam pra todos os lados, por que as mulheres viam as relações de forma diferente.
- Não to entendendo nada! – Milla responde decepcionada.
- O fato é que o cara pode não ter ido com a sua cara. – Isadora jogou as mãos pro lado. – Tipo o santo não bateu mesmo.
- E por que ele me responde as mensagens?
- Por que não quer ser indelicado? – Diz Flor.
- É... – Milla lamenta. – Pode ser...
- Sim. E isso não é o fim do mundo, gata. – Flor mexe nos cabelos da amiga. – Força na peruca! Quem arrisca convidar corre o risco de receber não, ou sim. Este é o preço da liberdade conquistada pelas mulheres.
- A parte chata você quer dizer neh! - Milla revira os olhos.
- São consequências. – Responde Isadora. – Se o cara não topou com a sua cara, pra que sair com você? Vai fazer você perder o seu tempo e ele o dele, assim pelo menos age na honestidade.
- A honestidade as vezes atrapalha. – Milla exclama. – A gente perde chance de conhecer as pessoas.
- Não perde nada! Quando você não quer nem adianta insistir. – Flor a olhou nos olhos. – O homens também tem o direito de dizer não, e temos que aprender a conviver com isso e seguir nossas vidas.
- Então bora seguir a vida, e chega desse assunto. – Diz Isadora.
O celular da Flor toca.
- Vixe, é o amigo do seu suposto gay. 
Todas se olham, Flor levanta para atender. Minutos depois senta-se na cadeira com os olhos arregalados.
- Vocês não vão acreditar.
- Diz logo! – Milla soltou um grito. – Ele disse que o seu cara é gay mesmo!
Flor gargalha.
- Acho que eles são um casal.
- Por esta  eu não esperava. – Isadora arregala os olhos.
- Jura! – Grita Milla ao gargalhar. – Eu falei, isso tava muito estranho, eu nunca tinha visto isso.
- Eu to brincando.  – Flor balança a cabeça, e começa a rir. – Ele me chamou pra sair
Milla arregalou os olhos.
- Mentirosa, sem graça!
- Eu disse que ia pensar, por conta da viagem e de não querer me envolver com ninguém agora. Espero que ele entenda e não me chame de lésbica por conta disso.
- Engraçadinha! – Milla revira os olhos. – Vamos falar da nossa viagem.
- Melhor escolha impossível. - Diz Isadora satisfeita.




Texto: Grazy Nazario.





sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Crônicas do dia a dia - Sogra briguenta


- Meninas eu tive uma briga feia com meu filho! – Gritou Isadora.
- É normal brigar com os filhos. – Bella gritou da cozinha. – Larga de tanta aflição.
- O problema é brigar por que ele ta namorando. – Isadora pigarreou. – E briguei também com a namorada dele.
- Não me diga que você é daquelas mães que se sentem dona da vida do filho. – Disse Flor. – Você tem vida própria, pelo amor!
- Você fala isso por que não tem filhos Flor, o Matheus ta saindo com uma menina pavorosa. É uma safada!
Milla gargalhou.
- Por que você ta xingando a menina? Já vi tudo, é a velha rixa entre sogra e nora!
- Só pode ser isso! – Flor confirmou.
- Não é nada de rixa! A menina não sabe o que quer, uma hora namora e outra termina, tem um ex-namorado que fica perturbando... A cretina fica fazendo meu filho de idiota.
- Mas isso é normal né Isadora, são adolescentes! – Bela se sentou no sofá.
- Não acho normal não, se quer assumir compromisso que saiba o que ta fazendo.
- Nossa você vai querer casar eles quando mesmo?! – Flor gargalhou.
Isadora se enfureceu e colocou as mãos na cintura.
- Esta menina é uma safada, sem vergonha, pra não dizer uma vagabunda de beira de esquina!
- Êpa! Pera ai. – Bela se levantou. - Então todas nós somos tudo isso, inclusive você! Quando você aponta o dedo pra uma mulher, ele ta apontado pra você também.
- Calma Bela, a menina também não é santa. – Disse Milla.
- Ninguém é! – Gritou Flor. – Eu tô com a Bela. Se for assim nenhuma de nós presta.
- O seu filho esta conhecendo pessoas, como ela. – Bela disse com calma.
- Mas então por que querer se comprometer e ficar toda hora terminando e de rolo com o ex? – Milla Cruzou os braços.
- Cada um tem um jeito. Se o seu Matheus não tá curtindo o que ela ta fazendo que saia fora, que namore outra. Tod@s ficamos confus@s as vezes.
- Até parece que é fácil assim neh. – Isadora fechou o cenho. - Tô com pena do meu filho, coitado.
- Mas todo mundo sofre por amor Isadora, isso é normal. – Flor suspirou. Esta se preocupando a toa.
- Sofrimento é ouvir as suas falas machistas. – Bela cruzou os braços. - Imagine se o Matheus fosse uma menina!
- Ia ser terrível também. – Isadora grunhiu. – Mas mulher quando quer mandar...
- Homem bate, humilha, faz de tudo quando quer mandar também. – Flor insistiu.
- Mesmo assim...
- Não tem isso Isadora, as mulheres conquistaram certa independência, mas as questões machistas são muito fortes. – Bela olhou pra amiga. - E você ficar falando que a menina que o seu filho ta saindo é vagabunda, por estar indecisa ou conhecendo pessoas, como ele também faz, não ajuda em nada.
Isadora ficou quieta, com os olhos arregalados.
- Não tinha pensado por este lado.
- É que a gente costuma olhar só o nosso lado. – Disse Flor.
- Flor você não tem filhos, não entende como é difícil esta fase.
- Eu não preciso ter filhos Isadora, eu tenho a mim, as minhas experiências, de amigos, sabemos que às vezes o amor não bate com a pessoa que a gente quer, ou estamos em vibes diferentes, daí sempre tem alguém que se machuca. Relações são difíceis, isso não é segredo.
- Isso é verdade. – Disse Milla.
- Não sei nem o que dizer. – Isadora suspirou. – Pelos filhos a gente fica cega. O que eu tô falando não tem nada a ver mesmo. – Ela suspirou.
- Eu sei que você não é má pessoa, e que ta querendo defender o seu filho. Mas eles precisam aprender a se defender sem colocar a culpa em ninguém.
- E a culpa sempre é da mulher né! – Flor bufou. – Isso cansa. Meninas também querem se divertir, tipo como nós também fazemos e meninos sempre fizeram.  
- E isso não quer dizer que não fazemos umas palhaçadas as vezes, todo mundo faz! – Disse Bela. - Somos humanas.
- É claro que erra, todo mundo pisa na bola as vezes. Então diga que ela é mau caráter, traíra, ou infeliz... Fala do que ela fez e não pelo gênero. Isso é horrível!
- Isso não adianta nada Bela. – Milla revirou os olhos. – Nada a ver não xingar a pessoa do jeito que a gente quer, estamos acostumadas a falar essas coisas, na hora do nervoso sai.
- É só desacostumar ueh! Ninguém nasceu dizendo isso. Aprender outras coisas faz bem, evolui!
- Nós mudamos aos poucos, outras pessoas também. Assim as crianças não veem nada disso e não repetem. Quando vai ver, daqui a 400 anos vai estar praticamente extinto xingar uma mulher de vagabunda, puta ou qualquer coisa dessas.
- Sim, vagabunda só se ela não trabalhar. – Flor gargalhou.
- Vocês estão certas meninas. – Isadora suspirou. – Fiquei até com vergonha agora.
- Bom é você ver que este não é o caminho. - Disse Bela. - Eu sei falando de filhos é difícil controlar. Eu fico preocupada com a Julia também, e ela só tem 12 anos, mas quando começar a namorar não vai ser fácil.
- Eu sei, vou pensar mais nisso que você disse. – Isadora quis chorar. - Mas continuo preocupada, eu vi o meu filho chorando tanto, fiquei morrendo de dó! Acho que ele nunca mais vai ficar normal de novo ou vai demorar muito. Já faz uma semana que ele tá mal.
- Isso passa, todo mundo já chorou por isso. – Disse Flor olhando as unhas.
- Logo ele vai ficar bem. – Disse Milla. – Eu sei bem o que é isso. – Ela riu.
- Quando isso passar vou comemorar. Nem que seja com beijinho e brigadeiro, por que é digno de uma festa!
A porta abriu.
Matheus entrou em casa cantarolando.
As quatro meninas pararam de falar e se olharam.
- O que você tem? – Isadora colocou a mão na testa do filho. – Você estava chorando feito uma criança ontem a noite.
- Eu to bem mãe.
- E a Aninha? Vocês estão bem?
- Mais ou menos. – Disse Matheus. - Ah mãe eu to falando com a Flavinha, a menina é mó gente boa. A gente ta marcando de ir no cinema amanhã.
Isadora arregalou os olhos.  
- Entendi filho.
Na cozinha Isadora abriu a geladeira.
- Meninas, alguém quer bolo de chocolate!? - Isadora gargalhou. 

Texto: Grazy Nazario.





sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Relacionamento sério - Cronicas do dia a dia


- Amiga dessa vez eu tenho certeza que vai! – Disse Milla ao se jogar no sofá com o celular na mão. – Ele é demais!

- Vai aonde Milla? – Disse Flor enquanto olhava as unhas.

- Como assim aonde louca. Vamos namorar ueh, relacionamento sério. – Ela riu – Já ouviu falar disso?

- Olha. – Flor pôs a mão no queixo. – Faz tempo que não sei o que é isso, e realmente não to muito afim de saber.

- Para de ser chata! Não começa com sua implicância com relacionamentos. – Milla se sentou e pôs a mão na cintura.

- Não é implicância, é que é sempre a mesma coisa. – Flor bufou. – Eu tô cansada disso.

- Sei que ta cansada, mas toda hora ta com boy novo.

- Sim. Uma coisa é uma coisa... Não tem nada a ver uma coisa com outra. – Flor riu.
Isadora chegou com três long neck.

- Eu não vou beber. – Gritou Milla. – Vou encontrar meu crush novo, não quero ta com bafo de cerveja.

Isadora gargalhou.

- Entendi. Ai ele chega caindo de bêbado.

- Vira esta boca pra lá Isadora! – Gritou Milla. – To achando que meus relacionamentos não andam por isso...

- É muita energia ruim neh Milla? – Flor ironizou.

- Isso mesmo. – Milla ergueu o queixo.

- Energia ruim o que garota. – Isadora abriu a cerveja. – Vai ficar deixando de beber pra agradar a quem? Daqui a pouco não vai mais poder sair com a gente, nem conversar.

- Eu nunca disse isso! – Milla disse irritada.

- Mas nem precisa dizer né Milla. – Flor deu um gole na cerveja. – Se você não toma uma cerveja enquanto estão ficando, imagina quando o namoro firmar.

- Se é que firma né, porque a Milla não é fácil. – Resmungou Isadora.

- Para gente! Pelo amor. – Milla se irritou. – Que torcida contra.

- Não é torcida contra, mas dizer que não vai beber uma cerveja com a gente porque vai encontrar um cara que conheceu ontem. – Flor revirou os olhos. – Escova os dentes né!

- Eu não quero cerveja hoje, só isso. To nervosa. – Milla suspirou. – Logo vou me arrumar e encontrar ele. - Ela fez olhos de apaixonada.

- Você ta empolgada mesmo! – Isadora riu. – Que bom, só não queira fazer tudo ao mesmo tempo ta, deixa rolar.

- Mas eu não sou assim, quem vê você falando pensa que eu sufoco as pessoas. – Respondeu Milla irritada.

Flor pigarreou.

- Só as vezes.  – Isadora tossiu.

- Gente, eu não quero ter DR não ta, só quero sair com um carinha e ficar de boa.

- Entendi, mas não fala de casamento, promete? – Pediu Flor.

- Lógico que não louca! – Ela riu. – De onde você tirou esta ideia Flor?

- Do ultimo encontro, aquele com o Renato que você disse “nas entrelinhas” que queria que ele fosse o pai dos seus filhos.

Milla sorriu sem jeito.

- Aquilo foi um erro de percurso, eu não faria isso de novo. - Ela suspirou.

Isadora gargalhou.

- Conta outra garota. Você é obcecada por casamento.

Milla arregalou os olhos.

- Isso é exagero seu. Eu só não nego que quero me casar. Pensa comigo eu já tenho 33, até eu casar 34, viver um pouco a vida de casada 35 e depois ter um filho 36, quase 37. Serei como avó do meu próprio filho. – Ela pôs as duas mãos no rosto.

- Nossa, que matemática louca! Por que a vida da gente deve ser toda programada assim? – Disse Flor  – Fiquei tonta aqui.

- Você diz isso por que já decidiu que não quer filhos, e já viveu com uma pessoa. Já cansou de dizer que não quer mais viver isso... – Respondeu Milla.

- Você não sabe o que eu quero, principalmente por que nem eu sei. – Flor arregalou os olhos e afirmou com a cabeça.

- Milla, a Flor tem razão, você faz muitas contas. – Isadora bebeu dois goles de cerveja. – Deixe ser natural.

- Você também não pode dizer nada Isadora. Já se casou e tem o seu filho, eu quero viver essas coisas, será que posso?

- Que coisas? – Flor insistiu. - Que papo louco, você ta brisando. – Ela gargalhou. – Isadora, você conta ou eu conto?

Ambas começaram a gargalhar.

- Obrigada por me deixarem de fora dessa diversão. – Disse Milla emburrada.

- Não é isso gata! – É que você fala como se o casamento fosse a melhor coisa do mundo, e esta longe de ser. – Isadora riu. – Chega a ser engraçado o jeito como você fala.

- Eu sei que não é a única coisa pra se fazer da própria vida, mas eu quero fazer isso.

- Que bom! Pelo menos isso você sabe que existem mais coisas a fazer! – Disse Isadora.

- Ta legal, não tem como a gente interferir nisso. – Flor se intrometeu. – É uma escolha sua. Mas será engraçado depois que você dividir com a gente a sua experiência, por que eu vou dizer: Eu te avisei!

- Engraçadinha. – Milla mostrou a língua. – Eu sei que não são tudo flores.

- São poucas flores, na verdade. – Isadora resmungou.

- Gente, eu preciso falar com pessoas que gostem do casamento. – Milla bufou. - Vocês estão muito negativas com este assunto.  

- Você tem razão Milla. – Isadora disse seria. – Não é por que eu não me dei bem com o pai do meu filho que você necessariamente não viva um bom casamento, e pode ser que viva além dos sete anos que fiquei casada.

- Verdade. – Flor suspirou. – E mesmo que vocês se separem como aconteceu com nós duas. O que vale são os bons momentos, nada precisa ser pra sempre, nem a vida é eterna, por que o casamento precisa ser? – Ela sorriu delicadamente.

- Credo! Eu nem casei e vocês já estão fazendo o meu divorcio. É inacreditável.

As amigas riram contidas, enquanto Milla foi ao banheiro.

- Desculpa amiga. – Disseram Flor, e Isadora na sequencia.

- A gente só se preocupa com você. – Disse Isadora.

- Pense primeiro num namoro legal, divertido, ou sei la. – Disse Flor. - Não deixa essas formalidades ser maior que as coisas importantes entre as pessoas, o relacionamento em si.

- Eu não to mais na pilha. – Milla respondeu desanimada. – Eu só não escondo que tenho esta intenção.

- Ta ok. Isso nós já entendemos. – Respondeu Flor.  – Não vamos mais falar nada contra. Vai encontrar seu futuro noivo e marido vai. Ficaremos aqui na torcida.

- Não vou mais. – Respondeu Milla.

- Não fala assim que me sinto culpada! – Berrou Isadora.

- Ele desmarcou. – Ela pôs a boca de lado. – O filho dele teve um problema e ele teve que cancelar.

- Nossa que pena! – Disse Flor sem graça. – Depois vocês remarcam...

- Sim. – Disse Milla. – Simbora organizar a viagem de amanhã. – Ela esfregou as mãos com animação. – Com este sol vai dar praia.

Flor e Isadora se olharam, e depois pra Milla.

- Não me olhem assim.

- Você não vai dizer nada?  - Perguntou Isadora.

- Passa a cerveja! - Disse Milla.

– Ta na mão! -  Elas gargalharam.




Texto: Grazy Nazario.

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sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Disputa Saudável - Cronicas do dia a dia


Isadora pulou com grande impulso e levantou a bola na frente da rede. Bela veio correndo do fundo da quadra, saltou duas vezes o seu tamanho e desceu o braço na bola, acertou a cortada na quadra adversária fazendo um ponto espetacular.
- Ual! - Todas gritaram juntas e comemoraram.
- Que ponto, Bela! – Berrou Isadora.
- É a sua vez Flor.

Flor se preparou para fazer o saque, reparou quando uma moça alta e forte entrou na quadra e se distraiu.

- Anda Flor! – Gritou Milla.

Flor sacou e colocou a bola pra fora da quadra.

Depois do ponto perdido Flor se desconcentrou, perdeu a empolgação e pediu pra sair da quadra. Outra amiga do time a substituiu. Flor continuou no banco até o fim do jogo.

- Flor pode parar. - Gritou Isadora no vestiário. – Por que você saiu no meio do jogo?

- Nada. – Ela resmungou. – Você sabe que prefiro futebol.

- Para de mentir Flor. – Milla retrucou. – Você mudou a cara quando viu a Roberta.

- Não tem nada a ver com a Roberta.

- Não precisa muito pra saber que você não gostou de ver ela na quadra. – Bela suspirou - Você voltou a sair com o namorado dela?

- Voltou não né, nunca parou você quis dizer. – Disse Milla.

- Para com este assunto gente, eu nunca mais vi o Pedro.

- Eu já falei pra não ficar dando moral pra cara com namorada. – Disse Isadora. – Curtiu um lance, se divertiu, sai fora. Você sabe que este cara é um babaca.

- Ele é idiota, só é bom de cama. – Flor riu sem jeito. – Mas to de saco cheio dele. – A gente só sai quando ele pode ou quer, quando sou eu que sugiro ele fica de enrolação.

- Eu sei, já vi este filme antes. – Milla juntou as coisas na sua mochila. – Você diz que não vai mais sair, mas ele liga e você vai.
- Da ultima vez fui por que não tava fazendo nada. - Ela riu. 
- Então não reclama depois. 
Flor emburrou. Roberta entrou no vestiário no mesmo instante com mais duas amigas e se posicionaram na frente de Flor,  as três de braços cruzados.

- Boa noite. – Disse Roberta. – E ai Flor, tudo beleza? – Disse ela com a voz firme.

Flor empalideceu, esticou seus ombros estreitos, enquanto se levantava mantendo a postura pra se sentir forte. Seu coração começou a acelerar feito louco.

- To de boa. 

As amigas se posicionaram atrás de Flor. Se sentiram no jogo do mortal kombat se preparando para a luta.

- Tem visto o Pedro? – Perguntou Roberta.

Flor ficou muda com o coração saltando e as mãos tremendo.

- Faz tempo que não. – Ela respondeu sem olhar a cara da moça.

- Sei... Tipo antes de ontem né.

- Olha, vou te falar a verdade, eu vi ele há uns dias atrás sim. – Flor levantou a cabeça.

- Eu sei, ele me contou. Nós terminamos. – Disse Roberta com a voz ríspida.
- E veio aqui pra que?
- Eu vim pra te contar a novidade, pode ficar com ele todo pra você. – Roberta cruzou os braços. – Vamos voltar com tudo no time de vôlei, vamos ter boas disputas nos próximos jogos. 
- Legal você voltar as suas atividades neh, bom era nunca ter saído. Mas eu não quero o seu namorado não. – Flor riu sem jeito.
- Tu só queria sarrar neh! – Roberta respondeu irônica.

Flor ficou em silencio, pensou que uma só palavra seria o bastante pra explodir uma guerra no vestiário.

- Calma gente! – Gritou Isadora. – Vamos com calma ai! Vocês não vão brigar por conta de macho não.

- Eu não quero brigar. Mas você sabe que essa mina é fura olho né Isadora?

- A minha amiga pode não ta toda certa, mas quem ta errado mesmo é o tal do Pedro que deve ta tirando onda com outra menina agora, enquanto as duas tontas então brigando no vestiário.

- Nisso você tem razão. – Disse Flor. Enquanto olhava Roberta e pensava “some daqui louca”.

Roberta ficou parada olhando Flor, medindo sua estatura como se pensasse por onde começar a picotar a rival. Passaram-se trinta segundos como se fossem dez minutos.

- Verdade. – Roberta resmungou. – Eu não vou brigar com você, se eu for bater em todas com quem ele me traiu não faço mais nada da vida. 
Flor percebeu as amigas relaxarem da posição de “briga”.
- Bem a cara dele! - Resmungou Flor.
- Vou seguir o conselho da Isadora, não vou perder o meu tempo. – Roberta esticou a mão. – Deixa isso pra lá.

Flor pensativa olhou a mão de Roberta esticada. Roberta puxou com força o braço de Flor, rodou o seu corpo como um boneco de pano até jogar seus 58 quilos no fundo do vestiário fazendo um barulho de explosão. Flor se assustou, seu corpo sobressaltou e ela “acordou” da sua cena espetacular.
  - Claro.  – Flor esticou a mão e olhou para a antiga rival. – Desculpa qualquer coisa.

- Vamos Roberta. – Disse uma das amigas dela. – Precisamos treinar, o campeonato ta chagando.  

- Se inscrevam no campeonato, vamos competir em coisas saudáveis – Ela riu. E em seguida saiu junto com as amigas atrás.

- Meu Deus! – Pensei que a gente ia levar uma surra Flor. – Disse Milla nervosa ao voltar da porta do vestiário, e ter certeza de que as meninas tinham ido embora.

- Caramba Flor. Dessa vez você quase se ferrou, e ferrou a gente junto! – Disse Bela preocupada. – Não brinca com essas coisas. Essas mina desse tamanho. – Ela arregalou os olhos. – A gente ia apanhar feio.

- Eu não entendi nada, pensei que ela fosse bater na gente. – Resmungou Flor. – To me cagando aqui.

-Vê se aprende agora. – Retrucou Isadora.

- Eu vou excluir o numero dele, mas não por ela, quem tem que saber se a relação ta boa não sou eu. Vou excluir por que ele é um cretino!

- E porque você é medrosa! – Milla gargalhou. - Vai que eles voltam o namoro e ela resolve te bater de verdade.
Todas riram.   

- Eu odeio brigas gente, já pensou quebrar uma unha por conta de um idiota daqueles!
- Vamos esperar cenas dos próximos capítulos. - Bela Riu. - Por que jogar contra essas minas nessa gana de jogo não vai ser fácil. 


Texto: Grazy Nazario.






quarta-feira, 18 de julho de 2018

Mulheres de Poder - Sexo Seguro


Sexo Seguro


 O Encontro


No bar a musica tocava em ritmo dançante, Isadora estava aflita, não parava de remexer os pés.
- Vamos dançar garota! – Disse Flor no ritmo da musica. - Olha essa musica que maravilha!
- Não consigo Flor! – Respondeu Isadora.  – Estou preocupada e ansiosa.
- Amiga, poder ter certeza de que ele vem. – Milla gargalhou. -  Depois  dessa canseira de quase quatro meses de espera pra uma transa. – Ela riu. – Não demora e ele já chega.
- Eita, todo este tempo só conversando com o cara? – Flor arregalou os olhos. – Então este é o Sandro, seu ex-namorado de dez anos atrás!
- Também não exagera né Flor, não nos vemos há uns oito anos. – Ela revirou os olhos indignada. - E sim, estamos conversando a alguns meses.
- Ow mulher difícil! – Brincou Flor.
- Não é questão de querer ser difícil, eu queria saber qual é a dele comigo. Se for pra gente sair só pra uma transa, eu já fico sabendo disso.
- Entendi. – Flor respondeu pensativa. - E você conseguiu saber o que ele quer?
- Não faço a menor ideia! – Isadora gargalhou. – Eu estou rindo, mas é de nervoso.
Neste momento um homem alto, negro e de porte forte chegou, cumprimentou todas as meninas, e em Isadora deu um beijo na boca. Flor apontou uma cadeira e o convidou a sentar. Sandro foi gentil, mas disse que preferia não se juntar a elas. Esperou que Isadora se despedisse das amigas, e os dois saíram.
Isadora e Sandro chegaram ao motel em ritmo de lua de mel, Sandro estava animado, Isadora era a própria rainha. Assim que se beijaram, e o clima começou a esquentar Isadora perguntou:
- Você trouxe preservativo?
- Como? – Ele disse sem jeito.
- Se você não trouxe não tem problema, pega ali que eu tenho. – Respondeu Isadora apontando na direção de sua bolsa.
- Calma. – Disse Sandro enquanto dava mais uns beijos em sua suposta amada. – Sabe o que é minha linda, camisinha é muito ruim, aperta, machuca, incomoda muito!
- Não vem como este papinho não, Sandro! – Isadora se enfureceu. Levantou da cama irritada, e foi vestindo as poucas peças que tinha começado a tirar. – Eu não acredito que um homem da sua idade vai querer se comportar como um adolescente inconsequente.
- Não exagera! – Respondeu Sandro. – Você sabe que é ruim.
- Ruim é ter uma doença, ou engravidar de uma pessoa que mal conheço, por que esta com frescura pra se prevenir, não dá pra acreditar nisso.
- Deixa de marra. Deita aqui que eu faço você esquecer tudo isso, confia em mim. – Disse Sandro.  
- Perdi a vontade! – Ela cruzou os braços.
 - Não é possível que você vai me deixar na mão! – Sandro levantou da cama irritado.
- Não me enche que eu já estou azeda! – Ela suspirou. – Você sabia que eu fui arrumar meu cabelo, fiz depilação, unhas, passei meu perfume importado para ocasiões mega especiais e coloquei esta roupa que me deixa linda! Tudo a troco de raiva.
- Não estamos numa boa por que você não quer. – Resmungou Sandro.
- Me poupe! – Ela se exaltou. – Pare de tentar passar a responsabilidade pra mim, eu vim até aqui com um proposito, mas não sou obrigada a não me proteger porque você não esta se importando com a sua saúde, ou com a minha. Você esta tentando me intimidar evitando o sexo, quando o óbvio era você se prevenir sem eu precisar pedir.
 - Só acho que não sou um qualquer, não precisa dessa desconfiança toda.
- Eu definitivamente não vou discutir isso com você.
Passado pouco mais de duas horas, Flor dançava e Milla mexia no celular. Isadora entrou pela porta do bar apressada.
- O que você esta fazendo aqui mulher? – Milla arregalou os olhos. – Nossa já voltou. Que trepada rápida foi essa.
- O que aconteceu Isadora? Por que essa cara de quem quer agredir alguém?- Perguntou Flor enquanto se ajeitava na cadeira.
- Vocês não vão acreditar! – Respondeu Isadora com os punhos fechados. – Má hora que eu resolvi dar uma chance pra um cretino desses. Em seguida Isadora contou o acontecido as amigas.
Milla e Flor se olharam no mesmo tempo. Ficaram poucos segundos em silêncio, como se buscassem o que dizer diante da “não transa” da amiga.
- É, realmente não pode. – Respondeu Milla. – Quer dizer que você vai ficar na seca por mais um tempo né amiga. – Ela gargalhou.  
- Não fala assim da nossa enfermeira de plantão. – Flor riu. – Mas o cara não é nada seu, ta se achando demais.  
- Eu não o via a anos, nem sei com quem ele anda. – O cara é louco, e se eu sou uma porra louca?
- Enrolando mais de quatro meses pra transar não é porra louca mesmo! – Se intrometeu Milla.
- Você entendeu sua maluca! – Disse Isadora com a voz visivelmente mais tranquila.
- Verdade, se ele não quis usar camisinha com você é por que não usa com ninguém. – Flor balançou a cabeça.
- Você teve muita personalidade amiga, o que você fez foi muito difícil, eu não sei se conseguiria. - Muito babaca este cara! – Disse Milla.
- Então aprenda para o seu próprio bem, você precisa se cuidar, nenhuma outra pessoa fará isso por você. Qualquer pessoa tem contatinho pra sexo, se for pra ser assim que seja pelo menos sexo seguro né. Não dá trocar um momento de prazer pra ter problemas o resto da vida.
 – Mas tem uma coisa que esta me intrigando. – Flor fez cara de desentendida. - Como você conseguiu vir com ele do motel até aqui depois de todo este barraco?
- Você parece que não me conhece! - Isadora gargalhou desesperadamente. – De jeito nenhum eu entraria no carro daquele maluco. – Respondeu com cara de quem fez arte.
- O que você fez? – Flor arregalou os olhos.
Isadora pegou o copo de cerveja e tomou quase tudo de uma vez.
- Ele não me trouxe, eu o larguei trancado no quarto do motel e vim embora, ele que se vire. E tem outra coisa, ele que não me ligue, por que quem não quer  falar com ele sou eu.





Texto por: Grazy Nazario.

terça-feira, 12 de junho de 2018

Festa de casamento



A festa estava acontecendo a todo vapor,  Milla entrou animada no salão de festas.
- Você esta linda neste vestido rosa! – Disse Flor enquanto dava pequenos saltos.
- Gostou mesmo amiga? – Ela sorriu. – Eu estava em duvida se colocava aquele preto de alça com brilhos.
- Ta linda assim Milla. Para de usar só preto, você rejuvenesceu com esta cor. Adorei.
- Amei seu vestido vermelho! – Disse Milla.
- Ta do jeito que eu gosto. Sexy, vulgar, bonito e cheio de brilho! – Respondeu Flor rindo alto.
Milla gargalhou.
- Esta certinha! – Arrasa do jeito que você se sente bem.
- Cadê a Isadora? – Perguntou Milla.
- Estou aqui! – Chegou Isadora aos pulos.
- Ual! Vestida de dourado! – Milla gritou. – Você veio pra arrasar garota.
- Você me conhece, se não é pra causar eu nem saio de casa! – Disse Isadora empolgada. – Eu estava comendo uns quitutes maravilhosos. Que delicia!
- Logo eu vou comer. Agora quero ver o vestido da noiva. – Milla fez olhos apaixonados. Ela esta bonita?
- Ta uma pintura de tão linda! – Respondeu Flor. – Mas a irmã da noiva é uma fresca, ta se achando com aquele vestido azul turquesa, só porque foi madrinha.
- Verdade Flor. – Se intrometeu Isadora. – Sua prima é metida mesmo, não fala com ninguém. – Ela revirou os olhos.
- Eu sei! – Disse Flor. – Mas tem uma coisa, o noivo é uma renovação de esperança nos homens, o cara é muito gente boa.
- Oh Gloria! Quero pegar o buque, pelo amor. – Milla sorriu empolgada.
- Minha avó dizia que pegar o buque dá azar. – Comentou Isadora.
- Assim fica difícil! – Retrucou Milla.
- Gente, eu quero beber, comer e dançar. – Flor foi direto pra pista.
- Que lugar de gente bonita, musica boa. Festão este! – Olha aquilo tem uns homens bonitos aqui. – Disse Milla.
- Não reparei nisso ainda Milla, mas que tem comida boa eu te garanto. – Respondeu Isadora mastigando. – Vou pegar uma bebida dessa colorida, que ta com uma cara linda.
Milla foi dançando até a pista se juntar a Flor.
Uma musica alucinante começou a tocar, as duas amigas se empolgaram na coreografia, as pessoas  que dançavam no salão passaram a acompanhar a dança das duas, como se o ensaio tivesse acontecido na noite anterior, Flor e Milla eram as duas “lideres” do ensino médio.
No auge da musica formou-se um alvoroço no salão, algumas pessoas se tumultuaram do outro lado, as luzes de balada e a quantidade de pessoas na frente das meninas não deixou que nenhuma das duas visse o que estava acontecendo.  O som continuou a tocar, as duas ficaram curiosas com a confusão, mas começou a tocar outra musica contagiante, recomeçaram dançar e pular feito duas malucas, e o salão as acompanhou. No final da musica Flor pareceu voltar a si, como quem sai de um transe musical, olhou pra amiga com os olhos esbugalhados.
Viu a prima do vestido azul turquesa com a cara de “vixi fudeu”.
- Ei, que alvoroço foi aquele, quase agora aqui? – Perguntou Flor.
- Uma mulher louca vomitou no vestido da minha irmã, e depois sujou o banheiro todo, ta a maior bagunça la. Eu vi vocês conversando com ela...
- Vomitou no vestido da noiva? – Se espantou Milla. - Que mulher!?
- Uma alta toda de dourado.
- Isadora! – Gritou as amigas numa única voz.
Ambas correram para o banheiro, Isadora estava sendo acudida pela noiva, a mulher tinha enrolado a calda do longo vestido branco, que a esta altura estava molhado depois de ter sido limpo por conta do banho de vomito de Isadora.
- Mas o que esta mulher tem? – Disse Flor.
- Ela disse que esta com a barriga doendo, e vomitou muito. – Respondeu a noiva.
- Você veio ter piriri na festa de casamento Isadora! – Milla disse como uma bronca. – Você sujou o vestido da noiva. Que vergonha!
- Não tem problema meninas, eu vim pra cá por que tinha que limpar meu vestido, mas já esta tudo bem.
- Fica noiva! – Gritou Isadora esticando as mãos.
- Você esta louca mulher? – Retrucou Flor. – O que você bebeu? Esta louca de cachaça, só pode!
- Você acha que eu fico louca de beber! – Respondeu Isadora  aos berros tentando se levantar.
- Então tem alguma coisa errada, o que você aprontou pra ficar mal assim? – Insistiu Flor.
Isadora ficou quieta, seu silencio era tão revelador, que Milla e Flor quase abriram uma banca se apostas para adivinhar o que a amiga tinha aprontado pra ficar naquele estado.
- Ta, eu confesso. Tomei remédio pra emagrecer, estou tomando há uma semana...
-Mas você comeu feito uma louca a noite toda! – Disse Milla.
- Eu sei, por isso passei mal. – Isadora começou uma crise de choro, como quem quer fugir da bronca. – É muita coisa gostosa, difícil resistir.
- Sua louca, e você bebeu bebida alcoólica!
- Sim. Mas foram só uns três copos!  – Ela levantou ajeitando a roupa. A noiva já foi?
- Você fez uma verdadeira bomba-relógio,  comeu pra caramba, bebeu e tomou remédio. Vou te matar! Estes remédios são um perigo. – Milla revirou os olhos. – Pior que tomou e comeu mais que o normal. – Ela gargalhou.
– Mas a pior parte vocês não sabem. Na hora que vocês estavam arrasando na pista eu estava acompanhando a dança, passei mal e olhei a prima do vestido azul turquesa, mas a noiva entrou na frente justo na hora que vomitei.
- Caramba! – Flor gargalhou. – Ia ser engraçado, mas foi trágico.
- Vamos embora vai, já passei vergonha demais nessa festa. – Isadora Levantou.
- Não! – Milla gritou- A noiva vai jogar o buquet. Você queria causar, mais que isso impossível.
- Milla, eu vou pedir o uber, não tenho mais cara de ficar nesta festa, aproveitem vocês duas.
Isadora aguardava o carro chegar, até que ele encostou do seu lado, e junto chegou Milla esbaforida.
- Eu vou com você. – Ela estava com o buque na mão.
- Meu Deus, você pegou o Buquet da noiva! Que sorte um buquet de girassóis.
- Entrem logo no carro suas loucas. – Veio Flor empurrando Milla.
- Por que vocês estão correndo?
Isadora olhou para trás e viu metade da festa correr atrás de Milla.
- Vamos motorista, arranca com este carro! – Ela riu. – Eu não saí de casa pra ver um buquê lindo desse e aquela baixinha tomar da minha mão. Abri o vestido dela e peguei o meu buquê!
- E dizem que a maluca sou eu! 




Texto: Grazy Nazario.

Não é só no circo que tem palhaço

  Flor chega em casa furiosa. Joga a bolsa no sofá, bebe água e olha o celular. Percebe que tem pelo menos dez mensagens. Ignora todas e b...