domingo, 31 de janeiro de 2021

O Rei da Casa - Crônicas

 

Milla abre a porta empolgada.

- Chegou na hora do brinde! – Ela sorri. – Eu sei que não podemos nos abraçar, mas como é bom te ver.

- Oi meninas! – Responde Isadora com certo desanimo. – Gente, podem abaixar um pouco o som? – Ela senta no sofá.  

Bella, Flor e Milla arregalam os olhos:

- Nossa, que ânimo em plena sexta-feira. – Comenta Flor.

- Eu sei... – Isadora suspira. – Tive um plantão daqueles. Esta covid19 quando não mata de um jeito, ferra de outro.

- Imagino, amiga. Olha estávamos todas de máscara, só tiramos agora para o brinde. Não dá pra beber de máscara. – Disse Milla enquanto riu. 

- Passei em casa pra tomar banho, não queria vir direto do hospital, mesmo já infectada e curada preciso evitar transmitir os vírus de outra forma.

- Foi bacana da sua parte vir, mesmo que um pouquinho. – Diz Bella. – Agora que as coisas estão mais ou menos voltando ao normal... - Fase laranja, quase amarela. - Ela ri sem jeito. - Era importante ter este momento, não comemoramos o aniversário de ninguém.

- Eu também estava com saudades. – Diz Isadora. – Mas passei em casa e me aborreci. É muito louco precisar brigar por certas coisas.

- O que aconteceu? -  Pergunta Milla. – Segura este copo, relaxa e nos conte tudo!

- É o meu filho.

- O que tem ele? – Pergunta Bella.

- Ele não quer colaborar com nada. Antes eu já fazia tudo, mas agora a minha sobrinha esta passando uns dias em casa, e pedi pra ela fazer algumas coisas.

- E o que tem isso? – Rebateu Flor. – Estranho precisar pedir isso para o seu filho, só mora vocês dois na mesma casa, pensei que ele fazia o básico.

- Muito chato fazer coisas de casa! – Milla revira os olhos. – Ainda bem que moro com minha mãe.

- Isto não diminui em nada sua responsabilidade, minha filha! – Disse Bella. – Se você faz a sua mãe de empregada ta igual o filho da Isadora, só que pior, porque é adulta!  

- Não acredito que estou ouvindo isso! – Flor bateu o copo na mesa e foi até a cozinha. Voltou com uma latinha de cerveja na mão.  – Pelo amor de Deus, em pleno século XXI você ta sofrendo porque seu filho não quer ajudar, ou melhor, fazer a parte dele nos afazeres domésticos. É sério isso?

Isadora fica sem graça, e olha para as amigas.

- Você nunca ensinou isso a ele? Prefiro não falar sobre a Milla, porque se fizer isso serei obrigada a brigar com ela!

- Calma, gente! – Milla riu. – Eu pago uma diarista super bacana, e ajudo também em casa. Só disse que era chato.

- Disso todo mundo sabe Milla. – Responde Bella. – Mas a gente sabe como você não é fã de fazer muitas coisas.

- E quem é? – Responde Milla irritada.

- Eu! – Diz Isadora prontamente. – Eu sempre fiz tudo sozinha. Nunca pedi nada pro meu filho, dava pra eu fazer eu fazia. E ele é homem, vocês sabem que eles não têm muito jeito pra fazer coisas de casa.

- Pelo amor, que papo mais anos 50! AFFFFFF – Disse Flor e revirou os olhos. – Meus ouvidos estão sangrando!

- Não exagera com a Militância Flor! – Isadora virou um copo cheio de cerveja. – To ficando mais brava com vocês do que com meu filho.

- A questão é que é mais fácil fazer do que ensinar. Ok.  Mas e se o seu filho fosse uma menina, você ensinaria ou não? – Pergunta Bella.

- Mas ai não tem comparação né, gente! – Insiste Milla. – A mãe da gente já manda a gente fazer tudo desde pequena. Acho que por isso odeio. – Milla gargalha.  

- Como que não tem comparação! – Flor se exalta. – Você aprendeu desde pequena, seria a mesma coisa caso fosse um menino.

- Isso é o que a gente queria! – diz Milla.

- Sim, por isso mesmo temos que fazer. Eu não tenho filhos, mas isto está claro pra mim. Precisamos passar valores diferentes do que tivemos para meninos e meninas, ou nada vai mudar.  

- Você odiar fazer estes serviços é só mais um exemplo de que isso não tem nada a ver com gênero. – Insiste Bella.

- Mas é que eu sempre trabalhei e estudei... – Resmunga Milla.

- Milla, se for assim ninguém tem tempo de fazer nada, mas alguém precisa fazer! – Insiste Flor.

- Ah gente, mas agora ele já ta moço. – Resmunga Isadora. – O problema foi esta pandemia, eu levava muito bem as coisas porque era só nós dois. Agora parou a escola e todas as coisas possíveis, e eu to trabalhando feito uma louca no hospital...

- Não é possível, você quer viver como se o seu filho fosse o rei da casa! – Flor se irrita. – Eu não agüento manter um bom humor com uma fala dessas.

- Calma flor! – Pede Bela. – Falar assim não adianta nada, só deixa ela mais nervosa.

- Nossa gente, pra que eu fui comentar do meu cansaço. – Isadora respira fundo. – Só queria relaxar e aproveitar que amanhã é minha folga.

Isadora levanta a vai ao banheiro.

- Caramba meninas, vocês pegaram pesado hoje hein! -  Reclama Milla e vai atrás da amiga no banheiro.

Bella e Flor se olham.

- Nossa, ainda não me acalmei. Eu não me conformo que a pessoa queira ser empregada, por isso tem uma par de boizinho se achando pra cima da mulherada. – Suspira Flor. – Querendo tratar mulher como empregada!

- Eu sei Flor. Mas ela não enxerga assim, fica calma, não precisa brigar também, né. – Diz Bella.

- Dá vontade é de tacar foco nesta macharada folgada!

- Mas ele tem 17 anos!

- Sim, e logo terá 20, e 21, 24, 32.... E vai neste ritmo, “alguém faz por mim”.

- Calma, pode ter salvação.

Flor suspira.

- Eu acho que estou estressada mesmo! – Ela ri. – Muito tempo de quarentena e descobrimos que nossa amiga está se fazendo de escrava e nem enxerga, é problema viu.

Milla e Isadora voltam.

- Meninas, eu vou embora. – Diz Isadora com a voz ligeiramente mais calma.

- Não precisa ir Isadora. - Diz Bella. – Pegamos pesado. Vamos ficar de boa, não é Flor? – Bella olha de canto de olho para a amiga.

- Sim. – Responde Flor a contragosto. – Desculpa, senta ai e fica de boa.

Isadora senta novamente.

Flor bebe uns goles de cerveja, observando a amiga.

- Permita-me dizer mais uma coisa? – Flor sorri. – Mesmo se você não permitir eu vou dizer. - Ela afirma em tom descontraído. 

- E a novidade, Flor? – Diz Milla.

- É que assim.... Precisamos mudar está visão de que as mulheres precisam fazer tudo sozinhas. Por que temos que carregar o mundo nas costas? Reclamamos na internet sobre as atitudes dos homens, e não exigimos que nossos filhos arrumem a cama?

- Você nem tem filho, Flor! – Ironiza Milla.

- Eu sei Milla. Mas você entende o que eu estou falando? – Flor passa as mãos nos cabelos. – O mundo vive uma pandemia louca, muitas pessoas morreram e continuam a morrer. A nossa amiga trabalha na linha de frente contra a doença, chega cansada, e não tem o apoio da própria família. O que ela estaria passando como valores ao filho?

- Isso é verdade. – Diz Bella. – E se algo acontece com ela?

- Sim, eu fiquei doente. E alguém foi pra minha casa, o meu filho ficou perdido.

- Ele não é mais uma criança, se algo acontecer com você, ele precisa ter noção do que é preciso fazer, em outros sentidos também. – Completa Flor com a voz mansa. – Você pode fazer tudo, se assim escolher. – Quem sou eu pra dizer o que você deve fazer?

- Uma feminista do caraio! – Riu Milla. – Mas isso é verdade.

- Eu sei, mas não é fácil mudar hábitos. - Lamenta Isadora. 

- Isso não é mesmo Isadora. Mas não é impossível. – Bella abre um sorriso. – E não é só por você, mas por ele também.

- Isso é verdade. E também o que você vai deixar para o mundo. – Mães super protetoras são péssimas.

Isadora torce o nariz e a boca.

- Mas você não se contenta neh Flor!

- Jamais! – Ela sorri. – Pra mudar precisa fazer diferente. Eu nunca imaginei que veria aquele menino tão lindo sendo acostumado assim, nessa vida mansa.

- É a idade também. – Ameniza Bella. – Os hormônios e tals.

Milla riu.

- Na minha época os hormônios faziam outra coisa.

Todas riram.

- Posso perguntar mais uma coisa?

- Ai meu deussssss – Grita Isadora simulando desespero. – Eu já entendi sobre os direitos iguais e tudo mais, você tem toda razão, Flor! Agora deixa eu tomar essa cervejinha e ouvir este som gostoso porque eu quero relaxar.

- Ah sim. – Flor riu. – Relaxa sim, e depois vamos sortear quem vai lavar a minha louça lá em casa!

Todas olharam Flor.

- Ta doida!?

- Não! Kkkkkkkk – É que como eu conseguir fazer você dividir o seu serviço de casa, todas vocês podem dividir comigo!

 


Imagem: Site "Pra ficar Charmosa. 


FIM

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Personagem - Milla

 Milla é uma jovem mulher. Esta poderosa não costuma se preocupar com comportamentos, e julgamentos alheios, mas a sua instabilidade emocional sempre dá o que falar. Milla tem 29 anos, é responsável pelo RH de uma empresa de app, e não tem o costume de se preocupar com situações ditas "causas feministas", ela quer curtir, dar muitas risadas, e namorar e casar, é claro.  

No auge da sua sexualidade Milla ainda não percebeu que certas situações fazem dela uma grande feminista, e embora muitos comportamentos sejam contestados pelas amigas, ela é o retrato do dia a dia de mulheres que ainda não perceberam a força que possuem, é guerreira e cheia de atitude. A sua sensibilidade canceriana exala em seu cotidiano, quase sempre se coloca em enrascadas, mas não fica devendo nada para o seu ascendente escorpião, é muito atenta. Costuma ser difícil trocar de opinião quando acredita fazer o certo, mesmo sendo protagonista de muitas confusões é muito amiga, e a mais disponível do grupo, costuma estender a mão, o ombro e todo o resto para consolar aqueles que ama.    



Ficha técnica

Nome: Milla Fonseca de Andrade.

Idade: 29 anos.

Profissão: Assistente de RH

Signo: Câncer, ascendente em escorpião. 

Estado civil: Solteira, mas procurando um par.

Formação: Administração

 

Personagem - Bella

 Bella é uma jovem mulher madura. Feminista por opção esta mulher de poder é puro equilíbrio e sensatez. Em busca de uma sexualidade equilibrada com suas preferências independente do gênero sente-se livre para buscar além do que o mundo lhe apresenta. Bella é comunicativa e trabalha com vendas de cosméticos, atualmente estuda marketing e tem uma filha, Sophia de 11 anos. 

Esta mulher de poder de 36 anos é capricorniana, e sabe que sempre há tempo de fazer o que gosta e ganhar dinheiro com isso, apesar de sua sobriedade já mudou algumas vezes de cursos técnicos transitando desde radiologia, administração e economia, fazendo jus ao seu ascendente em gêmeos. Bella entende que sua palavra tem poder, assim como suas atitudes, sabe que pode ajudar outras pessoas e reconhece que amadureceu muito por prestar atenção em pessoas que tem o que dizer. Embora saiba sobre suas habilidades e facilidade de aprender, é humilde e gosta de ser todo ouvidos para as amigas. Além disso, sabe que nenhum empoderamento é fixo, e que precisa ser lembrada sempre quanto a sua importância para si e para o mundo.                                                                    


Ficha técnica    

        

Nome: Isabella Morais de Souza     

Idade: 36 anos.

Profissão: Vendedora

Signo: Capricórnio.

Filhos: 1 filha 

Estado civil: Solteira.

Formação:  Estudante de Marketing.

Personagem - Isadora

 Esta é a Isadora.

Esta é uma mulher de Poder geniosa. Mulher de opinião e firme em seus posicionamentos, Isadora adora conversar e curtir com as amigas. É trabalhadora e preocupada com causas que considera importante, sua profissão é enfermeira, adora se vestir bem e chamar atenção e namorar. Tem 38 anos, já foi casada, e tem um filho adolescente. 

Embora independente, e de sentir-se livre e forte não se sente familiarizada com o termo "feminista" tão utilizado pelas amigas Flor e Bella. Como uma autêntica leonina não precisa buscar os holofotes, pois  geralmente são eles que a procuram. Costuma falar com a voz alta, gestos expressivos e palavras que caracterizam as certezas que carrega, mesmo com o seu signo ascendente favorecendo a teimosia, quando percebe o seu erro costuma reconhecer, mesmo que isto demore mais que o esperado.  Isadora não sabe, mas tem muitas atitudes feministas, e aos poucos vai entendo o que de fato isto representa na sua vida e no seu dia a dia.


Ficha técnica


Nome: Isadora Brandão Silva.       

Idade: 38 anos.

Profissão: Enfermeira

Signo: Leão, com ascendente em Touro.

Filhos: 1 filho adolescente (Matheus)

Estado civil: Divorciada

Formação: Enfermeira. Estudante de pós graduação. 


Personagens - Flor

 Esta é a Flor. 

Esta mulher de poder tem muita criatividade, pensamento livre e versátil, e muito senso de humor. Flor está com 34 anos, sua profissão é artista, participa de muitos trabalhos e costuma estar disposta a novos desafios em muitas áreas da sua vida. É solteira, não tem filhos, e diz não fazer questão de ser mãe. No entanto, como boa pisciana muda de ideia com facilidade, por vezes é distraída e adora romances. 

Flor é a feminista assumida da turma, porém sabe que tem muito a aprender, pois entende que ninguém é obrigado a saber novos caminhos de comportamento, uma vez que somos inseridos e construídos a partir de uma cultura que considera diferenças e desvantagens entre homens e mulheres.  


FLOR - Mulher de Poder


Nome: Floripes Galvão.                                       

Idade: 34 anos.

Profissão: Artista.

Signo: Peixes, ascendente: Aquário.

Filhos: Não.

Estado civil: Solteira.

Formação: Teatro. 




segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Encontro online - Crônicas Mulheres de Poder

 


                                                          

Iniciando a reunião...

 

Milla entrou na sala...

Isadora entrou na sala...

 

- Como é bom ver vocês. – Diz Milla emocionada.

- Linda! – Isadora grita e bate palmas. – Mesmo distante está muito bem.

Flor entrou na sala...

 

- Oi meninasssss. Dificil fazer está reunião, mas deu certo. – Diz Flor.

- Que cabelo é este Flor? – Milla começa a rir. – Você não penteou nem o cabelo!

- Não tive tempo Milla, não enche. – Flor balança a cabeça.

“Bella entra na sala”

 

- Saudades de todas vocês! – Diz Bella. – E ai o que vocês têm feito?

- Nada! – Gargalha Milla. – Eu to com ranço, e de férias do trabalho.

- Vixe, pois eu estou trabalhando muito. – Responde Isadora. – Doença infeliz. Tem dias que parece que vou deprimir.

- Caramba. – Diz Bella. – Deve ser muito ruim estar no seu lugar.

- Nem queira saber. – Responde Isadora. – Mas vamos falar de coisas boas, todas estamos bem.

- Sim! – Diz Milla. – Você já está recuperada mesmo?

- Sim, agora estou. – Isadora une as mãos e olha para cima. – Graças...

- Ficamos muito preocupadas com você. – Diz Flor- Mesmo falando sempre pelo whats, não é a mesma coisa que ver a pessoa.

- Não está sendo fácil pra ninguém. – Afirma Bella.

- E você parou de sair Milla? – Pergunta Bella

Milla começa a tossir.

- Eu não acredito que você está saindo? – Diz Isadora.

- Mas eu não estou saindo. – Insiste Milla.

- Mas outro dia liguei pra você e sua mãe disse que você tinha ido no Flavinho.

- Ahhhhh. Mas ir no Flavinho não é sair, eu só fui lá pra transar, já estava meio louca, tanto tempo em casa e nada de sexo.

- Como assim Milla, o Flavinho está ficando em casa? – Pergunta Bella.

- Não sei, ele disse que sim, e está trabalhando em home office.

- Como assim não sabe? – Diz Isadora gargalhando. – Ainda bem que não estamos ao vivo. Eu tenho vontade de te expor e cancelar você na internet. 

- Milla você nunca ouviu falar de masturbação? – Diz Flor fazendo gesto com a mão enquanto coloca um vibrador na frente do seu computador.

As amigas começam a gritar, rir e bater palmas.

- Que delícia! – Grita Bella gargalhando.

- Isso ta limpo, Flor?

- Não, eu acabei de usar! – Flor se diverte. -  Kkkkkkk

- Isso explica o cabelo bagunçado. – Brinca Isadora.

- Mas isso não é a mesma coisa, gente! – Ri Milla enquanto bate palmas. – Com outra pessoa tem carinho.

- Ai meu deus! Lá vem ela com o “afeto”. – Flor sacode o vibrador na frente da câmera novamente. – Você ta muito romântica, Milla.

- Romântica eu sempre fui. Nesta pandemia eu to é carente! – Resmunga Milla.

- Exagerada! – Diz – Isadora.

- Exagerada sim, Milla. Não precisa furar a quarentena pra transar com seu ficante.

- Gente, a coisa tava feia!

- Milla, você pode fazer igual eu, sexo virtual! – Afirma Flor com ar de satisfação.

- Mais essa agora! – Milla ri. – Você é doida!

- Você não tem o que fazer na pandemia e inventa né, Flor. – Diz Bella.

- Meninas, eu tô trabalhando super pouco nesta pandemia, os artistas são os que sofrem primeiro quando as coisas param assim do nada! – Flor revira os olhos. – Eu preciso fazer coisas novas ou fico deprimida! E sexo virtual é antigo, vocês que estão atrasadas! – Flor gargalha.

- Conta isso Flor, como assim sexo virtual? – Pergunta Isadora interessada.

- Sério que vou ter que ensinar isso pra vocês. – Flor mostra o vibrador “verde limão”. – Então... Eu conhecia ele, daí a gente ficou conversando por telefone e deu tesão...

- Flor, não é isso que a gente quer saber! – Diz Bella rindo.

- E o que é?

- Você fez uma vídeo chamada e ficou gemendo com o cara, beleza. – Bella coloca a camiseta na cabeça. – Você ficou nua pra este cara? Tipo nudes!

- Lógico! – Ela ri. – Nem me lembra, muito bom!

- Você é doida, só pode! – Diz Isadora. – Flor, e se este cara te filma e vende as suas imagens para algum site pornográfico? Ele é de confiança?

Flor fica pensativa.

- Olha eu não sei se posso dizer se ele é ou não confiável, mas se ele fizer isso é um idiota e mau caráter, e não vou mais transar com ele. Mas se ele for esperto faremos mais vezes, e depois da pandemia pessoalmente, é claro!

- Flor você é sem noção! – Afirma Milla indignada. – Se este cara vende as suas imagens, imagina a vergonha.

- Vergonha pra ele né, Milla! Isto seria crime digital. E outra coisa, eu tiro a roupa toda hora no teatro, não tenho problema com nudez.

- Mas é muita intimidade pra expor assim! – Diz Milla preocupada. – Eu tenho medo.

- Medo deve ter ele de cometer um crime! A gente precisa parar de culpar a vítima em casos assim. Ninguém pode controlar o que outra pessoa vai fazer, mas se eu exponho ele, eu estaria errada.

- Mas em casos assim nada acontece com os homens, e eles ainda ficam com fama de predador. – Afirma Isadora.

- Mas isto acontece porque ainda tem falas como estas, gente. – Diz Bella convicta – A Flor tem razão. Se ela sentiu prazer, gostou de “estar” com o cara e ambos estavam em comum acordo, não tem porque ficar preocupada com nada disso. E se ele usar as imagens dela pra cometer um crime deve ser o culpado pelo crime, e não ela!

- Graças aos céus alguém me entende. – Flor levanta as mãos. – É isso, meninas! O que é feito em comum acordo não deve ser condenado, mas quando alguém quebra este acordo deve ser denunciado e pronto.

- Mesmo assim é bom ter cuidado, Flor. – Diz Isadora. – Este povo é doido.

- Eu sei. Mas foi sexo seguro! – Flor ri. – Seguro em muitos sentidos desde DST, gravidez e covid 19!

- Você é uma palhaça mesmo!

- Saudades de vocês, meninas! – Diz Isadora. – Você está certa Flor, é melhor fazer isto, que se arriscar em pegar covid.

- Pronto! Já vi que fui condenada. – Responde Milla emburrada. – Mas nem adianta, isso de sexo virtual não dá certo pra mim.

- Ninguém vai te condenar não, maluca! – Todas riem. – Mas não vai poder ir no nosso encontro pessoalmente. – Diz Bella.  

- Desgraçado! – Grita Milla com o celular na mão. – Não vou mesmo!

- Por que? – Pergunta Isadora.

- Acabei de ver os stories do Flavinho, ele está numa festa! Imbecil.

- Isolamento nos próximos quinze dias! – Diz Isadora rindo. – E peça dicas para a Flor, você vai precisar!

-Simmmmm!

FIM DA CHAMADA



Imagem: Internet. 


Texto: Grazy Nazario. 

 





terça-feira, 22 de outubro de 2019

Crônicas do dia a dia - O primeiro NÃO a gente nunca esquece


Sentadas de frente para a piscina, Flor e Isadora mexem no celular, quando ouvem a voz de Milla.

- Podem parar com esta palhaçada de ficar no celular. – Eu quero uma cerveja, to morrendo de sede.
- Senta ai maluca! – Diz Flor enquanto enche seu copo.
- Por que tanta agitação? Hoje ainda é sábado! – Resmunga Flor.
- Vamos falar dos detalhes da viagem – Diz Isadora apressada.
- Calma, primeiro eu quero falar do Evandro. – responde Milla.
- Quem á este? – Isadora fez cara de espanto.
- A Flor conhece.
- Conheço? – Flor fez cara de ueh.
- Lógico! – Responde Milla irritada. – É aquele cara que conhecemos juntas no aniversario da Ju...
Flor continua calada, e pensativa.
- Vocês ficaram conversando horas sobre a caça aos animais...
- Lógico que me lembro! – Flor dá uma risada. – Ele era amigo deste, ou primos, não sei bem.
- Então... Acho que ele é gay! – Diz Milla. – Acho não, tenho certeza. – Ela torce o nariz.
- E por que você tem tanta certeza disso, Milla? Ele falou alguma coisa? - Pergunta Isadora.
- Tem certas coisas que não precisa dizer, né gente, é só prestar atenção nas atitudes.
- Ele saiu com você e negou fogo? – Flor colocou a mão na boca com os olhos arregalados.
- Não. – Diz Milla. Pior que isso!
- O que pode ser pior que isso neste caso? – Isadora põe a mão no queixo pensativa. – Diz logo que to curiosa!
- Eu chamei ele três vezes pra sair e ele me esnobou, não quis nem me conhecer, tomar alguma coisa... Nada!
- E o que isso tem a ver? – Isadora levanta as sobrancelhas.
- Como assim amiga, ele só pode ser gay!
Flor balançou a cabeça.
- Essa foi a coisa mais machista que você já disse!
- Machista mesmo, com certeza, Milla. - Repetiu Isadora.
- Então me diz por que ele não quis sair comigo? – Ela bufa. – Por um acaso eu sou feia, desinteressante, sem graça? Por que um homem heterossexual não sairia com uma mulher como eu?
- Pelo mesmo motivo que não saímos com qualquer homem! – Flor responde imediatamente.
- Você ta falando serio, Mila? – Isadora gargalhou. – Você não sabe ouvir um NÃO de um cara. Ta andando muito com homens, não é possível!
- Não é isso. – Mila começa a falar devagar. – É que não da pra entender por que o cara se recusou a sair comigo. – Ela mexe nos cabelos. – Mesmo que fosse só pra gente conversar e se conhecer. Se ele é solteiro e eu também, na minha visão ele é gay e não quis ser indelicado.
- Me lembrei de um filme agora. – Isadora começa a rir. – É com aquele ator Mel Gibson, ele fica ouvindo os pensamentos das mulheres e certa altura do filme diz pra uma mulher que ele é gay, só pra não magoar ela.
Flor começa a rir.
- Eu me lembro deste filme. É muito bom!
- Para, gente! – Interrompe Milla com a cara fechada. – Que mané filme, vamos para o meu assunto. Foco!
- Se for pra falar em foco, temos que falar da viagem que ninguém lembrou que existe! - Resmunga Isadora.
- Daqui a pouco Isadora, calma. – Milla levanta as mãos. – Isso é coisa séria.
Diz Flor, você acha que ele é gay, ele dá pinta?
- Gata, eu não vi ele dando pinta, não. – Flor bebeu cerveja. – Amiga, seria legal a gente entender que os caras também podem dizer não, do mesmo jeito que nós dizemos.
- Acho que estão tudo mole! - Bufa Milla.
- Você não sabe o que quer! – Grita Isadora. – Se os homens vão pra cima são atirados demais, se não vão são gays. Isto é pensamento do século passado, Milla, as coisas mudaram.
- Mudaram pra pior.
- Milla, pensa comigo. Antigamente, nessa mentalidade sua ai, só os homens chegavam nas mulheres, a gente não tinha esta liberdade de tomar a iniciativa.
- E o que isso tem a ver. – Milla retruca irritada.
- Tem a ver que a gente falava Não pra vários caras que a gente não queria ficar. E os homens atiravam pra todos os lados, por que as mulheres viam as relações de forma diferente.
- Não to entendendo nada! – Milla responde decepcionada.
- O fato é que o cara pode não ter ido com a sua cara. – Isadora jogou as mãos pro lado. – Tipo o santo não bateu mesmo.
- E por que ele me responde as mensagens?
- Por que não quer ser indelicado? – Diz Flor.
- É... – Milla lamenta. – Pode ser...
- Sim. E isso não é o fim do mundo, gata. – Flor mexe nos cabelos da amiga. – Força na peruca! Quem arrisca convidar corre o risco de receber não, ou sim. Este é o preço da liberdade conquistada pelas mulheres.
- A parte chata você quer dizer neh! - Milla revira os olhos.
- São consequências. – Responde Isadora. – Se o cara não topou com a sua cara, pra que sair com você? Vai fazer você perder o seu tempo e ele o dele, assim pelo menos age na honestidade.
- A honestidade as vezes atrapalha. – Milla exclama. – A gente perde chance de conhecer as pessoas.
- Não perde nada! Quando você não quer nem adianta insistir. – Flor a olhou nos olhos. – O homens também tem o direito de dizer não, e temos que aprender a conviver com isso e seguir nossas vidas.
- Então bora seguir a vida, e chega desse assunto. – Diz Isadora.
O celular da Flor toca.
- Vixe, é o amigo do seu suposto gay. 
Todas se olham, Flor levanta para atender. Minutos depois senta-se na cadeira com os olhos arregalados.
- Vocês não vão acreditar.
- Diz logo! – Milla soltou um grito. – Ele disse que o seu cara é gay mesmo!
Flor gargalha.
- Acho que eles são um casal.
- Por esta  eu não esperava. – Isadora arregala os olhos.
- Jura! – Grita Milla ao gargalhar. – Eu falei, isso tava muito estranho, eu nunca tinha visto isso.
- Eu to brincando.  – Flor balança a cabeça, e começa a rir. – Ele me chamou pra sair
Milla arregalou os olhos.
- Mentirosa, sem graça!
- Eu disse que ia pensar, por conta da viagem e de não querer me envolver com ninguém agora. Espero que ele entenda e não me chame de lésbica por conta disso.
- Engraçadinha! – Milla revira os olhos. – Vamos falar da nossa viagem.
- Melhor escolha impossível. - Diz Isadora satisfeita.




Texto: Grazy Nazario.





quinta-feira, 21 de março de 2019

Crônicas do dia a dia - A Artista


- Meninas, Vocês estão convidadas pra assistir a minha peça de teatro! – Disse Flor enquanto gritava dava pulinhos de alegria.
- Serio amiga! – Respondeu Milla. – Não sabia que você atuava.
- Será a minha estreia!
- Pensei que você fosse artista plástica. – Disse Isadora.
- Sou artista! - Flor respondeu orgulhosa. -Tenho veia pra fazer de tudo na arte, incluindo interpretar.
- Não vai levar a gente pra uma roubada Flor, pelo amor! – Resmungou Bela. – A ultima vez que você me convidou pra uma exposição fiquei encharcada na instalação artística do seu amigo.
- Vixe! Não exagera também. A piscina viva era tudo de bom! Precisamos apreciar o diferente. – Flor riu empolgada. -  Vocês vão assistir uma peça no teatro, simples assim. 

No dia da apresentação.

As amigas se preparam para sentar na primeira fila do teatro quando veem Flor.

A artista passa por elas calada, e dá um sorriso singelo.
- A Flor está estranha. Você não achou Isadora? – Pergunta Milla.
- Deve ser nervoso pela estreia.  
- Pareceu mais estar com raiva, que ansiosa. – Milla comenta.
- Fiquem quietas, vai começar a peça.
“A noviça rebelde”

Uma musica começa a tocar e inicia o espetáculo. Os personagens entram um a um em cena. As crianças filhos do tal viúvo, em seguida o viúvo, a empregada... Flor não entra em cena.   
- Eu conheço este cara de algum lugar.  – Sussurra Bela.
- A Flor deve ser a noviça rebelde! – Milla cochicha.
- Também acho! – Comemora Isadora.
A atriz interprete da noviça sobe ao palco, e para a surpresa das meninas, não é a Flor.
Pouco tempo depois Flor entra em cena, e interpreta a namorada do viúvo.

A peça esta rolando... 

- Nossa! – Milla faz uma careta com a língua de fora. – A Flor ta com a fala travada, parece uma estátua amarrada! 
Bela e Isadora se olham espantadas.
- O que é isso! – Bela Cochicha. – A Flor ta horrível nessa cena.

Fim da peça.

Os atores entram para os bastidores. Flor sai pelo palco batendo os pés.

- Flor! – Chama Isadora. - Pensei que ficaria com o pessoal depois do final da peça. 
- Não quero! – Merda pra eles, mas merda de verdade, não a do teatro!
- O que foi?
- Este diretor é um folgado!
- Quem é o diretor? - Diz Isadora.
- O que fez o viúvo! - Flor responde irritada. - Tenho certeza de que ele ta transando com a noviça.

Milla gargalha.

- Mas por que você acha isso?
- Por que o papel da noviça era meu! Eu até ensaiei algumas vezes. Ai depois chegou essa magrela e ele deu o papel pra ela.
- Mas o seu papel também é de destaque. - Diz Isadora.  
- Não! O meu papel se ferra! – Flor cruza os braços. – E não é só por isso, eu já estava ensaiando o papel da noviça, isso é muita sacanagem!
- Não exagera amiga, atrizes precisam lidar com isso de mudanças. – Milla a consola.

Chega o ator que interpretou o viúvo.
- Boa noite a todas. 
Todas respondem num coro.
- Gostaram da peça? - Ele pergunta.  
- Claro! – Isadora sorri.
Bela para e fixa o olhar no homem.
- Eu conheço você. – Ela diz como quem tenta se lembrar de onde.
- Sou ator e trabalho em varias peças. – Ele ri- Se você vem com frequência ao teatro com certeza me viu no palco ou na plateia.
- Não é isso não... – Bela fica pensativa.
A atriz que interpretou a noviça rebelde chega.
- Paulo! – Ela se joga no meio do grupo. – Você esta ai! Preciso falar contigo urgente, e em particular. – Ela sorri e puxa ele. – Licença meninas, mas preciso roubar este homem de vocês!
- Hummmmmm. To entendendo sua cisma amiga. – Milla solta uma gargalhada.
- To te falando!
- Não é bem assim gente, Flor, você esta sendo preconceituosa. – Isadora revira os olhos e cruza os braços. – Você vive defendendo as mulheres serem livres e fazer o que quiserem e já fica acusando a mulher de dormir com o cara pra conseguir um papel!
- Mas isso acontece, não dá pra negar! E seria muita sacanagem a gente se matar pra fazer os testes super complexos, e outra pessoa ganhar o papel por conta de teste do sofá! – Flor fica emburrada.
- Nisso eu concordo com a Flor! – Milla bate palmas.
- Mas peraí! – Grita Isadora e põe a mão na cintura. – Vamos combinar que a interpretação da Flor foi horrível!
- O queeeeeeeeeeee!? - Flor fuzila a amiga com os olhos. 
- É verdade Flor, eu nunca fui mentirosa e não é agora que vou ser! Você não serve pra isso, continua com a outra parte artística em ação porque pra ser atriz não vai dar certo.
- Nossa Isadora, que banho de honestidade! – Flor fecha o cenho. – Vou pegar as minhas coisas e já volto. Depois dessa vou pra casa.
- Eita! Parece que ela ficou triste mesmo. – Milla fala preocupada.
-Você pegou pesado, Isadora. – Resmunga Bela.
- Onde você estava Bela? - Berra Isadora. 
- Eu fui ver uma coisa...
- Meninas, a Flor pode até se chatear comigo por eu ter disto isso, mas eu como amiga preciso falar a verdade. Imagina ela ficar tentando testes e mais testes pra ser atriz, seria uma frustração atrás da outra!
- Pode ser... – Milla fica pensativa. – Mas tem coisas que a gente precisa perceber sozinha.
- Nem tudo! As vezes as amigas podem e devem ajudar, principalmente amigas de verdade. Fiz parte, se não adiantar pelo menos eu fico em paz com minha consciência.
Flor chega apática.
- Vamos embora?
- Que desanimo! – Milla sacudiu a amiga. – Não vamos sair pra comemorar esta noite?
- Comemorar o que? Eu ter que pagar a minha participação na peça com três dos meus melhores trabalhos!
- Agora não to entendendo. Você pagou a sua participação no espetáculo? - Isadora coloca as mãos na cabeça.
- Foi mais uma troca de favores artísticos! - Flor ri sem graça.
- Ahhh sua sem noção! – Isadora se sacode toda. – Você só arrasta a gente pra roubada Flor. Disse que tinha passado no teste!
- Eu não disse nada! Só falei que faria uma estreia. Eu não acho justo ter que pagar por isso, se eu nem fiquei com o papel da noviça, acabou sendo aquela bruaca, só por que ela vinha em todos os ensaios...
- E se dedica a profissão, estuda para ser boa atriz e interprete... – Isadora balança a cabeça.
- Já pegou autografo com sua ídola Isadora? Tirou foto, pediu a mina em casamento? Só não se empolga porque ela já é do viúvo!
- Lembrei! – Grita Bela e levanta as mãos. – Ela não é dele não. – Ela ri alto. – Este cara é gay!
- Babado! Serio? – Milla grita. – Nunca eu ia pensar isso.
- Certeza! Ele namorava um cara que eu conheci através de uma amiga. E ele nem é Bi, é gay mesmo.
- Caramba Flor! – Isadora coloca a mão em seu ombro. – Parece que a noviça não se vendeu pra ter o papel, ao contrario de você que prostituiu as suas obras pra este tonto! – Ela ri. – Não é sempre que a gente ganha minha amiga.
- Agora fiquei triste. – Flor olha para as amigas e fica em silencio. – Vocês acham que eu sou ruim mesmo como atriz, não dá nem pra tentar? - Flor olha pra Isadora. - Você não diz nada, já falou muito hoje!
- Não é muito bom não. – Responde Bela sem graça.
- Se fizer muitos cursos pode ser que melhore amiga. – Milla desvia os olhos da amiga. 
- Mas como artista plástica eu não conheço ninguém tão boa. – Isadora afirma.
- Então bora comemorar!
- A carreira da melhor artista plástica? – Milla grita empolgada.
- Não, a minha carreira relâmpago de atriz!



Texto: Grazy Nazario. 







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sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Prostituta de luxo - Crônicas do dia a dia



Isadora e Milla se encontraram com Flor.
- Oi amiga. Te liguei e você não me atendeu. Não íamos pra academia juntas? – Disse Milla.
- Sim. – Respondeu Flor pensativa. – É que eu estava numa ligação, por isso não atendi naquela hora.
- O que você tem? Tá aluada. – Perguntou Isadora.
- Sei lá, uma coisa estranha.
- O que foi?
- Se lembram do Adamastor?
- Claro né Flor, com este nome! – Isadora gargalhou.
- Não é aquele tiozinho que queria sair com você? – Disse Milla.
- Mais ou menos. O amigo dele que me convidou pra jantar algumas vezes.
- Sei... – Resmungou Isadora. – De qualquer jeito os dois são velhos pra você.
- Sim. Mas o Adamastor nem tem intimidade comigo, e hoje me ligou pra me fazer uma proposta bizarra.
- Shiiii! Que proposta?- Disse Isadora.
- Ele me perguntou como estava o meu dia, se eu estava muito ocupada. Eu respondi que nada especial, mas por que ele queria saber.
- Ai ai ai – Resmungou Milla.
- Ai que veio a loucura. Ele me disse que tinha um amigo dele de passagem na cidade, e que ele estava ocupado resolvendo coisas familiares e não conseguiria dar atenção pro cara, mas que pensou em mim como a companhia perfeita.
- Como assim Flor! Guia turístico? – Disse Milla rindo.
- Acho que sim. Flor riu. – Ele perguntou se eu conhecia bem a noite paulistana.
- Entendi, tipo uma prostituta de luxo? – Gritou Isadora.
- Você não foi né amiga! – Disse Milla.
- Claro que não! Não conheço o cara.
- Ufa!
- Você acha que ele me chamou de prostituta? – Flor disse pensativa.
- Logico Flor!
- Eu não pensei nisso na hora. – Flor fechou o cenho.
- E você respondeu o que pra ele? – Perguntou Isadora. - Vamos avaliar as intenções dele.
- Eu disse que não podia ir porque estava ocupada, e não conhecia a pessoa, e isso era estranho.
- E ele? – Perguntou Milla curiosa.
- Falou pra eu não me preocupar por que o cara era “gente boa”, e que ainda por cima era “mão aberta”!
- O que? – Gritou Isadora furiosa. - Que cara de pau! Como você é lerda Flor! Este cara merecia umas bolsadas na cara pra ficar esperto. 
- Mas foi por telefone! – Flor riu sem jeito.
- Sua tonta! Merecia bolsadas assim mesmo! Se você quisesse se prostituir era problema seu, mas ficar te oferecendo este velho babão!
- Que cara nojento amiga. – Milla resmungou. – Estes caras perderam a noção, confundem educação com liberdade, e libertinagem! É incrível a cara de pau desse cara.
- E o pior é que a Flor perde a oportunidade de xingar um nojento desses!
- Ah cretino! Pensando por este lado você tem razão Isadora. Ele tava com um ton sacana, deu umas risadinhas... Pensa que por que to solteira, to disponível pra agradar qualquer um! Até parece que vou me vender por um jantar. – Flor revirou os olhos. – Eu trabalho pra pagar por isso. Ta vendo por que não querem a emancipação feminina?!
- Flor, mas você precisa melhorar essa percepção neh, ou será que o cara vai precisar dizer: quanto é o programa? Pra você se ligar!
- Nunca eu ia imaginar isso. O cara me conhece do trabalho!
- Mas deveria! – Disse Milla. Eu não sei como você não foi, só pra não desagradar o cara!
- Ele merece umas vassouradas! Te juro. – Disse Isadora.
- To sem acreditar como fui ingênua, deveria ter brigado com ele, pra não fazer isso nunca mais com ninguém!
- Agora já foi Flor, também não precisa se torturar com isso. – Disse Milla.
- Se fosse eu já tinha ligado e falado uns desaforos! – Disse Isadora.
Flor pegou o celular.
- O que você esta fazendo gata? – Perguntou Milla.
Em seguida o telefone de Flor tocou.
- Oi Adamastor, to bem sim. Não quero saber da proposta não. Só te liguei pra dizer umas coisas. É que naquela hora estava dirigindo e não consegui raciocinar direito. Eu não sou prostituta, e se fosse nem você ou seu amigo não teriam dinheiro pra pagar.
Isadora e Milla se olharam espantadas com cara de riso.
- Sairia de graça com quem eu tenho vontade, mas ser educada com você não quer dizer que te dou este tipo de liberdade.
Flor ficou em silencio ouvindo o que o homem dizia.
- Eu não entendi nada errado, não sou guia turístico também, mal te conheço, nem este cara. – Flor começou a ficar vermelha.
- Chega Flor! – Milla bateu as mãos na frente da amiga. Flor continuou a falar as mesmas coisas. Isadora também começou a abanar as mãos.
Flor desligou o telefone.
- Pronto, agora vou dormir tranquila. – Ela respirou. - E ele nunca mais vai fazer isso com ninguém!
e- Você é louca amiga, ta parecendo adolescente que não sabe o que dizer na hora, e depois quer voltar a briga. – Milla gargalhou.
- Ta certo menina, não dava pra dormir com isso na garganta! – Disse Isadora.
- Flor, me lembrei de uma coisa, este cara não é aquele que vai trabalhar com você no projeto daquela empresa?
- Sim. – Flor respondeu sem graça. – Ele mesmo.
- Mulher, to achando que você exagerou. – Disse Milla. – Vocês vão trabalhar juntos!
As três amigas se olharam.
Flor ficou pensativa.
- Que nada! – Flor gargalhou. - Ele que fique esperto, ou abro um processo por assedio!



Texto: Grazy Nazario. 

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Meninos e meninas - Crônicas do dia a dia


Isadora esperava as amigas em sua casa, Milla e Flor já estavam por la, sentadas e assistindo o vôlei da seleção feminina. Aguardavam Bella que pediu aquela reunião, e logo chegou.
- Quem deixou neste canal? – Perguntou Flor. – Eu quero assistir saia justa!
- Para né Flor! – Retrucou Milla- Saia Justa você assiste a hora que quiser.
- Eu não gosto de voley Milla, no máximo futebol, pra ver meu timão jogar! – Ela riu.
- Parem de encrenca meninas. – Disse Isadora com a voz séria. – A Bella esta querendo falar, e parece que a coisa é seria.
- Coisa séria?  A Bella é a garota mais seria que eu conheço! – Flor Gargalhou.
Todas as meninas a encarou. Flor fechou o sorriso e baixou os olhos.
- Ah tá. Entendi. - Sussurrou.
Bella sentou-se de frente para as três amigas.
- Meninas, tem algo que quero conversar com vocês sobre mim. Eu quero falar isso por que as vezes é difícil precisar mentir ou não confiar, então decidi que é o momento de contar.
- Nossa, você matou alguém? – Interrompeu Flor.
Isadora a fuzilou com os olhos.
- Eu que vou te matar! – Isadora grunhiu os dentes. – Deixa de ser tão ansiosa.
- Fala amiga. – Disse Milla com a voz suave. – O que aconteceu?
- É que eu não gosto só de meninos. – Bella suspirou, como se algo pesado saísse de suas costas. – Eu gosto de meninos e meninas. Entendeu? – Ela olhou para Isadora.
- Tipo bissexual. – Disse Isadora.
- Isso. – Respondeu Bella.
- É só isso Bella? – Disse Flor. – Mas você matou alguma garota enquanto transava com ela, ou coisa do tipo?
- Não Flor. – Bella Revirou os olhos. – É só isso mesmo. Quer dizer, tem uma questão, mas não tem nada a ver com agressão ou morte. – Respondeu Bella.
- Ah que bom! – Flor suspirou. – Então ta ok. Gosta de meninos e meninas, isso é legal. Normal, não entendi por que tanto drama, mas se é apoio que você quer está tudo certo.
- Milla?
Bella perguntou e olhou para a amiga.
- Certo. – Milla gaguejou. – Entendi. Quer dizer, não entendi nada! – Ela riu sem graça- Estes dias atrás você esta super irritada por conta do Flavinho que você namorou por 2 anos, e ficou em dúvida se saía de novo com o Paulo. Eu to confusa.
- Então, o Paulo era Paula, é que eu não me sentia pronta pra contar pra ninguém. – Disse Bella.
- Certo. Mas o Flavinho era Flavio mesmo, eu conheci. – Disse Milla para si mesma.
- Sim. – Bella sorriu. - Por isso disse que sou bissexual e não lésbica. – Ela encarou a amiga. – Não me pergunta do que eu gosto mais, não existe coisa de preferência, ou querer experimentar isso ou aquilo. Eu gosto de pessoas, das duas coisas, entendeu.
- Não. – Milla sorriu. – Mas te respeito amiga,  aceito a sua opção sexual. 
- Então qual é o problema? – Perguntou Isadora.
- Estou enrolada com a Paula. – Bella olhou para as amigas.
- Como assim enrolada?- Disse Flor. – Vocês estão ficando, ou namorando... O que tá pegando?
- É isso. Ela só quer ficar de pegação. – Ela suspirou.
- Vixe. Você queria isso com o Flavinho né. – Que rolo do caramba! – Disse Flor.  Num to entendendo mais nada.
-Espera. – Isadora se intrometeu. – Você estava namorando o Flavio, deixou de ficar com ele porque não queria compromisso e queria uma pegação boa com a Paula. Dai você ficou afim de namorar a Paula, e ela não quer nada sério?
- É... – Bella riu. – Mais ou menos este rolo.  – Mas a Paula ta me enrolando, eu acho. Diz que vai sair comigo, marca e não vai... Acho que ta enrolada com outra garota.
- Puta merda! – Gritou Milla.  – As mina estão tipo os caras! Pensei que teria alguma vantagem em sair com mulher, mais romantismo, quem sabe!
- Como eu disse Milla, são pessoas, isto uma questão de comportamento e não de gênero. Mulheres ou homens não são de um jeito ou de outro, pessoas sim.  
- Você tem razão. – Disse Flor.- Isso é uma loucura! – Mas fala ai, o sexo é bom? – Ela riu.
- Cala a boca Flor! – Disse Isadora e Milla numa única voz.
- A menina ta deprimida, e você quer saber se a outra transa bem. – Gritou Isadora.
- É curiosidade! – Defendeu-se Flor.
- Olha o foco. – Disse Milla. – Vamos pensar no que a Bella ta em duvida.
- Quero um conselho. Não sei se eu insisto ou deixo ela pra lá.
- Manda ela ir pro inferno! – Respondeu Isadora. – Menina folgada.
- Ah amiga... Arrisca tudo por ela, se você sente que se gostam, e ela só esta confusa. – Disse Milla.
Bella olhou para Flor que comia alguns amendoins.
- Eu! – Ela sobressaltou. – Então Bella, eu acho que você não precisa fazer nenhum ou outro, você pode curtir ela e os momentos sem precisar cobrar nada uma da outra.
- Isso é impossível Flor! – Gritou Isadora.
- Talvez você nem goste tanto dela assim, e como ela te tira do sério e te faz esperar por atitudes isso te instiga. Com os garotos funciona assim. Por que com as meninas seria diferente?
- Mas eu quero ficar com ela. – Respondeu Bella.
- Então fique. Mas dê espaço pra ela mostrar se esta afim de você também. Então decide se quer continuar ou não, mas acho que decidir isso agora é precipitado.
- Pode ser que você tenha razão. – Bella ensaiou um sorriso.
- Eu também acho que tenho razão. – Flor riu. – Se você não for apressada tomará a decisão com mais certeza.
- Verdade! – Concordou Bella.
- Até que enfim uma boa conclusão de quem só pensa em sexo, drogas e ronck roll! – Divertiu-se Milla.
- Meninas, a Mina que eu falei esta me chamando pra ir numa baladinha gay. Vamos?
- Claro! – Gritou Isadora. – Topo.
- Eu também! – Disseram Flor e Milla.
- Nessas horas é muito bom ser mulher, eu sou uma garota de sorte! – Respondeu Bella.
- Por que diz isso? – Perguntou Milla.
- Homens bissexuais ou homossexuais não costumam ter amigos héteros, geralmente eles mudam todo o seu circulo de amizade quando se assumem. - Bella revirou os olhos. – Coisa louca. 
- Isso é verdade. - Disse Isadora. - Todas temos sorte. 
Vamos sortudas, logo pra balada, por que hoje eu vou é me divertir!
- Bora pra baladinha! – Gritou as amigas.









sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Crônicas do dia a dia - Sogra briguenta


- Meninas eu tive uma briga feia com meu filho! – Gritou Isadora.
- É normal brigar com os filhos. – Bella gritou da cozinha. – Larga de tanta aflição.
- O problema é brigar por que ele ta namorando. – Isadora pigarreou. – E briguei também com a namorada dele.
- Não me diga que você é daquelas mães que se sentem dona da vida do filho. – Disse Flor. – Você tem vida própria, pelo amor!
- Você fala isso por que não tem filhos Flor, o Matheus ta saindo com uma menina pavorosa. É uma safada!
Milla gargalhou.
- Por que você ta xingando a menina? Já vi tudo, é a velha rixa entre sogra e nora!
- Só pode ser isso! – Flor confirmou.
- Não é nada de rixa! A menina não sabe o que quer, uma hora namora e outra termina, tem um ex-namorado que fica perturbando... A cretina fica fazendo meu filho de idiota.
- Mas isso é normal né Isadora, são adolescentes! – Bela se sentou no sofá.
- Não acho normal não, se quer assumir compromisso que saiba o que ta fazendo.
- Nossa você vai querer casar eles quando mesmo?! – Flor gargalhou.
Isadora se enfureceu e colocou as mãos na cintura.
- Esta menina é uma safada, sem vergonha, pra não dizer uma vagabunda de beira de esquina!
- Êpa! Pera ai. – Bela se levantou. - Então todas nós somos tudo isso, inclusive você! Quando você aponta o dedo pra uma mulher, ele ta apontado pra você também.
- Calma Bela, a menina também não é santa. – Disse Milla.
- Ninguém é! – Gritou Flor. – Eu tô com a Bela. Se for assim nenhuma de nós presta.
- O seu filho esta conhecendo pessoas, como ela. – Bela disse com calma.
- Mas então por que querer se comprometer e ficar toda hora terminando e de rolo com o ex? – Milla Cruzou os braços.
- Cada um tem um jeito. Se o seu Matheus não tá curtindo o que ela ta fazendo que saia fora, que namore outra. Tod@s ficamos confus@s as vezes.
- Até parece que é fácil assim neh. – Isadora fechou o cenho. - Tô com pena do meu filho, coitado.
- Mas todo mundo sofre por amor Isadora, isso é normal. – Flor suspirou. Esta se preocupando a toa.
- Sofrimento é ouvir as suas falas machistas. – Bela cruzou os braços. - Imagine se o Matheus fosse uma menina!
- Ia ser terrível também. – Isadora grunhiu. – Mas mulher quando quer mandar...
- Homem bate, humilha, faz de tudo quando quer mandar também. – Flor insistiu.
- Mesmo assim...
- Não tem isso Isadora, as mulheres conquistaram certa independência, mas as questões machistas são muito fortes. – Bela olhou pra amiga. - E você ficar falando que a menina que o seu filho ta saindo é vagabunda, por estar indecisa ou conhecendo pessoas, como ele também faz, não ajuda em nada.
Isadora ficou quieta, com os olhos arregalados.
- Não tinha pensado por este lado.
- É que a gente costuma olhar só o nosso lado. – Disse Flor.
- Flor você não tem filhos, não entende como é difícil esta fase.
- Eu não preciso ter filhos Isadora, eu tenho a mim, as minhas experiências, de amigos, sabemos que às vezes o amor não bate com a pessoa que a gente quer, ou estamos em vibes diferentes, daí sempre tem alguém que se machuca. Relações são difíceis, isso não é segredo.
- Isso é verdade. – Disse Milla.
- Não sei nem o que dizer. – Isadora suspirou. – Pelos filhos a gente fica cega. O que eu tô falando não tem nada a ver mesmo. – Ela suspirou.
- Eu sei que você não é má pessoa, e que ta querendo defender o seu filho. Mas eles precisam aprender a se defender sem colocar a culpa em ninguém.
- E a culpa sempre é da mulher né! – Flor bufou. – Isso cansa. Meninas também querem se divertir, tipo como nós também fazemos e meninos sempre fizeram.  
- E isso não quer dizer que não fazemos umas palhaçadas as vezes, todo mundo faz! – Disse Bela. - Somos humanas.
- É claro que erra, todo mundo pisa na bola as vezes. Então diga que ela é mau caráter, traíra, ou infeliz... Fala do que ela fez e não pelo gênero. Isso é horrível!
- Isso não adianta nada Bela. – Milla revirou os olhos. – Nada a ver não xingar a pessoa do jeito que a gente quer, estamos acostumadas a falar essas coisas, na hora do nervoso sai.
- É só desacostumar ueh! Ninguém nasceu dizendo isso. Aprender outras coisas faz bem, evolui!
- Nós mudamos aos poucos, outras pessoas também. Assim as crianças não veem nada disso e não repetem. Quando vai ver, daqui a 400 anos vai estar praticamente extinto xingar uma mulher de vagabunda, puta ou qualquer coisa dessas.
- Sim, vagabunda só se ela não trabalhar. – Flor gargalhou.
- Vocês estão certas meninas. – Isadora suspirou. – Fiquei até com vergonha agora.
- Bom é você ver que este não é o caminho. - Disse Bela. - Eu sei falando de filhos é difícil controlar. Eu fico preocupada com a Julia também, e ela só tem 12 anos, mas quando começar a namorar não vai ser fácil.
- Eu sei, vou pensar mais nisso que você disse. – Isadora quis chorar. - Mas continuo preocupada, eu vi o meu filho chorando tanto, fiquei morrendo de dó! Acho que ele nunca mais vai ficar normal de novo ou vai demorar muito. Já faz uma semana que ele tá mal.
- Isso passa, todo mundo já chorou por isso. – Disse Flor olhando as unhas.
- Logo ele vai ficar bem. – Disse Milla. – Eu sei bem o que é isso. – Ela riu.
- Quando isso passar vou comemorar. Nem que seja com beijinho e brigadeiro, por que é digno de uma festa!
A porta abriu.
Matheus entrou em casa cantarolando.
As quatro meninas pararam de falar e se olharam.
- O que você tem? – Isadora colocou a mão na testa do filho. – Você estava chorando feito uma criança ontem a noite.
- Eu to bem mãe.
- E a Aninha? Vocês estão bem?
- Mais ou menos. – Disse Matheus. - Ah mãe eu to falando com a Flavinha, a menina é mó gente boa. A gente ta marcando de ir no cinema amanhã.
Isadora arregalou os olhos.  
- Entendi filho.
Na cozinha Isadora abriu a geladeira.
- Meninas, alguém quer bolo de chocolate!? - Isadora gargalhou. 

Texto: Grazy Nazario.





Não é só no circo que tem palhaço

  Flor chega em casa furiosa. Joga a bolsa no sofá, bebe água e olha o celular. Percebe que tem pelo menos dez mensagens. Ignora todas e b...