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sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Prostituta de luxo - Crônicas do dia a dia



Isadora e Milla se encontraram com Flor.
- Oi amiga. Te liguei e você não me atendeu. Não íamos pra academia juntas? – Disse Milla.
- Sim. – Respondeu Flor pensativa. – É que eu estava numa ligação, por isso não atendi naquela hora.
- O que você tem? Tá aluada. – Perguntou Isadora.
- Sei lá, uma coisa estranha.
- O que foi?
- Se lembram do Adamastor?
- Claro né Flor, com este nome! – Isadora gargalhou.
- Não é aquele tiozinho que queria sair com você? – Disse Milla.
- Mais ou menos. O amigo dele que me convidou pra jantar algumas vezes.
- Sei... – Resmungou Isadora. – De qualquer jeito os dois são velhos pra você.
- Sim. Mas o Adamastor nem tem intimidade comigo, e hoje me ligou pra me fazer uma proposta bizarra.
- Shiiii! Que proposta?- Disse Isadora.
- Ele me perguntou como estava o meu dia, se eu estava muito ocupada. Eu respondi que nada especial, mas por que ele queria saber.
- Ai ai ai – Resmungou Milla.
- Ai que veio a loucura. Ele me disse que tinha um amigo dele de passagem na cidade, e que ele estava ocupado resolvendo coisas familiares e não conseguiria dar atenção pro cara, mas que pensou em mim como a companhia perfeita.
- Como assim Flor! Guia turístico? – Disse Milla rindo.
- Acho que sim. Flor riu. – Ele perguntou se eu conhecia bem a noite paulistana.
- Entendi, tipo uma prostituta de luxo? – Gritou Isadora.
- Você não foi né amiga! – Disse Milla.
- Claro que não! Não conheço o cara.
- Ufa!
- Você acha que ele me chamou de prostituta? – Flor disse pensativa.
- Logico Flor!
- Eu não pensei nisso na hora. – Flor fechou o cenho.
- E você respondeu o que pra ele? – Perguntou Isadora. - Vamos avaliar as intenções dele.
- Eu disse que não podia ir porque estava ocupada, e não conhecia a pessoa, e isso era estranho.
- E ele? – Perguntou Milla curiosa.
- Falou pra eu não me preocupar por que o cara era “gente boa”, e que ainda por cima era “mão aberta”!
- O que? – Gritou Isadora furiosa. - Que cara de pau! Como você é lerda Flor! Este cara merecia umas bolsadas na cara pra ficar esperto. 
- Mas foi por telefone! – Flor riu sem jeito.
- Sua tonta! Merecia bolsadas assim mesmo! Se você quisesse se prostituir era problema seu, mas ficar te oferecendo este velho babão!
- Que cara nojento amiga. – Milla resmungou. – Estes caras perderam a noção, confundem educação com liberdade, e libertinagem! É incrível a cara de pau desse cara.
- E o pior é que a Flor perde a oportunidade de xingar um nojento desses!
- Ah cretino! Pensando por este lado você tem razão Isadora. Ele tava com um ton sacana, deu umas risadinhas... Pensa que por que to solteira, to disponível pra agradar qualquer um! Até parece que vou me vender por um jantar. – Flor revirou os olhos. – Eu trabalho pra pagar por isso. Ta vendo por que não querem a emancipação feminina?!
- Flor, mas você precisa melhorar essa percepção neh, ou será que o cara vai precisar dizer: quanto é o programa? Pra você se ligar!
- Nunca eu ia imaginar isso. O cara me conhece do trabalho!
- Mas deveria! – Disse Milla. Eu não sei como você não foi, só pra não desagradar o cara!
- Ele merece umas vassouradas! Te juro. – Disse Isadora.
- To sem acreditar como fui ingênua, deveria ter brigado com ele, pra não fazer isso nunca mais com ninguém!
- Agora já foi Flor, também não precisa se torturar com isso. – Disse Milla.
- Se fosse eu já tinha ligado e falado uns desaforos! – Disse Isadora.
Flor pegou o celular.
- O que você esta fazendo gata? – Perguntou Milla.
Em seguida o telefone de Flor tocou.
- Oi Adamastor, to bem sim. Não quero saber da proposta não. Só te liguei pra dizer umas coisas. É que naquela hora estava dirigindo e não consegui raciocinar direito. Eu não sou prostituta, e se fosse nem você ou seu amigo não teriam dinheiro pra pagar.
Isadora e Milla se olharam espantadas com cara de riso.
- Sairia de graça com quem eu tenho vontade, mas ser educada com você não quer dizer que te dou este tipo de liberdade.
Flor ficou em silencio ouvindo o que o homem dizia.
- Eu não entendi nada errado, não sou guia turístico também, mal te conheço, nem este cara. – Flor começou a ficar vermelha.
- Chega Flor! – Milla bateu as mãos na frente da amiga. Flor continuou a falar as mesmas coisas. Isadora também começou a abanar as mãos.
Flor desligou o telefone.
- Pronto, agora vou dormir tranquila. – Ela respirou. - E ele nunca mais vai fazer isso com ninguém!
e- Você é louca amiga, ta parecendo adolescente que não sabe o que dizer na hora, e depois quer voltar a briga. – Milla gargalhou.
- Ta certo menina, não dava pra dormir com isso na garganta! – Disse Isadora.
- Flor, me lembrei de uma coisa, este cara não é aquele que vai trabalhar com você no projeto daquela empresa?
- Sim. – Flor respondeu sem graça. – Ele mesmo.
- Mulher, to achando que você exagerou. – Disse Milla. – Vocês vão trabalhar juntos!
As três amigas se olharam.
Flor ficou pensativa.
- Que nada! – Flor gargalhou. - Ele que fique esperto, ou abro um processo por assedio!



Texto: Grazy Nazario. 

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Prazer sem tamanho - Crônicas do dia a dia



- Meninas, ontem enfim sai com o Paulão! – Disse Flor empolgada.

- Ebaaaaa! – Milla falou ao correr pela sala da amiga. – Até que enfim! – Ela bateu palmas.

- Me conta tudo sua maníaca sexual. – Exigiu Isadora enquanto saboreava sua marguerita. – Ela riu. – Conta logo, ele mandou bem?

- Vamos Flor, pare de matar a gente de curiosidade. – Isabela sentou no sofá e fixou os olhos na amiga. – Quero saber dos detalhes sórdidos.

- Vocês nem imaginam. – Ela torceu o lábio, e balançou a cabeça. – Foi uma decepção.

- Como assim amiga, com aquele bíceps e tanquinho! – Retrucou Milla. – Você ta brincando.

- Lógico que eu não ia brincar com isso Milla, o cara foi horrível!

- Mas o que aconteceu? Vocês não se sentiram á vontade um com o outro, ou não rolou química mesmo? – Perguntou Isabela.

- Já sei! Ele tem o pinto pequeno! – Isadora gargalhou.

- Até que não, o instrumento dele tem um tamanho bom. – Flor riu. – É que ele não sabe usar mesmo, ficou se olhando no espelho o tempo todo, colocando uma força nada a ver, parecia que estava na academia puxando ferro, o cara foi um mala.

- Meu Deus!  Tanta demora e suspense ele fez, e o cara é sem noção!? Aposto que não se preocupou com seu prazer. – Milla cruzou os braços emburrada.

- Gata, ele se preocupou com o espelho. – Flor bebeu cerveja. – Garanto que não tem nada a ver com o tamanho, ele não sabe usar mesmo.

- Como assim, vai dizer que você acha que tamanho não é documento?- Perguntou Isadora.
- Eu acho que é documento sim. – Gritou Milla. – Gosto de um documento grande e bem apresentável.

- Eu não concordo. – Disse Isabela. – Posso dizer que o mais importante é se entenderem nas preliminares, posições e no tempo certo.

- Você só namorou dois caras Isabela, e não transou com muitos além deles. – Milla se intrometeu.

- E o que isso tem a ver Milla? – Disse Isabela

- Ué, que você não te muito parâmetro. – Milla riu.

- Calma gente, eu concordo com a Isabela. – Flor se jogou no sofá. – Tamanho não é o mais importante. Mas eu compro do tamanho que eu quero na lojinha! – Ela gargalhou.

- Mas tem a sua importância, se fosse assim ninguém queria sexo com penetração, ficariam sós nas preliminares e tava linda! – Milla insistiu.

- Eu já namorei um japonês. – Gritou Isabela. – E o dele tinha um tamanho normal.

- Ta, mas ele mandava bem? – Perguntou Isadora.

- Não! – Isabela gargalhou. – Caraca, a gente ta mal hein!

- Eu já fiquei com negão, e o tamanho “super” é lenda, mas ele foi bacana. – Disse Isadora.

- Eu já sai com um super dotado! – Milla gargalhou. – Foi maravilhoso. – Mas ele se achava muito, ficou me dando canseira pra sair de novo. – Ela revirou os olhos. – Estes caras são folgados...

- Para Milla! – interrompeu Flor.

- Eu não ia dizer nada demais. – Milla fez cara de desentendida.


– Estamos falando de tamanho de pinto e performance sexual, e isso não tem nada a ver com romance ou namoros. – A moça sorriu suavemente. – Já sei onde você vai chegar com essa conversa.

- Nossa que falta de romantismo. – Ela torceu a boca descontraída. – Namorar um cara que transa bem é muito bom tá!

- Sim, é o CEU! Mas não é este o caso agora. – Flor se levantou, e gesticulou com as mãos. – O caso é como eles se comportam com as mulheres, em tempos que sabemos diferenciar quando uma transa é boa ou ruim.

- Entendi, gostei disso. – Milla sorriu. – Podemos falar disso com alguma propriedade. - Mas continuo gostando dos que tem um grande “potencial”.

- Eu também acho que quando maior pode ser mais divertido, por que se o cara não mandar muito bem no resto, pelo menos dá pra falar de alguma sensação né. – Isadora se divertiu.

- Dor também é sensação ta gente! – Isabela se levantou. – Essa conversa ta me dando arrepios.

- Eu acho que é relativo. – Flor se intrometeu. – Eu já transei com um cara que tinha o pinto pequeno e não era grosso. - Ela riu descontroladamente. – Mas ele mandava super bem, sai com ele várias vezes, era muito bom. – Ela fez cara de prazer. – Acho que vou ver se ele ainda esta na minha lista de contatos.  

- Então quer dizer que estes caras super bombados não funcionam bem? – Disse Isadora. – Pensei que fosse lenda.

- Comigo não rolou. Mas pode ser que funcione. – Disse Flor.

- Para o sexo ser bacana, acho que ser tudo na medida, tamanho, química e pegada, e o Paulão não se importar com nada disso é mega decepcionante. Aff, já que vai fazer que faça direito neh. – Disse Isadora com as mãos na cintura.

 – Que chato, colocar uma lingerie nova, roupa, se preparar toda pra não sentir uma gotinha de prazer. Muito babaca. – Milla Cruzou os braços.  

 Flor se levantou e pegou o celular. E em seguida voltou decepcionada.

- O que foi Flor, por que fez esta cara?  - Perguntou Isadora. – Não me diga que esta preocupada se o Paulão te ligou.

- Imagina, quem iria querer viver aquele horror de novo? – Ela ficou pensativa. – E... Duvido que ele fale comigo de novo, sé se fosse bem resolvido. – Ela revirou os olhos. – O que é difícil para homens desse tipo.

- Mas o que você fez pra ele? - Disse Milla.

- Nada demais, mas acho que ele não gostou muito. Eu tinha levado os meus brinquedinhos, e ele não quis nem olhar. Então depois que ele parou e me deixou na vontade eu fui ao banheiro, e disse a ele que sentiria prazer sozinha. – Flor olhou pra amiga com cara de safada.

- Você não fez isso sua louca?

 As três gritaram com os olhos esbugalhados.

- E por que eu não faria? Ele ficou bravo, mas a esta hora já estava sem força pra qualquer coisa, pediu pra eu esperar um pouco, mas eu estava cansada. Varias marcas roxas!

- Você enlouqueceu. – Afirmou Isadora com a boca aberta.

- Ele ficou tanto tempo agindo como se estivesse competindo que se esqueceu do mais importante, interagir. – Flor deu de ombros. 

- Você tem razão! – Milla gaguejou. – Ele mereceu.

- Assim, quem sabe quando ele sair com outra garota aprenda a ouvir e se importar, sexo é troca de prazer. – Flor levantou o copo em brinde.

- Verdade. – Riu Isadora. – Mas acho que pro Paulão só uma coisa ajuda.

- O que? – Disse Flor.

- Que tirem todos os espelhos do motel!





Texto: Grazy Nazario.


Não é só no circo que tem palhaço

  Flor chega em casa furiosa. Joga a bolsa no sofá, bebe água e olha o celular. Percebe que tem pelo menos dez mensagens. Ignora todas e b...