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sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Prostituta de luxo - Crônicas do dia a dia



Isadora e Milla se encontraram com Flor.
- Oi amiga. Te liguei e você não me atendeu. Não íamos pra academia juntas? – Disse Milla.
- Sim. – Respondeu Flor pensativa. – É que eu estava numa ligação, por isso não atendi naquela hora.
- O que você tem? Tá aluada. – Perguntou Isadora.
- Sei lá, uma coisa estranha.
- O que foi?
- Se lembram do Adamastor?
- Claro né Flor, com este nome! – Isadora gargalhou.
- Não é aquele tiozinho que queria sair com você? – Disse Milla.
- Mais ou menos. O amigo dele que me convidou pra jantar algumas vezes.
- Sei... – Resmungou Isadora. – De qualquer jeito os dois são velhos pra você.
- Sim. Mas o Adamastor nem tem intimidade comigo, e hoje me ligou pra me fazer uma proposta bizarra.
- Shiiii! Que proposta?- Disse Isadora.
- Ele me perguntou como estava o meu dia, se eu estava muito ocupada. Eu respondi que nada especial, mas por que ele queria saber.
- Ai ai ai – Resmungou Milla.
- Ai que veio a loucura. Ele me disse que tinha um amigo dele de passagem na cidade, e que ele estava ocupado resolvendo coisas familiares e não conseguiria dar atenção pro cara, mas que pensou em mim como a companhia perfeita.
- Como assim Flor! Guia turístico? – Disse Milla rindo.
- Acho que sim. Flor riu. – Ele perguntou se eu conhecia bem a noite paulistana.
- Entendi, tipo uma prostituta de luxo? – Gritou Isadora.
- Você não foi né amiga! – Disse Milla.
- Claro que não! Não conheço o cara.
- Ufa!
- Você acha que ele me chamou de prostituta? – Flor disse pensativa.
- Logico Flor!
- Eu não pensei nisso na hora. – Flor fechou o cenho.
- E você respondeu o que pra ele? – Perguntou Isadora. - Vamos avaliar as intenções dele.
- Eu disse que não podia ir porque estava ocupada, e não conhecia a pessoa, e isso era estranho.
- E ele? – Perguntou Milla curiosa.
- Falou pra eu não me preocupar por que o cara era “gente boa”, e que ainda por cima era “mão aberta”!
- O que? – Gritou Isadora furiosa. - Que cara de pau! Como você é lerda Flor! Este cara merecia umas bolsadas na cara pra ficar esperto. 
- Mas foi por telefone! – Flor riu sem jeito.
- Sua tonta! Merecia bolsadas assim mesmo! Se você quisesse se prostituir era problema seu, mas ficar te oferecendo este velho babão!
- Que cara nojento amiga. – Milla resmungou. – Estes caras perderam a noção, confundem educação com liberdade, e libertinagem! É incrível a cara de pau desse cara.
- E o pior é que a Flor perde a oportunidade de xingar um nojento desses!
- Ah cretino! Pensando por este lado você tem razão Isadora. Ele tava com um ton sacana, deu umas risadinhas... Pensa que por que to solteira, to disponível pra agradar qualquer um! Até parece que vou me vender por um jantar. – Flor revirou os olhos. – Eu trabalho pra pagar por isso. Ta vendo por que não querem a emancipação feminina?!
- Flor, mas você precisa melhorar essa percepção neh, ou será que o cara vai precisar dizer: quanto é o programa? Pra você se ligar!
- Nunca eu ia imaginar isso. O cara me conhece do trabalho!
- Mas deveria! – Disse Milla. Eu não sei como você não foi, só pra não desagradar o cara!
- Ele merece umas vassouradas! Te juro. – Disse Isadora.
- To sem acreditar como fui ingênua, deveria ter brigado com ele, pra não fazer isso nunca mais com ninguém!
- Agora já foi Flor, também não precisa se torturar com isso. – Disse Milla.
- Se fosse eu já tinha ligado e falado uns desaforos! – Disse Isadora.
Flor pegou o celular.
- O que você esta fazendo gata? – Perguntou Milla.
Em seguida o telefone de Flor tocou.
- Oi Adamastor, to bem sim. Não quero saber da proposta não. Só te liguei pra dizer umas coisas. É que naquela hora estava dirigindo e não consegui raciocinar direito. Eu não sou prostituta, e se fosse nem você ou seu amigo não teriam dinheiro pra pagar.
Isadora e Milla se olharam espantadas com cara de riso.
- Sairia de graça com quem eu tenho vontade, mas ser educada com você não quer dizer que te dou este tipo de liberdade.
Flor ficou em silencio ouvindo o que o homem dizia.
- Eu não entendi nada errado, não sou guia turístico também, mal te conheço, nem este cara. – Flor começou a ficar vermelha.
- Chega Flor! – Milla bateu as mãos na frente da amiga. Flor continuou a falar as mesmas coisas. Isadora também começou a abanar as mãos.
Flor desligou o telefone.
- Pronto, agora vou dormir tranquila. – Ela respirou. - E ele nunca mais vai fazer isso com ninguém!
e- Você é louca amiga, ta parecendo adolescente que não sabe o que dizer na hora, e depois quer voltar a briga. – Milla gargalhou.
- Ta certo menina, não dava pra dormir com isso na garganta! – Disse Isadora.
- Flor, me lembrei de uma coisa, este cara não é aquele que vai trabalhar com você no projeto daquela empresa?
- Sim. – Flor respondeu sem graça. – Ele mesmo.
- Mulher, to achando que você exagerou. – Disse Milla. – Vocês vão trabalhar juntos!
As três amigas se olharam.
Flor ficou pensativa.
- Que nada! – Flor gargalhou. - Ele que fique esperto, ou abro um processo por assedio!



Texto: Grazy Nazario. 

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Crônicas do dia a dia - Sogra briguenta


- Meninas eu tive uma briga feia com meu filho! – Gritou Isadora.
- É normal brigar com os filhos. – Bella gritou da cozinha. – Larga de tanta aflição.
- O problema é brigar por que ele ta namorando. – Isadora pigarreou. – E briguei também com a namorada dele.
- Não me diga que você é daquelas mães que se sentem dona da vida do filho. – Disse Flor. – Você tem vida própria, pelo amor!
- Você fala isso por que não tem filhos Flor, o Matheus ta saindo com uma menina pavorosa. É uma safada!
Milla gargalhou.
- Por que você ta xingando a menina? Já vi tudo, é a velha rixa entre sogra e nora!
- Só pode ser isso! – Flor confirmou.
- Não é nada de rixa! A menina não sabe o que quer, uma hora namora e outra termina, tem um ex-namorado que fica perturbando... A cretina fica fazendo meu filho de idiota.
- Mas isso é normal né Isadora, são adolescentes! – Bela se sentou no sofá.
- Não acho normal não, se quer assumir compromisso que saiba o que ta fazendo.
- Nossa você vai querer casar eles quando mesmo?! – Flor gargalhou.
Isadora se enfureceu e colocou as mãos na cintura.
- Esta menina é uma safada, sem vergonha, pra não dizer uma vagabunda de beira de esquina!
- Êpa! Pera ai. – Bela se levantou. - Então todas nós somos tudo isso, inclusive você! Quando você aponta o dedo pra uma mulher, ele ta apontado pra você também.
- Calma Bela, a menina também não é santa. – Disse Milla.
- Ninguém é! – Gritou Flor. – Eu tô com a Bela. Se for assim nenhuma de nós presta.
- O seu filho esta conhecendo pessoas, como ela. – Bela disse com calma.
- Mas então por que querer se comprometer e ficar toda hora terminando e de rolo com o ex? – Milla Cruzou os braços.
- Cada um tem um jeito. Se o seu Matheus não tá curtindo o que ela ta fazendo que saia fora, que namore outra. Tod@s ficamos confus@s as vezes.
- Até parece que é fácil assim neh. – Isadora fechou o cenho. - Tô com pena do meu filho, coitado.
- Mas todo mundo sofre por amor Isadora, isso é normal. – Flor suspirou. Esta se preocupando a toa.
- Sofrimento é ouvir as suas falas machistas. – Bela cruzou os braços. - Imagine se o Matheus fosse uma menina!
- Ia ser terrível também. – Isadora grunhiu. – Mas mulher quando quer mandar...
- Homem bate, humilha, faz de tudo quando quer mandar também. – Flor insistiu.
- Mesmo assim...
- Não tem isso Isadora, as mulheres conquistaram certa independência, mas as questões machistas são muito fortes. – Bela olhou pra amiga. - E você ficar falando que a menina que o seu filho ta saindo é vagabunda, por estar indecisa ou conhecendo pessoas, como ele também faz, não ajuda em nada.
Isadora ficou quieta, com os olhos arregalados.
- Não tinha pensado por este lado.
- É que a gente costuma olhar só o nosso lado. – Disse Flor.
- Flor você não tem filhos, não entende como é difícil esta fase.
- Eu não preciso ter filhos Isadora, eu tenho a mim, as minhas experiências, de amigos, sabemos que às vezes o amor não bate com a pessoa que a gente quer, ou estamos em vibes diferentes, daí sempre tem alguém que se machuca. Relações são difíceis, isso não é segredo.
- Isso é verdade. – Disse Milla.
- Não sei nem o que dizer. – Isadora suspirou. – Pelos filhos a gente fica cega. O que eu tô falando não tem nada a ver mesmo. – Ela suspirou.
- Eu sei que você não é má pessoa, e que ta querendo defender o seu filho. Mas eles precisam aprender a se defender sem colocar a culpa em ninguém.
- E a culpa sempre é da mulher né! – Flor bufou. – Isso cansa. Meninas também querem se divertir, tipo como nós também fazemos e meninos sempre fizeram.  
- E isso não quer dizer que não fazemos umas palhaçadas as vezes, todo mundo faz! – Disse Bela. - Somos humanas.
- É claro que erra, todo mundo pisa na bola as vezes. Então diga que ela é mau caráter, traíra, ou infeliz... Fala do que ela fez e não pelo gênero. Isso é horrível!
- Isso não adianta nada Bela. – Milla revirou os olhos. – Nada a ver não xingar a pessoa do jeito que a gente quer, estamos acostumadas a falar essas coisas, na hora do nervoso sai.
- É só desacostumar ueh! Ninguém nasceu dizendo isso. Aprender outras coisas faz bem, evolui!
- Nós mudamos aos poucos, outras pessoas também. Assim as crianças não veem nada disso e não repetem. Quando vai ver, daqui a 400 anos vai estar praticamente extinto xingar uma mulher de vagabunda, puta ou qualquer coisa dessas.
- Sim, vagabunda só se ela não trabalhar. – Flor gargalhou.
- Vocês estão certas meninas. – Isadora suspirou. – Fiquei até com vergonha agora.
- Bom é você ver que este não é o caminho. - Disse Bela. - Eu sei falando de filhos é difícil controlar. Eu fico preocupada com a Julia também, e ela só tem 12 anos, mas quando começar a namorar não vai ser fácil.
- Eu sei, vou pensar mais nisso que você disse. – Isadora quis chorar. - Mas continuo preocupada, eu vi o meu filho chorando tanto, fiquei morrendo de dó! Acho que ele nunca mais vai ficar normal de novo ou vai demorar muito. Já faz uma semana que ele tá mal.
- Isso passa, todo mundo já chorou por isso. – Disse Flor olhando as unhas.
- Logo ele vai ficar bem. – Disse Milla. – Eu sei bem o que é isso. – Ela riu.
- Quando isso passar vou comemorar. Nem que seja com beijinho e brigadeiro, por que é digno de uma festa!
A porta abriu.
Matheus entrou em casa cantarolando.
As quatro meninas pararam de falar e se olharam.
- O que você tem? – Isadora colocou a mão na testa do filho. – Você estava chorando feito uma criança ontem a noite.
- Eu to bem mãe.
- E a Aninha? Vocês estão bem?
- Mais ou menos. – Disse Matheus. - Ah mãe eu to falando com a Flavinha, a menina é mó gente boa. A gente ta marcando de ir no cinema amanhã.
Isadora arregalou os olhos.  
- Entendi filho.
Na cozinha Isadora abriu a geladeira.
- Meninas, alguém quer bolo de chocolate!? - Isadora gargalhou. 

Texto: Grazy Nazario.





sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Cronicas do dia a dia - Conversa de Whatssap

Flor conversava empolgada no telefone quando Milla chegou com Isadora.

- Esta pronta pra baladinha? – Perguntou Milla, sem esperar que a amiga desligasse.

Flor só balançou a cabeça que sim.

- Custa esperar eu terminar de combinar o rolê  com o boy,  Milla? – Perguntou Flor.

- Como assim rolê com o boy? Nós não vamos sair hoje? – Perguntou Isadora.

- Vamos sim, mas eu chamei ele pra ir junto.

- Ele quem? - Perguntou Milla.

- O Marcinho ueh! 

- Ainda este cara? – Milla disse sarcástica. – Isso vai dar namoro.

- Acho que sim. – Flor riu.

- Eu não to ouvindo isso! – Gritou Isadora animada.

- Nossa gente! vocês não sabem o que querem mesmo! – Flor bufou. – Se falo que não quero namorar reclamam, se eu vou namorar ficam fazendo escândalo.

- Ta bom. – Milla gargalhou. – É que é engraçado, você nunca quer falar desse assunto.

- Vamos logo pra este rolê, por favor. Chega de falar disso. – Disse Flor enquanto se ajeitava pra sair.

As amigas chegaram no bar. Flor foi se encontrar com o rapaz enquanto as amigas sentaram numa mesa. O bar começou a encher e logo as amigas se perderam de vista.

 Mais tarde Flor foi até as amigas.

- Preciso ir embora. É urgente!

- Eita,  cadê o boy? - Perguntou Milla.

- Depois eu explico. Vamos antes que ele venha atrás de nós.


Isadora e Milla se assustaram, agarraram no braço da Flor e saíram.

Em casa, Isadora e Milla  pediram mais explicações para Flor.

- Espera ai Flor. Você está  dizendo que o cara que você disse que queria namorar, leu todas as suas conversas do whatsap sem a sua autorização? - Perguntou Isadora.

- Isso. - Respondeu Flor desanimada.

- E foi botar moral em você no meio da baladinha? - Isadora pôs a mão na cintura. - Os caras perderam a noção, só pode!

- Mas como você deixou isso acontecer? - Milla revirou os olhos irritada.

- Eu não deixei Milla, ele olhou escondido enquanto eu tomava banho. Eu nunca ia mostrar as minhas conversas.

- Mas como você deixou o seu celular desprotegido?! Você tem que levar o celular até no banheiro sua louca! – Disse Isadora.

- Mas ele é que foi desonesto!

- Tudo bem, mas você se descuidou. Até eu sei que o seu celular desbloqueia fazendo um F.

- É verdade. – Disse Milla levantando a mão. – Eu também sei que a senha é esta.

Flor bufou.

- Ta, mas o que ele viu? – Milla riu. – Tinha alguma coisa comprometedora?

- Varias neh! Eu tô solteira gente. Tenho meus contatinhos, os caras investem e eu fico conversando. Além de ter falado sobre ele com vocês quando o sexo não era muito bom... E coisas que a gente conversa na intimidade! 

- Vixi! – Isadora pôs a mão na cabeça. – Ai deu ruim.

- Você também não aquieta esse facho, né Flor.

- A minha agenda é cheia mesmo, eu ainda não estava namorando com ele. Bom que não dispensei ninguém bacana!  

- Nossa que mancada, o coitado deve ta se sentindo traído!

- Milla! – Isadora e Flor gritaram juntas.

- Ele não é um coitado. – Gritou Isadora. – Ele invadiu a privacidade da Flor, expôs a vida dela e não respeitou as decisões dela. Que tipo de namorado este cara seria?

- Você ta certa Isadora. – Resmungou Flor. – Ele foi muito canalha de fazer isso. Eu não tenho vergonha de nada que estava lá, ele é que tem que ter e não falar comigo nunca mais!

- Imagina se você olhasse o celular dele, podia ter de tudo lá também, ele  não é santo.
Se esta desconfiado deve estar devendo! - Resmungou Isadora.

- Claro que sim!

- Caramba gente! Pensei que a Flor ia desencantar e namorar o cara, vocês formavam um casal tão bonitinho! - Disse Milla.

- Namorar pra isso, prefiro ficar sozinha! Se esta assim sem namoro, quando namorar vai querer fazer inspeção no celular todos os dias.

- Verdade, relação sem confiança não tem condições.

- Eu estava gostando dele, mas é só parar! - Flor riu.- Vou ficar de boa e sem confusão.

Flor levantou.

- Vou pegar uma cerveja.

Flor voltou  com três long neck.

- Vamos beber, por que depois dessa... - Disse Isadora. 

- Não fica triste Flor. – Disse Milla. – Você  pensa em perdoar isso? 

- Não! - Flor esbravejou. - Isso não é pra perdão.

- Ah... Eu queria ver você namorando! - Milla riu.

- Chega desse assunto Milla. - Disse Isadora. - Vamos tentar terminar esta noite deixando a Flor mais calma.

- Do jeito que a Flor é, logo vai sair com o Gustavo. Ele ta te chamando para um programa dez, semana que vem. Fazer o que né!

- Pera ai ! - Disse Flor olhando as mensagens no celular. - Como você sabe dessas coisas.

Milla gargalhou.

- Você ainda não mudou a letra F!

- Cachorra!

- Muda logo esta senha, que até o seu gato já sabe! - Isadora gargalhou.

- Não! Vou comprar um celular que desbloqueia com a digital. Sua curiosa e incherida!

- É brincadeira. Mas ta vendo como você é desligada?

- Eu vou usar números! - Disse Flor.

- Boa ideia. – Milla riu. – Só não usa a data do seu aniversário por que todas as suas senhas de banco já estão com este número.

Todas se olharam e riram! 


Texto: Grazy Nazario.








sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Relacionamento sério - Cronicas do dia a dia


- Amiga dessa vez eu tenho certeza que vai! – Disse Milla ao se jogar no sofá com o celular na mão. – Ele é demais!

- Vai aonde Milla? – Disse Flor enquanto olhava as unhas.

- Como assim aonde louca. Vamos namorar ueh, relacionamento sério. – Ela riu – Já ouviu falar disso?

- Olha. – Flor pôs a mão no queixo. – Faz tempo que não sei o que é isso, e realmente não to muito afim de saber.

- Para de ser chata! Não começa com sua implicância com relacionamentos. – Milla se sentou e pôs a mão na cintura.

- Não é implicância, é que é sempre a mesma coisa. – Flor bufou. – Eu tô cansada disso.

- Sei que ta cansada, mas toda hora ta com boy novo.

- Sim. Uma coisa é uma coisa... Não tem nada a ver uma coisa com outra. – Flor riu.
Isadora chegou com três long neck.

- Eu não vou beber. – Gritou Milla. – Vou encontrar meu crush novo, não quero ta com bafo de cerveja.

Isadora gargalhou.

- Entendi. Ai ele chega caindo de bêbado.

- Vira esta boca pra lá Isadora! – Gritou Milla. – To achando que meus relacionamentos não andam por isso...

- É muita energia ruim neh Milla? – Flor ironizou.

- Isso mesmo. – Milla ergueu o queixo.

- Energia ruim o que garota. – Isadora abriu a cerveja. – Vai ficar deixando de beber pra agradar a quem? Daqui a pouco não vai mais poder sair com a gente, nem conversar.

- Eu nunca disse isso! – Milla disse irritada.

- Mas nem precisa dizer né Milla. – Flor deu um gole na cerveja. – Se você não toma uma cerveja enquanto estão ficando, imagina quando o namoro firmar.

- Se é que firma né, porque a Milla não é fácil. – Resmungou Isadora.

- Para gente! Pelo amor. – Milla se irritou. – Que torcida contra.

- Não é torcida contra, mas dizer que não vai beber uma cerveja com a gente porque vai encontrar um cara que conheceu ontem. – Flor revirou os olhos. – Escova os dentes né!

- Eu não quero cerveja hoje, só isso. To nervosa. – Milla suspirou. – Logo vou me arrumar e encontrar ele. - Ela fez olhos de apaixonada.

- Você ta empolgada mesmo! – Isadora riu. – Que bom, só não queira fazer tudo ao mesmo tempo ta, deixa rolar.

- Mas eu não sou assim, quem vê você falando pensa que eu sufoco as pessoas. – Respondeu Milla irritada.

Flor pigarreou.

- Só as vezes.  – Isadora tossiu.

- Gente, eu não quero ter DR não ta, só quero sair com um carinha e ficar de boa.

- Entendi, mas não fala de casamento, promete? – Pediu Flor.

- Lógico que não louca! – Ela riu. – De onde você tirou esta ideia Flor?

- Do ultimo encontro, aquele com o Renato que você disse “nas entrelinhas” que queria que ele fosse o pai dos seus filhos.

Milla sorriu sem jeito.

- Aquilo foi um erro de percurso, eu não faria isso de novo. - Ela suspirou.

Isadora gargalhou.

- Conta outra garota. Você é obcecada por casamento.

Milla arregalou os olhos.

- Isso é exagero seu. Eu só não nego que quero me casar. Pensa comigo eu já tenho 33, até eu casar 34, viver um pouco a vida de casada 35 e depois ter um filho 36, quase 37. Serei como avó do meu próprio filho. – Ela pôs as duas mãos no rosto.

- Nossa, que matemática louca! Por que a vida da gente deve ser toda programada assim? – Disse Flor  – Fiquei tonta aqui.

- Você diz isso por que já decidiu que não quer filhos, e já viveu com uma pessoa. Já cansou de dizer que não quer mais viver isso... – Respondeu Milla.

- Você não sabe o que eu quero, principalmente por que nem eu sei. – Flor arregalou os olhos e afirmou com a cabeça.

- Milla, a Flor tem razão, você faz muitas contas. – Isadora bebeu dois goles de cerveja. – Deixe ser natural.

- Você também não pode dizer nada Isadora. Já se casou e tem o seu filho, eu quero viver essas coisas, será que posso?

- Que coisas? – Flor insistiu. - Que papo louco, você ta brisando. – Ela gargalhou. – Isadora, você conta ou eu conto?

Ambas começaram a gargalhar.

- Obrigada por me deixarem de fora dessa diversão. – Disse Milla emburrada.

- Não é isso gata! – É que você fala como se o casamento fosse a melhor coisa do mundo, e esta longe de ser. – Isadora riu. – Chega a ser engraçado o jeito como você fala.

- Eu sei que não é a única coisa pra se fazer da própria vida, mas eu quero fazer isso.

- Que bom! Pelo menos isso você sabe que existem mais coisas a fazer! – Disse Isadora.

- Ta legal, não tem como a gente interferir nisso. – Flor se intrometeu. – É uma escolha sua. Mas será engraçado depois que você dividir com a gente a sua experiência, por que eu vou dizer: Eu te avisei!

- Engraçadinha. – Milla mostrou a língua. – Eu sei que não são tudo flores.

- São poucas flores, na verdade. – Isadora resmungou.

- Gente, eu preciso falar com pessoas que gostem do casamento. – Milla bufou. - Vocês estão muito negativas com este assunto.  

- Você tem razão Milla. – Isadora disse seria. – Não é por que eu não me dei bem com o pai do meu filho que você necessariamente não viva um bom casamento, e pode ser que viva além dos sete anos que fiquei casada.

- Verdade. – Flor suspirou. – E mesmo que vocês se separem como aconteceu com nós duas. O que vale são os bons momentos, nada precisa ser pra sempre, nem a vida é eterna, por que o casamento precisa ser? – Ela sorriu delicadamente.

- Credo! Eu nem casei e vocês já estão fazendo o meu divorcio. É inacreditável.

As amigas riram contidas, enquanto Milla foi ao banheiro.

- Desculpa amiga. – Disseram Flor, e Isadora na sequencia.

- A gente só se preocupa com você. – Disse Isadora.

- Pense primeiro num namoro legal, divertido, ou sei la. – Disse Flor. - Não deixa essas formalidades ser maior que as coisas importantes entre as pessoas, o relacionamento em si.

- Eu não to mais na pilha. – Milla respondeu desanimada. – Eu só não escondo que tenho esta intenção.

- Ta ok. Isso nós já entendemos. – Respondeu Flor.  – Não vamos mais falar nada contra. Vai encontrar seu futuro noivo e marido vai. Ficaremos aqui na torcida.

- Não vou mais. – Respondeu Milla.

- Não fala assim que me sinto culpada! – Berrou Isadora.

- Ele desmarcou. – Ela pôs a boca de lado. – O filho dele teve um problema e ele teve que cancelar.

- Nossa que pena! – Disse Flor sem graça. – Depois vocês remarcam...

- Sim. – Disse Milla. – Simbora organizar a viagem de amanhã. – Ela esfregou as mãos com animação. – Com este sol vai dar praia.

Flor e Isadora se olharam, e depois pra Milla.

- Não me olhem assim.

- Você não vai dizer nada?  - Perguntou Isadora.

- Passa a cerveja! - Disse Milla.

– Ta na mão! -  Elas gargalharam.




Texto: Grazy Nazario.

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sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Disputa Saudável - Cronicas do dia a dia


Isadora pulou com grande impulso e levantou a bola na frente da rede. Bela veio correndo do fundo da quadra, saltou duas vezes o seu tamanho e desceu o braço na bola, acertou a cortada na quadra adversária fazendo um ponto espetacular.
- Ual! - Todas gritaram juntas e comemoraram.
- Que ponto, Bela! – Berrou Isadora.
- É a sua vez Flor.

Flor se preparou para fazer o saque, reparou quando uma moça alta e forte entrou na quadra e se distraiu.

- Anda Flor! – Gritou Milla.

Flor sacou e colocou a bola pra fora da quadra.

Depois do ponto perdido Flor se desconcentrou, perdeu a empolgação e pediu pra sair da quadra. Outra amiga do time a substituiu. Flor continuou no banco até o fim do jogo.

- Flor pode parar. - Gritou Isadora no vestiário. – Por que você saiu no meio do jogo?

- Nada. – Ela resmungou. – Você sabe que prefiro futebol.

- Para de mentir Flor. – Milla retrucou. – Você mudou a cara quando viu a Roberta.

- Não tem nada a ver com a Roberta.

- Não precisa muito pra saber que você não gostou de ver ela na quadra. – Bela suspirou - Você voltou a sair com o namorado dela?

- Voltou não né, nunca parou você quis dizer. – Disse Milla.

- Para com este assunto gente, eu nunca mais vi o Pedro.

- Eu já falei pra não ficar dando moral pra cara com namorada. – Disse Isadora. – Curtiu um lance, se divertiu, sai fora. Você sabe que este cara é um babaca.

- Ele é idiota, só é bom de cama. – Flor riu sem jeito. – Mas to de saco cheio dele. – A gente só sai quando ele pode ou quer, quando sou eu que sugiro ele fica de enrolação.

- Eu sei, já vi este filme antes. – Milla juntou as coisas na sua mochila. – Você diz que não vai mais sair, mas ele liga e você vai.
- Da ultima vez fui por que não tava fazendo nada. - Ela riu. 
- Então não reclama depois. 
Flor emburrou. Roberta entrou no vestiário no mesmo instante com mais duas amigas e se posicionaram na frente de Flor,  as três de braços cruzados.

- Boa noite. – Disse Roberta. – E ai Flor, tudo beleza? – Disse ela com a voz firme.

Flor empalideceu, esticou seus ombros estreitos, enquanto se levantava mantendo a postura pra se sentir forte. Seu coração começou a acelerar feito louco.

- To de boa. 

As amigas se posicionaram atrás de Flor. Se sentiram no jogo do mortal kombat se preparando para a luta.

- Tem visto o Pedro? – Perguntou Roberta.

Flor ficou muda com o coração saltando e as mãos tremendo.

- Faz tempo que não. – Ela respondeu sem olhar a cara da moça.

- Sei... Tipo antes de ontem né.

- Olha, vou te falar a verdade, eu vi ele há uns dias atrás sim. – Flor levantou a cabeça.

- Eu sei, ele me contou. Nós terminamos. – Disse Roberta com a voz ríspida.
- E veio aqui pra que?
- Eu vim pra te contar a novidade, pode ficar com ele todo pra você. – Roberta cruzou os braços. – Vamos voltar com tudo no time de vôlei, vamos ter boas disputas nos próximos jogos. 
- Legal você voltar as suas atividades neh, bom era nunca ter saído. Mas eu não quero o seu namorado não. – Flor riu sem jeito.
- Tu só queria sarrar neh! – Roberta respondeu irônica.

Flor ficou em silencio, pensou que uma só palavra seria o bastante pra explodir uma guerra no vestiário.

- Calma gente! – Gritou Isadora. – Vamos com calma ai! Vocês não vão brigar por conta de macho não.

- Eu não quero brigar. Mas você sabe que essa mina é fura olho né Isadora?

- A minha amiga pode não ta toda certa, mas quem ta errado mesmo é o tal do Pedro que deve ta tirando onda com outra menina agora, enquanto as duas tontas então brigando no vestiário.

- Nisso você tem razão. – Disse Flor. Enquanto olhava Roberta e pensava “some daqui louca”.

Roberta ficou parada olhando Flor, medindo sua estatura como se pensasse por onde começar a picotar a rival. Passaram-se trinta segundos como se fossem dez minutos.

- Verdade. – Roberta resmungou. – Eu não vou brigar com você, se eu for bater em todas com quem ele me traiu não faço mais nada da vida. 
Flor percebeu as amigas relaxarem da posição de “briga”.
- Bem a cara dele! - Resmungou Flor.
- Vou seguir o conselho da Isadora, não vou perder o meu tempo. – Roberta esticou a mão. – Deixa isso pra lá.

Flor pensativa olhou a mão de Roberta esticada. Roberta puxou com força o braço de Flor, rodou o seu corpo como um boneco de pano até jogar seus 58 quilos no fundo do vestiário fazendo um barulho de explosão. Flor se assustou, seu corpo sobressaltou e ela “acordou” da sua cena espetacular.
  - Claro.  – Flor esticou a mão e olhou para a antiga rival. – Desculpa qualquer coisa.

- Vamos Roberta. – Disse uma das amigas dela. – Precisamos treinar, o campeonato ta chagando.  

- Se inscrevam no campeonato, vamos competir em coisas saudáveis – Ela riu. E em seguida saiu junto com as amigas atrás.

- Meu Deus! – Pensei que a gente ia levar uma surra Flor. – Disse Milla nervosa ao voltar da porta do vestiário, e ter certeza de que as meninas tinham ido embora.

- Caramba Flor. Dessa vez você quase se ferrou, e ferrou a gente junto! – Disse Bela preocupada. – Não brinca com essas coisas. Essas mina desse tamanho. – Ela arregalou os olhos. – A gente ia apanhar feio.

- Eu não entendi nada, pensei que ela fosse bater na gente. – Resmungou Flor. – To me cagando aqui.

-Vê se aprende agora. – Retrucou Isadora.

- Eu vou excluir o numero dele, mas não por ela, quem tem que saber se a relação ta boa não sou eu. Vou excluir por que ele é um cretino!

- E porque você é medrosa! – Milla gargalhou. - Vai que eles voltam o namoro e ela resolve te bater de verdade.
Todas riram.   

- Eu odeio brigas gente, já pensou quebrar uma unha por conta de um idiota daqueles!
- Vamos esperar cenas dos próximos capítulos. - Bela Riu. - Por que jogar contra essas minas nessa gana de jogo não vai ser fácil. 


Texto: Grazy Nazario.






quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Prazer sem tamanho - Crônicas do dia a dia



- Meninas, ontem enfim sai com o Paulão! – Disse Flor empolgada.

- Ebaaaaa! – Milla falou ao correr pela sala da amiga. – Até que enfim! – Ela bateu palmas.

- Me conta tudo sua maníaca sexual. – Exigiu Isadora enquanto saboreava sua marguerita. – Ela riu. – Conta logo, ele mandou bem?

- Vamos Flor, pare de matar a gente de curiosidade. – Isabela sentou no sofá e fixou os olhos na amiga. – Quero saber dos detalhes sórdidos.

- Vocês nem imaginam. – Ela torceu o lábio, e balançou a cabeça. – Foi uma decepção.

- Como assim amiga, com aquele bíceps e tanquinho! – Retrucou Milla. – Você ta brincando.

- Lógico que eu não ia brincar com isso Milla, o cara foi horrível!

- Mas o que aconteceu? Vocês não se sentiram á vontade um com o outro, ou não rolou química mesmo? – Perguntou Isabela.

- Já sei! Ele tem o pinto pequeno! – Isadora gargalhou.

- Até que não, o instrumento dele tem um tamanho bom. – Flor riu. – É que ele não sabe usar mesmo, ficou se olhando no espelho o tempo todo, colocando uma força nada a ver, parecia que estava na academia puxando ferro, o cara foi um mala.

- Meu Deus!  Tanta demora e suspense ele fez, e o cara é sem noção!? Aposto que não se preocupou com seu prazer. – Milla cruzou os braços emburrada.

- Gata, ele se preocupou com o espelho. – Flor bebeu cerveja. – Garanto que não tem nada a ver com o tamanho, ele não sabe usar mesmo.

- Como assim, vai dizer que você acha que tamanho não é documento?- Perguntou Isadora.
- Eu acho que é documento sim. – Gritou Milla. – Gosto de um documento grande e bem apresentável.

- Eu não concordo. – Disse Isabela. – Posso dizer que o mais importante é se entenderem nas preliminares, posições e no tempo certo.

- Você só namorou dois caras Isabela, e não transou com muitos além deles. – Milla se intrometeu.

- E o que isso tem a ver Milla? – Disse Isabela

- Ué, que você não te muito parâmetro. – Milla riu.

- Calma gente, eu concordo com a Isabela. – Flor se jogou no sofá. – Tamanho não é o mais importante. Mas eu compro do tamanho que eu quero na lojinha! – Ela gargalhou.

- Mas tem a sua importância, se fosse assim ninguém queria sexo com penetração, ficariam sós nas preliminares e tava linda! – Milla insistiu.

- Eu já namorei um japonês. – Gritou Isabela. – E o dele tinha um tamanho normal.

- Ta, mas ele mandava bem? – Perguntou Isadora.

- Não! – Isabela gargalhou. – Caraca, a gente ta mal hein!

- Eu já fiquei com negão, e o tamanho “super” é lenda, mas ele foi bacana. – Disse Isadora.

- Eu já sai com um super dotado! – Milla gargalhou. – Foi maravilhoso. – Mas ele se achava muito, ficou me dando canseira pra sair de novo. – Ela revirou os olhos. – Estes caras são folgados...

- Para Milla! – interrompeu Flor.

- Eu não ia dizer nada demais. – Milla fez cara de desentendida.


– Estamos falando de tamanho de pinto e performance sexual, e isso não tem nada a ver com romance ou namoros. – A moça sorriu suavemente. – Já sei onde você vai chegar com essa conversa.

- Nossa que falta de romantismo. – Ela torceu a boca descontraída. – Namorar um cara que transa bem é muito bom tá!

- Sim, é o CEU! Mas não é este o caso agora. – Flor se levantou, e gesticulou com as mãos. – O caso é como eles se comportam com as mulheres, em tempos que sabemos diferenciar quando uma transa é boa ou ruim.

- Entendi, gostei disso. – Milla sorriu. – Podemos falar disso com alguma propriedade. - Mas continuo gostando dos que tem um grande “potencial”.

- Eu também acho que quando maior pode ser mais divertido, por que se o cara não mandar muito bem no resto, pelo menos dá pra falar de alguma sensação né. – Isadora se divertiu.

- Dor também é sensação ta gente! – Isabela se levantou. – Essa conversa ta me dando arrepios.

- Eu acho que é relativo. – Flor se intrometeu. – Eu já transei com um cara que tinha o pinto pequeno e não era grosso. - Ela riu descontroladamente. – Mas ele mandava super bem, sai com ele várias vezes, era muito bom. – Ela fez cara de prazer. – Acho que vou ver se ele ainda esta na minha lista de contatos.  

- Então quer dizer que estes caras super bombados não funcionam bem? – Disse Isadora. – Pensei que fosse lenda.

- Comigo não rolou. Mas pode ser que funcione. – Disse Flor.

- Para o sexo ser bacana, acho que ser tudo na medida, tamanho, química e pegada, e o Paulão não se importar com nada disso é mega decepcionante. Aff, já que vai fazer que faça direito neh. – Disse Isadora com as mãos na cintura.

 – Que chato, colocar uma lingerie nova, roupa, se preparar toda pra não sentir uma gotinha de prazer. Muito babaca. – Milla Cruzou os braços.  

 Flor se levantou e pegou o celular. E em seguida voltou decepcionada.

- O que foi Flor, por que fez esta cara?  - Perguntou Isadora. – Não me diga que esta preocupada se o Paulão te ligou.

- Imagina, quem iria querer viver aquele horror de novo? – Ela ficou pensativa. – E... Duvido que ele fale comigo de novo, sé se fosse bem resolvido. – Ela revirou os olhos. – O que é difícil para homens desse tipo.

- Mas o que você fez pra ele? - Disse Milla.

- Nada demais, mas acho que ele não gostou muito. Eu tinha levado os meus brinquedinhos, e ele não quis nem olhar. Então depois que ele parou e me deixou na vontade eu fui ao banheiro, e disse a ele que sentiria prazer sozinha. – Flor olhou pra amiga com cara de safada.

- Você não fez isso sua louca?

 As três gritaram com os olhos esbugalhados.

- E por que eu não faria? Ele ficou bravo, mas a esta hora já estava sem força pra qualquer coisa, pediu pra eu esperar um pouco, mas eu estava cansada. Varias marcas roxas!

- Você enlouqueceu. – Afirmou Isadora com a boca aberta.

- Ele ficou tanto tempo agindo como se estivesse competindo que se esqueceu do mais importante, interagir. – Flor deu de ombros. 

- Você tem razão! – Milla gaguejou. – Ele mereceu.

- Assim, quem sabe quando ele sair com outra garota aprenda a ouvir e se importar, sexo é troca de prazer. – Flor levantou o copo em brinde.

- Verdade. – Riu Isadora. – Mas acho que pro Paulão só uma coisa ajuda.

- O que? – Disse Flor.

- Que tirem todos os espelhos do motel!





Texto: Grazy Nazario.


sábado, 25 de agosto de 2018

Calcinha de dormir - Crônicas do dia a dia


Isabela entrou no carro e ligou o motor, saiu as pressas enquanto ouvia o tagarelar da amiga.
Em menos de duas quadras o carro levou uma fechada de uma moto, a moça pensou rápido e saiu pra sua direita. Ouviu-se a derrapada forte, o carro que vinha no sentido contrário tentou desviar, mas bateu próximo a porta da motorista, prensando toda a parte dianteira.

Isabela soltou um grito, e em seguida começou a chorar.

- Esta tudo bem com você Bela? Fala comigo Isabela, por favor! – Perguntou Isadora com tranquilidade.
- To bem. – Respondeu a moça. –  Eu não consigo mexer o meu pé, deve estar preso em algum lugar. – Ela resmungou controlando a respiração e aos poucos se acalmando.

Cerca de trinta minutos depois chegou a ambulância, Isadora e Isabela conversavam quando um homem alto e forte chegou próximo do carro onde estavam as amigas.

- Bom dia senhoras. Estão conscientes? – Perguntou o homem.

- Muito bem. – Respondeu Isadora entre os dentes. - Melhor agora.

- Por favor, Isadora. - Ele veio me socorrer. – Isabela sorriu.

– A minha amiga esta com o pé preso na lataria. – Isadora disse imediatamente.

- Meu nome é Jota. Deixa eu olhar como estão as coisas por ai.

O homem examinou a parte que estava prendendo as pernas de Bella.

- Espero que não goste muito dessa calça.  Ele sorriu descontraído. - Vamos tirar você daí. – Ele disse em confiante. – E saiu em direção a ambulância.

As meninas riram presunçosas.

- Nossa que profissional da saúde! – Isadora se abanou. – No meu trabalho não tem nenhum desse ai, nem para fazer de colírio para os olhos. – Ela gargalhou. – Seria bom demais, ou não ia prestar, por que ninguém ia trabalhar.

Isadora olhou pra amiga e viu seu semblante fechar, de uma hora pra outra seu rosto ficou pálido, e sua boca pareceu querer arroxear.  Isabela estava preocupada demais, ou prestes a desmaiar.

- O que foi garota? - Isadora gritou.

- O que ele disse sobre a calça? - Perguntou Isabela como se tivesse em transe.

- Ele falou aquilo porque a sua calça deve ser toda cortada neh, isso é normal. 

- Eu não posso ir para o hospital. – Respondeu a motorista com convicção. 

- Que isso garota! Ta devendo o que? - Retrucou Isadora.

- Não to devendo, não quero ir. – Disse a moça com a voz alterada.

O atendente da emergência chegou:

- Vamos lá moça, acabar com isso ai.

- Eu não quero ir para o hospital Jota, me deixe ir pra casa. Eu estou bem. – Isabela tentou ser convincente, mesmo com a voz fraca dissimulando a dor. 

- Eu não entendi essa agora Jota, garota estranha. – Isadora resmungou.

Isabela fixou os olhos na amiga. e passou a mexer todos os músculos faciais possíveis, era o nariz entortando, a boca gemendo, os olhos piscando desesperadamente, tudo ao mesmo tempo.

Isadora percebeu que tinha algo errado, mas ainda assim caiu na gargalhada.

- To entendendo é nada!

Isabela começou a mexer a cabeça em direção a sua virilha. A amiga arregalou os olhos.

- Eu vou te matar Isadora! – Disse Isabela enquanto Jota e mais um agente tirava o seu pé das ferragens. 

Em seguida ela gritou. 

– Ta doendo muito, ta insuportável.

- Pelo que vi o seu pé esta quebrado em três partes, isso é serio. Vai precisar de cirurgia. - Afirmou Jota

- Não! – Isabela berrou.

Todos a olharam. 

Em menos de dois minutos ela estava na ambulância a caminho do hospital, as duas amigas enfim estavam a sós.

- Não entendi nada das suas macaquices Isabella, você ficou se estremecendo toda. – Você ta afim do boy? Não tem problema...

-  Fica quieta. - Isabela cochichou. – E eu lá tenho cara de fazer uma coisa dessas, parece que não me conhece! – Ela respirou fundo. - Eu to com uma calcinha rasgada. – Seu rosto  ficou vermelho, mais que a lua em dia de eclipse.

Isadora abriu uma boca imensa, maior mesmo só os seus olhos de espanto.

- Como você sai de casa pra me levar numa consulta com uma calcinha rasgada?! – Ela ergueu o corpo e pôs a mão na cintura. – Você é louca, só pode!

- Eu não ligo muito pra essas coisas, você sabe. – Respondeu Isabela.

- Percebe-se. – Isadora bufou. – De quanto a respeito de rasgada estamos falando?

- Muito. – Isabela engoliu seco.

- Você  disse que não liga né, então por que tanta preocupação afinal. – Ela revirou os olhos. – Se é uma pessoa que não tem condições financeiras eu entenderia, mas você esta bem colocada no mercado de trabalho, isso é desleixo já!

- Não exagera! Eu estava atrasada, sai com a calcinha que usei pra dormir.

- Entendi. Desleixo e preguiça!

- Exagero seu. – Resmungou Isabela.

 Chega! – Isadora ameaçou a rir. – Eu não quero saber mais dessa historia. – Você não liga mesmo, então pode parar com isso. Não pode deixar de operar o pé por conta de uma calcinha furada, deixe o medico pensar que rasgou no acidente.

As duas gargalharam como loucas.

- Imagina se isso acontece comigo, eu sofro um desmaio! – Brincou Isadora. – Calcinha rasgada eu jogo fora. Não da pra usar um troço que não tape nada! Isso é auto cuidado.

- Ta bom, ta bom! Chega de sermão. Eu aprendi a lição, não ligo de usar calcinha rasgada, mas alguém ver é bem constrangedor.

- Vão tirar a sua roupa toda, inclusive a calcinha. – Isadora ficou um pouco pensativa e  riu compulsivamente.

- O que foi?

- Nada... – Isadora balançou a cabeça. – Hoje você faz a equipe de enfermagem rir a toa.  

- Isso, ta me ajudando muito. –Ela fulminou a amiga. - Estou muito melhor depois desse nosso papo.

O carro parou na entrada de emergência.

-  O que me consola é que nada pode ficar pior. – Resmungou Isabela.

O médico chegou, olhou para o pé da acidentada.

- Que coincidência boa, uma fratura em três partes, é disso que eu preciso. - O medico levantou a mão e chamou uma moça. - Peça para todos os estagiários da emergência vir para a sala de cirurgia do terceiro andar, farei uma cirurgia de algo que estamos acompanhando esta semana. São um total de 25 pessoas.

Isabela empalideceu, enquanto sua maca era empurrada para a sala de cirurgia olhou para a amiga,  mexendo a cabeça desesperadamente.



A cirurgia enfim foi um sucesso, pouco após terminar Isabella estava no quarto.

Ficou ansiosa quando viu a amiga na porta.

- Vai ficar tudo bem comigo, o médico disse que dificilmente ficarei com alguma dificuldade pra andar ou correr, e se eu me cuidar bem em alguns meses estarei 100%.

- Isso é maravilhoso. – Isadora disse feliz.

- Eu acho que o médico percebeu que eu estava constrangida por conta da calcinha, que não tinha um furo, aquilo era um  tiro  de canhão. Eu pedi pra ele não chamar os estagiários.

- Nossa que coragem, e ele disse o que? - Questionou Isadora.

- Que ali eu era um instrumento para estudo, e que estava contribuindo para formar médicos e ajudar pessoas a se saírem bem de uma fratura como a minha. E também falou que a medicina é bem clara quanto à questões de ética e profissionalismo. 

- Nossa, ele é bom!

- Sim, eu fiquei muito mais tranquila, depois disso relaxei, eu já tava ali mesmo não é! – Isabela sorriu. – Não tinha o que fazer, decidi não me preocupar.  

- Verdade. – Isso é bom. - Garantiu Isadora.

Flor e Milla apareceram na porta do quarto.

- Oi meninas! – Que bela visita.

- Bela, me diz que você não é a Isabela da calcinha furada do leito 12? – Perguntou Milla com o semblante preocupado.

Todas as amigas se olharam simultaneamente, e em seguida para o numero abaixo da cama. N-12.

Isabela Ficou vermelha de raiva.

- Malditos estagiários!

Texto: Grazy Nazario. 





Não é só no circo que tem palhaço

  Flor chega em casa furiosa. Joga a bolsa no sofá, bebe água e olha o celular. Percebe que tem pelo menos dez mensagens. Ignora todas e b...