quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Prazer sem tamanho - Crônicas do dia a dia



- Meninas, ontem enfim sai com o Paulão! – Disse Flor empolgada.

- Ebaaaaa! – Milla falou ao correr pela sala da amiga. – Até que enfim! – Ela bateu palmas.

- Me conta tudo sua maníaca sexual. – Exigiu Isadora enquanto saboreava sua marguerita. – Ela riu. – Conta logo, ele mandou bem?

- Vamos Flor, pare de matar a gente de curiosidade. – Isabela sentou no sofá e fixou os olhos na amiga. – Quero saber dos detalhes sórdidos.

- Vocês nem imaginam. – Ela torceu o lábio, e balançou a cabeça. – Foi uma decepção.

- Como assim amiga, com aquele bíceps e tanquinho! – Retrucou Milla. – Você ta brincando.

- Lógico que eu não ia brincar com isso Milla, o cara foi horrível!

- Mas o que aconteceu? Vocês não se sentiram á vontade um com o outro, ou não rolou química mesmo? – Perguntou Isabela.

- Já sei! Ele tem o pinto pequeno! – Isadora gargalhou.

- Até que não, o instrumento dele tem um tamanho bom. – Flor riu. – É que ele não sabe usar mesmo, ficou se olhando no espelho o tempo todo, colocando uma força nada a ver, parecia que estava na academia puxando ferro, o cara foi um mala.

- Meu Deus!  Tanta demora e suspense ele fez, e o cara é sem noção!? Aposto que não se preocupou com seu prazer. – Milla cruzou os braços emburrada.

- Gata, ele se preocupou com o espelho. – Flor bebeu cerveja. – Garanto que não tem nada a ver com o tamanho, ele não sabe usar mesmo.

- Como assim, vai dizer que você acha que tamanho não é documento?- Perguntou Isadora.
- Eu acho que é documento sim. – Gritou Milla. – Gosto de um documento grande e bem apresentável.

- Eu não concordo. – Disse Isabela. – Posso dizer que o mais importante é se entenderem nas preliminares, posições e no tempo certo.

- Você só namorou dois caras Isabela, e não transou com muitos além deles. – Milla se intrometeu.

- E o que isso tem a ver Milla? – Disse Isabela

- Ué, que você não te muito parâmetro. – Milla riu.

- Calma gente, eu concordo com a Isabela. – Flor se jogou no sofá. – Tamanho não é o mais importante. Mas eu compro do tamanho que eu quero na lojinha! – Ela gargalhou.

- Mas tem a sua importância, se fosse assim ninguém queria sexo com penetração, ficariam sós nas preliminares e tava linda! – Milla insistiu.

- Eu já namorei um japonês. – Gritou Isabela. – E o dele tinha um tamanho normal.

- Ta, mas ele mandava bem? – Perguntou Isadora.

- Não! – Isabela gargalhou. – Caraca, a gente ta mal hein!

- Eu já fiquei com negão, e o tamanho “super” é lenda, mas ele foi bacana. – Disse Isadora.

- Eu já sai com um super dotado! – Milla gargalhou. – Foi maravilhoso. – Mas ele se achava muito, ficou me dando canseira pra sair de novo. – Ela revirou os olhos. – Estes caras são folgados...

- Para Milla! – interrompeu Flor.

- Eu não ia dizer nada demais. – Milla fez cara de desentendida.


– Estamos falando de tamanho de pinto e performance sexual, e isso não tem nada a ver com romance ou namoros. – A moça sorriu suavemente. – Já sei onde você vai chegar com essa conversa.

- Nossa que falta de romantismo. – Ela torceu a boca descontraída. – Namorar um cara que transa bem é muito bom tá!

- Sim, é o CEU! Mas não é este o caso agora. – Flor se levantou, e gesticulou com as mãos. – O caso é como eles se comportam com as mulheres, em tempos que sabemos diferenciar quando uma transa é boa ou ruim.

- Entendi, gostei disso. – Milla sorriu. – Podemos falar disso com alguma propriedade. - Mas continuo gostando dos que tem um grande “potencial”.

- Eu também acho que quando maior pode ser mais divertido, por que se o cara não mandar muito bem no resto, pelo menos dá pra falar de alguma sensação né. – Isadora se divertiu.

- Dor também é sensação ta gente! – Isabela se levantou. – Essa conversa ta me dando arrepios.

- Eu acho que é relativo. – Flor se intrometeu. – Eu já transei com um cara que tinha o pinto pequeno e não era grosso. - Ela riu descontroladamente. – Mas ele mandava super bem, sai com ele várias vezes, era muito bom. – Ela fez cara de prazer. – Acho que vou ver se ele ainda esta na minha lista de contatos.  

- Então quer dizer que estes caras super bombados não funcionam bem? – Disse Isadora. – Pensei que fosse lenda.

- Comigo não rolou. Mas pode ser que funcione. – Disse Flor.

- Para o sexo ser bacana, acho que ser tudo na medida, tamanho, química e pegada, e o Paulão não se importar com nada disso é mega decepcionante. Aff, já que vai fazer que faça direito neh. – Disse Isadora com as mãos na cintura.

 – Que chato, colocar uma lingerie nova, roupa, se preparar toda pra não sentir uma gotinha de prazer. Muito babaca. – Milla Cruzou os braços.  

 Flor se levantou e pegou o celular. E em seguida voltou decepcionada.

- O que foi Flor, por que fez esta cara?  - Perguntou Isadora. – Não me diga que esta preocupada se o Paulão te ligou.

- Imagina, quem iria querer viver aquele horror de novo? – Ela ficou pensativa. – E... Duvido que ele fale comigo de novo, sé se fosse bem resolvido. – Ela revirou os olhos. – O que é difícil para homens desse tipo.

- Mas o que você fez pra ele? - Disse Milla.

- Nada demais, mas acho que ele não gostou muito. Eu tinha levado os meus brinquedinhos, e ele não quis nem olhar. Então depois que ele parou e me deixou na vontade eu fui ao banheiro, e disse a ele que sentiria prazer sozinha. – Flor olhou pra amiga com cara de safada.

- Você não fez isso sua louca?

 As três gritaram com os olhos esbugalhados.

- E por que eu não faria? Ele ficou bravo, mas a esta hora já estava sem força pra qualquer coisa, pediu pra eu esperar um pouco, mas eu estava cansada. Varias marcas roxas!

- Você enlouqueceu. – Afirmou Isadora com a boca aberta.

- Ele ficou tanto tempo agindo como se estivesse competindo que se esqueceu do mais importante, interagir. – Flor deu de ombros. 

- Você tem razão! – Milla gaguejou. – Ele mereceu.

- Assim, quem sabe quando ele sair com outra garota aprenda a ouvir e se importar, sexo é troca de prazer. – Flor levantou o copo em brinde.

- Verdade. – Riu Isadora. – Mas acho que pro Paulão só uma coisa ajuda.

- O que? – Disse Flor.

- Que tirem todos os espelhos do motel!





Texto: Grazy Nazario.


sábado, 25 de agosto de 2018

Calcinha de dormir - Crônicas do dia a dia


Isabela entrou no carro e ligou o motor, saiu as pressas enquanto ouvia o tagarelar da amiga.
Em menos de duas quadras o carro levou uma fechada de uma moto, a moça pensou rápido e saiu pra sua direita. Ouviu-se a derrapada forte, o carro que vinha no sentido contrário tentou desviar, mas bateu próximo a porta da motorista, prensando toda a parte dianteira.

Isabela soltou um grito, e em seguida começou a chorar.

- Esta tudo bem com você Bela? Fala comigo Isabela, por favor! – Perguntou Isadora com tranquilidade.
- To bem. – Respondeu a moça. –  Eu não consigo mexer o meu pé, deve estar preso em algum lugar. – Ela resmungou controlando a respiração e aos poucos se acalmando.

Cerca de trinta minutos depois chegou a ambulância, Isadora e Isabela conversavam quando um homem alto e forte chegou próximo do carro onde estavam as amigas.

- Bom dia senhoras. Estão conscientes? – Perguntou o homem.

- Muito bem. – Respondeu Isadora entre os dentes. - Melhor agora.

- Por favor, Isadora. - Ele veio me socorrer. – Isabela sorriu.

– A minha amiga esta com o pé preso na lataria. – Isadora disse imediatamente.

- Meu nome é Jota. Deixa eu olhar como estão as coisas por ai.

O homem examinou a parte que estava prendendo as pernas de Bella.

- Espero que não goste muito dessa calça.  Ele sorriu descontraído. - Vamos tirar você daí. – Ele disse em confiante. – E saiu em direção a ambulância.

As meninas riram presunçosas.

- Nossa que profissional da saúde! – Isadora se abanou. – No meu trabalho não tem nenhum desse ai, nem para fazer de colírio para os olhos. – Ela gargalhou. – Seria bom demais, ou não ia prestar, por que ninguém ia trabalhar.

Isadora olhou pra amiga e viu seu semblante fechar, de uma hora pra outra seu rosto ficou pálido, e sua boca pareceu querer arroxear.  Isabela estava preocupada demais, ou prestes a desmaiar.

- O que foi garota? - Isadora gritou.

- O que ele disse sobre a calça? - Perguntou Isabela como se tivesse em transe.

- Ele falou aquilo porque a sua calça deve ser toda cortada neh, isso é normal. 

- Eu não posso ir para o hospital. – Respondeu a motorista com convicção. 

- Que isso garota! Ta devendo o que? - Retrucou Isadora.

- Não to devendo, não quero ir. – Disse a moça com a voz alterada.

O atendente da emergência chegou:

- Vamos lá moça, acabar com isso ai.

- Eu não quero ir para o hospital Jota, me deixe ir pra casa. Eu estou bem. – Isabela tentou ser convincente, mesmo com a voz fraca dissimulando a dor. 

- Eu não entendi essa agora Jota, garota estranha. – Isadora resmungou.

Isabela fixou os olhos na amiga. e passou a mexer todos os músculos faciais possíveis, era o nariz entortando, a boca gemendo, os olhos piscando desesperadamente, tudo ao mesmo tempo.

Isadora percebeu que tinha algo errado, mas ainda assim caiu na gargalhada.

- To entendendo é nada!

Isabela começou a mexer a cabeça em direção a sua virilha. A amiga arregalou os olhos.

- Eu vou te matar Isadora! – Disse Isabela enquanto Jota e mais um agente tirava o seu pé das ferragens. 

Em seguida ela gritou. 

– Ta doendo muito, ta insuportável.

- Pelo que vi o seu pé esta quebrado em três partes, isso é serio. Vai precisar de cirurgia. - Afirmou Jota

- Não! – Isabela berrou.

Todos a olharam. 

Em menos de dois minutos ela estava na ambulância a caminho do hospital, as duas amigas enfim estavam a sós.

- Não entendi nada das suas macaquices Isabella, você ficou se estremecendo toda. – Você ta afim do boy? Não tem problema...

-  Fica quieta. - Isabela cochichou. – E eu lá tenho cara de fazer uma coisa dessas, parece que não me conhece! – Ela respirou fundo. - Eu to com uma calcinha rasgada. – Seu rosto  ficou vermelho, mais que a lua em dia de eclipse.

Isadora abriu uma boca imensa, maior mesmo só os seus olhos de espanto.

- Como você sai de casa pra me levar numa consulta com uma calcinha rasgada?! – Ela ergueu o corpo e pôs a mão na cintura. – Você é louca, só pode!

- Eu não ligo muito pra essas coisas, você sabe. – Respondeu Isabela.

- Percebe-se. – Isadora bufou. – De quanto a respeito de rasgada estamos falando?

- Muito. – Isabela engoliu seco.

- Você  disse que não liga né, então por que tanta preocupação afinal. – Ela revirou os olhos. – Se é uma pessoa que não tem condições financeiras eu entenderia, mas você esta bem colocada no mercado de trabalho, isso é desleixo já!

- Não exagera! Eu estava atrasada, sai com a calcinha que usei pra dormir.

- Entendi. Desleixo e preguiça!

- Exagero seu. – Resmungou Isabela.

 Chega! – Isadora ameaçou a rir. – Eu não quero saber mais dessa historia. – Você não liga mesmo, então pode parar com isso. Não pode deixar de operar o pé por conta de uma calcinha furada, deixe o medico pensar que rasgou no acidente.

As duas gargalharam como loucas.

- Imagina se isso acontece comigo, eu sofro um desmaio! – Brincou Isadora. – Calcinha rasgada eu jogo fora. Não da pra usar um troço que não tape nada! Isso é auto cuidado.

- Ta bom, ta bom! Chega de sermão. Eu aprendi a lição, não ligo de usar calcinha rasgada, mas alguém ver é bem constrangedor.

- Vão tirar a sua roupa toda, inclusive a calcinha. – Isadora ficou um pouco pensativa e  riu compulsivamente.

- O que foi?

- Nada... – Isadora balançou a cabeça. – Hoje você faz a equipe de enfermagem rir a toa.  

- Isso, ta me ajudando muito. –Ela fulminou a amiga. - Estou muito melhor depois desse nosso papo.

O carro parou na entrada de emergência.

-  O que me consola é que nada pode ficar pior. – Resmungou Isabela.

O médico chegou, olhou para o pé da acidentada.

- Que coincidência boa, uma fratura em três partes, é disso que eu preciso. - O medico levantou a mão e chamou uma moça. - Peça para todos os estagiários da emergência vir para a sala de cirurgia do terceiro andar, farei uma cirurgia de algo que estamos acompanhando esta semana. São um total de 25 pessoas.

Isabela empalideceu, enquanto sua maca era empurrada para a sala de cirurgia olhou para a amiga,  mexendo a cabeça desesperadamente.



A cirurgia enfim foi um sucesso, pouco após terminar Isabella estava no quarto.

Ficou ansiosa quando viu a amiga na porta.

- Vai ficar tudo bem comigo, o médico disse que dificilmente ficarei com alguma dificuldade pra andar ou correr, e se eu me cuidar bem em alguns meses estarei 100%.

- Isso é maravilhoso. – Isadora disse feliz.

- Eu acho que o médico percebeu que eu estava constrangida por conta da calcinha, que não tinha um furo, aquilo era um  tiro  de canhão. Eu pedi pra ele não chamar os estagiários.

- Nossa que coragem, e ele disse o que? - Questionou Isadora.

- Que ali eu era um instrumento para estudo, e que estava contribuindo para formar médicos e ajudar pessoas a se saírem bem de uma fratura como a minha. E também falou que a medicina é bem clara quanto à questões de ética e profissionalismo. 

- Nossa, ele é bom!

- Sim, eu fiquei muito mais tranquila, depois disso relaxei, eu já tava ali mesmo não é! – Isabela sorriu. – Não tinha o que fazer, decidi não me preocupar.  

- Verdade. – Isso é bom. - Garantiu Isadora.

Flor e Milla apareceram na porta do quarto.

- Oi meninas! – Que bela visita.

- Bela, me diz que você não é a Isabela da calcinha furada do leito 12? – Perguntou Milla com o semblante preocupado.

Todas as amigas se olharam simultaneamente, e em seguida para o numero abaixo da cama. N-12.

Isabela Ficou vermelha de raiva.

- Malditos estagiários!

Texto: Grazy Nazario. 





terça-feira, 7 de agosto de 2018

Curiosidade mata - Crônicas do dia a dia



Flor estava ansiosa, depois de devorar uma caixa de bombons, e beber sozinha duas garrafas de vinho, ouviu a campainha tocar. 

Isadora entra animada.

- Oi minha linda!

Logo atrás dela estavam Milla e Bella. Ambas beijaram Flor, que a esta altura estava pálida e transpirava descontroladamente.

- Que cara é esta Flor? – Pergunta Isadora com sua voz de papagaio esvoaçante, como de costume.

- Eu vou morrer! – Responde Flor abaixando a cabeça em cima da mesa. – São meus últimos dias de vida. – Ela diz com a voz mole, e começa uma choradeira.

As três amigas arregalam os olhos.

- Você esta bêbada, sua louca! - Pergunta Milla curiosa como se quisesse rir. – Enlouqueceu?

- Não brinca com essas coisas Flor. – Bella diz preocupada. Passa a mão nos cabelos da amiga. – Fala logo o que aconteceu. Isso é drama por conta de algum crush!

Flor aumenta o volume de choro.

- Eu não tenho crush. Sou um caso perdido Isabella. 

- Acabei de crer, dessa vez você perdeu o rumo da sanidade mesmo, só pode! – Isadora gargalha. E fica pensativa. – Isso são excessos de hormônios, certeza. – Isadora diz convicta.

-Para de chorar. – Milla pede irritada. – Fala alguma coisa.

- Isso é exagero da Flor. – Isadora revira os olhos. – Eu aposto quanto você quiser que ela ta na TPM, ela sempre fica desse jeito. Mês passado teve crise existencial. – Isadora levanta as mãos para o alto. – Ainda bem que não tenho isso, eu já teria agredido algumas pessoas.

- Será que é isso? – Isabel pôs a mão no queixo.

Flor fez silêncio, levantou e pegou envelopes que estavam em cima da mesa da sala, levou para as amigas, e entregou nas mãos de Isabel.

- Olhem isso.

- O que tem isso Flor!?  - Pergunta Isadora.

- Você não sabe ler? – Flor enxuga o rosto.  Você não trabalha na saúde? Esta dizendo que eu tenho miomas malignos, que eu terei que arrancar o meu útero, que eu vou morrer, e jamais poderei ter filhos! – Flor recomeçou a crise de choro.

- Mas amiga, você sempre disse que não queria ter filhos de jeito nenhum!

- CALA A BOCA MILLA! – Gritaram Bella e Isadora numa única voz.

- Mas ela sempre disse mesmo. – Milla sussurra.

Isadora encarou Milla como se fosse possível asfixiar com a mente. 

- Calma minha linda Flor. – Bella diz com a voz calma e levemente embargada. – Estamos aqui, vamos ficar juntas. - Já conversou com a sua família?

- Não. – Flor encheu uma taça de vinho. – Eu estou muito triste hoje, já chorei o bastante pra encher uma represa em tempos de crise de chuva. Eu quero beber mais.

Isadora e Milla se olharam, e os olhos entristeceram.

 - Que coisa chata amiga. – Diz Milla com a voz delicada. – Você já sabe o que precisará fazer? Vamos ajudar em tudo.

- ESPERA AÍ! – Grita Isadora.

- Para de berrar Isadora! – Temos uma mulher doente aqui.  

- Também não precisa falar assim neh Milla, daqui a pouco vai me enterrar. – Disse Flor.

- Parem de escândalo meninas. – Interrompe Bella.

- Que médico safado é este que você foi?  Pelo amor de Deus Flor! Não pode ser. – Isadora levanta os exames.

Flor levanta a cabeça devagar, com os olhos cheios de olheiras e sorri um pouco sem graça.

- Médico? Como assim.

- Ele não sabe ler um exame direito? – Pergunta Isadora. – De onde ele tirou que você vai morrer? Vou denunciar o CRM desse patife, como pode falar uma coisa assim, se a pessoa não morre de doença, morre de infarto!

- O que você esta falando Isadora? – Pergunta Bella. – O que tem escrito aí?

- Não esta falando nada sobre morrer em alguns dias. – Isadora respondeu irritada. – Existem sim uns nódulos minúsculos, mas a biopsia já diz que são benignos. Isso é normal, não tem nada disso de tirar útero, inclusive você pode engravidar normalmente.

- Devem ter outros exames Isadora. – Resmungou Bella- Cadê os outros exames Flor, deixa a Isadora olhar pra deixar a gente mais tranquila.

Flor abriu os dentes sem sorrir.  

- Não tem mais exames. São só estes mesmo. – Ela pegou o envelope das mãos da amiga. – Eu peguei os resultados ontem.

- E quem é este médico? – Insiste Isadora.

- Eu sei o que estou falando gente. – Ela disse meio aos soluços. – Coloquei todos os sintomas no google, o diagnostico é certeiro em mais de três sites. O dr. Google foi preciso!  

As amigas se olharam simultaneamente raivosas.

- Então eu não vou morrer? – Resmunga Flor.

- Sua doida irresponsável. Você nem passou pelo médico ainda, e ta querendo matar a gente de preocupação! – Isadora fecha os punhos. –  A minha vontade é de matar você! Vá até o médico e depois confirme isso direito.

- Você tem certeza disso? – Diz Flor enquanto ergue a cabeça.

- Eu já li vários exames desse tipo, esta tudo bem. – Responde Isadora.

- Eu nunca tinha pensado sobre isso de morrer. – Flor suspira. – Acho que vou fazer uma produção independente, escrever um livro e plantar uma arvore.

Todas riram.

- Você é louca! – Resmunga Milla. – Isso não se faz.

- Agora to curiosa pra saber se esta tudo bem mesmo. – Disse Flor.

- Amanhã você vai ao médico e deixa que ele faça o diagnostico, nada de entrar nessa onda de Dr. Google, isso mata a gente de susto!

- Tudo bem, espero até amanhã. – Ela respirou fundo. - Mas esqueci de falar uma coisa, tem a mamografia que eu ainda não abri, vamos dar uma espiada juntas?

- NÃOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO



Texto: Grazy Nazario. 





quarta-feira, 18 de julho de 2018

Mulheres de Poder - Sexo Seguro


Sexo Seguro


 O Encontro


No bar a musica tocava em ritmo dançante, Isadora estava aflita, não parava de remexer os pés.
- Vamos dançar garota! – Disse Flor no ritmo da musica. - Olha essa musica que maravilha!
- Não consigo Flor! – Respondeu Isadora.  – Estou preocupada e ansiosa.
- Amiga, poder ter certeza de que ele vem. – Milla gargalhou. -  Depois  dessa canseira de quase quatro meses de espera pra uma transa. – Ela riu. – Não demora e ele já chega.
- Eita, todo este tempo só conversando com o cara? – Flor arregalou os olhos. – Então este é o Sandro, seu ex-namorado de dez anos atrás!
- Também não exagera né Flor, não nos vemos há uns oito anos. – Ela revirou os olhos indignada. - E sim, estamos conversando a alguns meses.
- Ow mulher difícil! – Brincou Flor.
- Não é questão de querer ser difícil, eu queria saber qual é a dele comigo. Se for pra gente sair só pra uma transa, eu já fico sabendo disso.
- Entendi. – Flor respondeu pensativa. - E você conseguiu saber o que ele quer?
- Não faço a menor ideia! – Isadora gargalhou. – Eu estou rindo, mas é de nervoso.
Neste momento um homem alto, negro e de porte forte chegou, cumprimentou todas as meninas, e em Isadora deu um beijo na boca. Flor apontou uma cadeira e o convidou a sentar. Sandro foi gentil, mas disse que preferia não se juntar a elas. Esperou que Isadora se despedisse das amigas, e os dois saíram.
Isadora e Sandro chegaram ao motel em ritmo de lua de mel, Sandro estava animado, Isadora era a própria rainha. Assim que se beijaram, e o clima começou a esquentar Isadora perguntou:
- Você trouxe preservativo?
- Como? – Ele disse sem jeito.
- Se você não trouxe não tem problema, pega ali que eu tenho. – Respondeu Isadora apontando na direção de sua bolsa.
- Calma. – Disse Sandro enquanto dava mais uns beijos em sua suposta amada. – Sabe o que é minha linda, camisinha é muito ruim, aperta, machuca, incomoda muito!
- Não vem como este papinho não, Sandro! – Isadora se enfureceu. Levantou da cama irritada, e foi vestindo as poucas peças que tinha começado a tirar. – Eu não acredito que um homem da sua idade vai querer se comportar como um adolescente inconsequente.
- Não exagera! – Respondeu Sandro. – Você sabe que é ruim.
- Ruim é ter uma doença, ou engravidar de uma pessoa que mal conheço, por que esta com frescura pra se prevenir, não dá pra acreditar nisso.
- Deixa de marra. Deita aqui que eu faço você esquecer tudo isso, confia em mim. – Disse Sandro.  
- Perdi a vontade! – Ela cruzou os braços.
 - Não é possível que você vai me deixar na mão! – Sandro levantou da cama irritado.
- Não me enche que eu já estou azeda! – Ela suspirou. – Você sabia que eu fui arrumar meu cabelo, fiz depilação, unhas, passei meu perfume importado para ocasiões mega especiais e coloquei esta roupa que me deixa linda! Tudo a troco de raiva.
- Não estamos numa boa por que você não quer. – Resmungou Sandro.
- Me poupe! – Ela se exaltou. – Pare de tentar passar a responsabilidade pra mim, eu vim até aqui com um proposito, mas não sou obrigada a não me proteger porque você não esta se importando com a sua saúde, ou com a minha. Você esta tentando me intimidar evitando o sexo, quando o óbvio era você se prevenir sem eu precisar pedir.
 - Só acho que não sou um qualquer, não precisa dessa desconfiança toda.
- Eu definitivamente não vou discutir isso com você.
Passado pouco mais de duas horas, Flor dançava e Milla mexia no celular. Isadora entrou pela porta do bar apressada.
- O que você esta fazendo aqui mulher? – Milla arregalou os olhos. – Nossa já voltou. Que trepada rápida foi essa.
- O que aconteceu Isadora? Por que essa cara de quem quer agredir alguém?- Perguntou Flor enquanto se ajeitava na cadeira.
- Vocês não vão acreditar! – Respondeu Isadora com os punhos fechados. – Má hora que eu resolvi dar uma chance pra um cretino desses. Em seguida Isadora contou o acontecido as amigas.
Milla e Flor se olharam no mesmo tempo. Ficaram poucos segundos em silêncio, como se buscassem o que dizer diante da “não transa” da amiga.
- É, realmente não pode. – Respondeu Milla. – Quer dizer que você vai ficar na seca por mais um tempo né amiga. – Ela gargalhou.  
- Não fala assim da nossa enfermeira de plantão. – Flor riu. – Mas o cara não é nada seu, ta se achando demais.  
- Eu não o via a anos, nem sei com quem ele anda. – O cara é louco, e se eu sou uma porra louca?
- Enrolando mais de quatro meses pra transar não é porra louca mesmo! – Se intrometeu Milla.
- Você entendeu sua maluca! – Disse Isadora com a voz visivelmente mais tranquila.
- Verdade, se ele não quis usar camisinha com você é por que não usa com ninguém. – Flor balançou a cabeça.
- Você teve muita personalidade amiga, o que você fez foi muito difícil, eu não sei se conseguiria. - Muito babaca este cara! – Disse Milla.
- Então aprenda para o seu próprio bem, você precisa se cuidar, nenhuma outra pessoa fará isso por você. Qualquer pessoa tem contatinho pra sexo, se for pra ser assim que seja pelo menos sexo seguro né. Não dá trocar um momento de prazer pra ter problemas o resto da vida.
 – Mas tem uma coisa que esta me intrigando. – Flor fez cara de desentendida. - Como você conseguiu vir com ele do motel até aqui depois de todo este barraco?
- Você parece que não me conhece! - Isadora gargalhou desesperadamente. – De jeito nenhum eu entraria no carro daquele maluco. – Respondeu com cara de quem fez arte.
- O que você fez? – Flor arregalou os olhos.
Isadora pegou o copo de cerveja e tomou quase tudo de uma vez.
- Ele não me trouxe, eu o larguei trancado no quarto do motel e vim embora, ele que se vire. E tem outra coisa, ele que não me ligue, por que quem não quer  falar com ele sou eu.





Texto por: Grazy Nazario.

terça-feira, 12 de junho de 2018

Festa de casamento



A festa estava acontecendo a todo vapor,  Milla entrou animada no salão de festas.
- Você esta linda neste vestido rosa! – Disse Flor enquanto dava pequenos saltos.
- Gostou mesmo amiga? – Ela sorriu. – Eu estava em duvida se colocava aquele preto de alça com brilhos.
- Ta linda assim Milla. Para de usar só preto, você rejuvenesceu com esta cor. Adorei.
- Amei seu vestido vermelho! – Disse Milla.
- Ta do jeito que eu gosto. Sexy, vulgar, bonito e cheio de brilho! – Respondeu Flor rindo alto.
Milla gargalhou.
- Esta certinha! – Arrasa do jeito que você se sente bem.
- Cadê a Isadora? – Perguntou Milla.
- Estou aqui! – Chegou Isadora aos pulos.
- Ual! Vestida de dourado! – Milla gritou. – Você veio pra arrasar garota.
- Você me conhece, se não é pra causar eu nem saio de casa! – Disse Isadora empolgada. – Eu estava comendo uns quitutes maravilhosos. Que delicia!
- Logo eu vou comer. Agora quero ver o vestido da noiva. – Milla fez olhos apaixonados. Ela esta bonita?
- Ta uma pintura de tão linda! – Respondeu Flor. – Mas a irmã da noiva é uma fresca, ta se achando com aquele vestido azul turquesa, só porque foi madrinha.
- Verdade Flor. – Se intrometeu Isadora. – Sua prima é metida mesmo, não fala com ninguém. – Ela revirou os olhos.
- Eu sei! – Disse Flor. – Mas tem uma coisa, o noivo é uma renovação de esperança nos homens, o cara é muito gente boa.
- Oh Gloria! Quero pegar o buque, pelo amor. – Milla sorriu empolgada.
- Minha avó dizia que pegar o buque dá azar. – Comentou Isadora.
- Assim fica difícil! – Retrucou Milla.
- Gente, eu quero beber, comer e dançar. – Flor foi direto pra pista.
- Que lugar de gente bonita, musica boa. Festão este! – Olha aquilo tem uns homens bonitos aqui. – Disse Milla.
- Não reparei nisso ainda Milla, mas que tem comida boa eu te garanto. – Respondeu Isadora mastigando. – Vou pegar uma bebida dessa colorida, que ta com uma cara linda.
Milla foi dançando até a pista se juntar a Flor.
Uma musica alucinante começou a tocar, as duas amigas se empolgaram na coreografia, as pessoas  que dançavam no salão passaram a acompanhar a dança das duas, como se o ensaio tivesse acontecido na noite anterior, Flor e Milla eram as duas “lideres” do ensino médio.
No auge da musica formou-se um alvoroço no salão, algumas pessoas se tumultuaram do outro lado, as luzes de balada e a quantidade de pessoas na frente das meninas não deixou que nenhuma das duas visse o que estava acontecendo.  O som continuou a tocar, as duas ficaram curiosas com a confusão, mas começou a tocar outra musica contagiante, recomeçaram dançar e pular feito duas malucas, e o salão as acompanhou. No final da musica Flor pareceu voltar a si, como quem sai de um transe musical, olhou pra amiga com os olhos esbugalhados.
Viu a prima do vestido azul turquesa com a cara de “vixi fudeu”.
- Ei, que alvoroço foi aquele, quase agora aqui? – Perguntou Flor.
- Uma mulher louca vomitou no vestido da minha irmã, e depois sujou o banheiro todo, ta a maior bagunça la. Eu vi vocês conversando com ela...
- Vomitou no vestido da noiva? – Se espantou Milla. - Que mulher!?
- Uma alta toda de dourado.
- Isadora! – Gritou as amigas numa única voz.
Ambas correram para o banheiro, Isadora estava sendo acudida pela noiva, a mulher tinha enrolado a calda do longo vestido branco, que a esta altura estava molhado depois de ter sido limpo por conta do banho de vomito de Isadora.
- Mas o que esta mulher tem? – Disse Flor.
- Ela disse que esta com a barriga doendo, e vomitou muito. – Respondeu a noiva.
- Você veio ter piriri na festa de casamento Isadora! – Milla disse como uma bronca. – Você sujou o vestido da noiva. Que vergonha!
- Não tem problema meninas, eu vim pra cá por que tinha que limpar meu vestido, mas já esta tudo bem.
- Fica noiva! – Gritou Isadora esticando as mãos.
- Você esta louca mulher? – Retrucou Flor. – O que você bebeu? Esta louca de cachaça, só pode!
- Você acha que eu fico louca de beber! – Respondeu Isadora  aos berros tentando se levantar.
- Então tem alguma coisa errada, o que você aprontou pra ficar mal assim? – Insistiu Flor.
Isadora ficou quieta, seu silencio era tão revelador, que Milla e Flor quase abriram uma banca se apostas para adivinhar o que a amiga tinha aprontado pra ficar naquele estado.
- Ta, eu confesso. Tomei remédio pra emagrecer, estou tomando há uma semana...
-Mas você comeu feito uma louca a noite toda! – Disse Milla.
- Eu sei, por isso passei mal. – Isadora começou uma crise de choro, como quem quer fugir da bronca. – É muita coisa gostosa, difícil resistir.
- Sua louca, e você bebeu bebida alcoólica!
- Sim. Mas foram só uns três copos!  – Ela levantou ajeitando a roupa. A noiva já foi?
- Você fez uma verdadeira bomba-relógio,  comeu pra caramba, bebeu e tomou remédio. Vou te matar! Estes remédios são um perigo. – Milla revirou os olhos. – Pior que tomou e comeu mais que o normal. – Ela gargalhou.
– Mas a pior parte vocês não sabem. Na hora que vocês estavam arrasando na pista eu estava acompanhando a dança, passei mal e olhei a prima do vestido azul turquesa, mas a noiva entrou na frente justo na hora que vomitei.
- Caramba! – Flor gargalhou. – Ia ser engraçado, mas foi trágico.
- Vamos embora vai, já passei vergonha demais nessa festa. – Isadora Levantou.
- Não! – Milla gritou- A noiva vai jogar o buquet. Você queria causar, mais que isso impossível.
- Milla, eu vou pedir o uber, não tenho mais cara de ficar nesta festa, aproveitem vocês duas.
Isadora aguardava o carro chegar, até que ele encostou do seu lado, e junto chegou Milla esbaforida.
- Eu vou com você. – Ela estava com o buque na mão.
- Meu Deus, você pegou o Buquet da noiva! Que sorte um buquet de girassóis.
- Entrem logo no carro suas loucas. – Veio Flor empurrando Milla.
- Por que vocês estão correndo?
Isadora olhou para trás e viu metade da festa correr atrás de Milla.
- Vamos motorista, arranca com este carro! – Ela riu. – Eu não saí de casa pra ver um buquê lindo desse e aquela baixinha tomar da minha mão. Abri o vestido dela e peguei o meu buquê!
- E dizem que a maluca sou eu! 




Texto: Grazy Nazario.

domingo, 10 de junho de 2018

A graduada - Crônicas do dia a dia

Na mesa do bar.

- O que aconteceu Milla, por que ontem me ligou chorando? – Perguntou Flor.
- Nem sei como começar. – Ela respirou fundo. – Você jura não brigar comigo?
- Não começa a choramingar garota! – Respondeu Isadora se intrometendo.
- Flor, eu não vou suportar ter passado por tudo aquilo, e você ainda brigar comigo.
- Ta, eu prometo. – Disse Flor revirando os olhos.
As três moças se ajeitaram em suas cadeiras.
- Vocês se lembram de que eu estava conversando com aquele cara?
- Qual? – Perguntou Flor.
- O Carlos, o Joaquim, ou o Ricardo!? –Questionou Isadora, enquanto olhava as unhas.
- Credo Isadora! Quem ouvir você falando assim diz que sou uma devoradora de homens!
- Não é nada disso Milla! Eu só estou confusa mesmo. Lembra, estou desatualizada.
- É verdade. – Respondeu Milla contrariada. - Mas eu estou falando do Felipe!
Isadora gargalhou. Flor a encarou, e ela engoliu o riso.
- Eu fui ontem ao motel com ele, resolvi desobedecer a regra dos três encontros.
- Você sempre desrespeita alguma regra! – Respondeu Isadora.
- Eu nunca entendi de onde você tirou essa regra louca! – Flor respirou fundo.
- Então gente, mas não tem nada a ver com o sexo. Tem a ver com o depois dele.
Ambas arregalaram os olhos e focaram na amiga.
- O Felipe me pareceu complexado com questões relacionadas a dinheiro, carreira, estudos... Enquanto estávamos deitados começamos a conversar sobre planos futuros.
- Meu Deus! Por que você quer tanto falar de planos futuros Milla? – Interrompeu Flor.
- Você é obcecada com isso menina! – Esbravejou Isadora.
- Gente, eu só quero um namorado! – Milla bateu a mão na mesa.- Pelo menos não sou igual a Isadora, que tem medo de todas as pessoas que se aproximam. Ou como você Flor que fica analisando tudo. – Ela bebeu um gole de cerveja. – Cada uma com sua loucura.
- Quem é louca aqui? – Disse Bella, que chegou puxando uma cadeira e sentando.
- Que bom que você chegou amiga, você é a mulher mais ponderada que conheço. Como ia dizendo. – Ela respirou. - Falei para o Felipe sobre o curso técnico horrível que ele estava fazendo e parou no inicio do ano. Aconselhei a nem continuar, por que pagam pouco, e é uma área que não tem prosperidade futura.
Todas continuaram caladas. O que a fez continuar
- Mas ele se sentiu mal. – Ela disse irritada. – Falou que eu era fresca porque sou graduada. Ficou irritado por que o valor do meu Vale refeição é três vezes maior que o dele, e também disse que eu deveria dividir a conta de tudo com ele!
- Dividir a conta? – exclamou Isadora irritada. – No primeiro encontro? – lembra ele que os homens ainda ganham cerca de 30% a mais que nós, principalmente em cargos de chefia.
- Não é o caso dele né amiga. – Milla sorriu sem jeito. – Acho que isto deve ser um problema real pra ele.
- Mas por que falar tantas coisas assim com um completo desconhecido? – Questionou Bella.
- Eu me senti a vontade de conversar...
- E a novidade?  Você sempre esta a vontade demais! – Falou Isadora.
Todas começaram a falar juntas, até que nada era possível de se ouvir.
Flor interrompeu:
- Espera! – Ela gritou. Em seguida se fez silêncio. - Como ele sabe o Valor do seu vale refeição!?
Milla iniciou uma crise.
- Quantas perguntas! Eu sabia que vocês iriam brigar. Ele é doido, e surtou. Falou que eu estava querendo fazer ele se sentir inferior por ser graduada! Mas eu nem pensei nisso meninas, não tenho por que mentir pra vocês. Eu não entendi nada. 
- Onde a gente acha este cara pra dar uns tapas nele? – Perguntou Isadora num misto de raiva e riso.
- Ninguém vai bater em ninguém Isadora. Vamos ser práticas. – Disse Bella. – Você falou com ele depois?
- Não.
- Bloqueia! – Disse Flor. – O cara falou do seu VR, é um zóião. Que energia horrível!  
- Calma meninas! Vamos pensar em algo bacana. – Respondeu Bella. - Você tem vários caminhos, mas temos que pensar em algo sensato pra você não se expor mais.  
– Eu não fiz nada demais. – Disse Milla cabisbaixa.
- Você não tem nada a ver com a vida dele. Como passam essas coisas por sua cabeça? – Perguntou Bella ao esvaziar o copo inteiro de cerveja.
- Você fala demais Milla. Embora, ele não devesse se sentir inferior por namorar uma graduada, ou se assuma com o ensino médio, ou se gradue também. Você não tem culpa das questões mal resolvidas da vida dele.
- Eu também acho. - Respondeu Milla com um leve sorriso.
- Mas você não deve dar palpite na vida de ninguém. – Retrucou Bella no mesmo instante. – Ele não é seu amigo, você esta conhecendo ele agora. Não faz sentido falar sobre trabalho próspero ou não lucrativo.
- Mas amiga, se a gente fosse namorar eu queria que ele estivesse “correndo” comigo.
- Você sabe se ele é uma pessoa bacana pra entrar na sua vida? Além disso, se ele não te acompanha, nem perde tempo tentando mudar quem ele é, muda de pessoa. Entendeu?
Milla se calou. E alguns minutos depois:
- Isso tudo é verdade. – Ela suspirou. – Eu nem gostei dele na verdade, beija super mal. Acho que vou bloquear ele em todas as redes. – Disse ela ao olhar o celular.
- Não faz isso não. – Aconselhou Bela. – Apaga as conversas, e exclui o numero. Que seja um inexistente, nem a sua consideração merece.  
- Ta ok. Nem vou questionar, já fiz muita besteira. – Milla ergueu o braço e pediu mais uma cerveja. – Vamos comemorar, me livrei de um babaca!
- Verdade! – Disse Isadora. – Devo te lembrar de que você não deve se comprometer com ninguém garota, a nossa viagem ao Capitólio esta marcada para daqui a 4 semanas, não inventa Milla. – Ela sorriu.
- Certeza. – Vou ficar quieta até lá.  
Flor apontou o braço para a amiga, e com o cenho fechado disse:
- Você nos deve!
- O que foi Flor? Do que você esta falando. – Todas olharam para Milla.
Ela ficou pensativa, depois de alguns instantes sorriu.
- Já sei! – Ela revirou os olhos. – Você quando se apega em alguma coisa...
Todas falaram numa única voz:
- O VR! – Todas Riram.
- A conta hoje é sua, moça do VR cheio! – Disse Flor sorrindo.


Texto: Grazy Nazario




sexta-feira, 8 de junho de 2018

Apresentação

Projeto - Mulheres de Poder

Formado por quatro amigas, o grupo "Mulheres de poder" nos contam suas histórias do dia a dia através de Contos e Crônicas que serão publicadas aqui no blog. Em episódios semanais de situações comuns na vida da mulher moderna, Bella, Flor, Milla e Isadora nos traz uma visão diferenciada, e sempre com uma pitada de humor. Um misto de verdade e ficção se unindo para motivar mudanças e apontar caminhos reais por mulheres reais. Juntxs vamos aprender, refletir e se divertir com os casos contados pelas amigas e suas aventuras.
 Com personalidades diversas, as personagens nos apresenta empoderamento gradativo e real, respeitando a fase de transição pessoal de cada uma em busca de uma sociedade mais justa.
Diante de uma realidade patriarcal e suas condutas machistas, as historias  das "Mulheres de Poder" nos mostra as possibilidades de equilíbrio e amadurecimento de ideias na nova realidade contemporânea e as mulheres.

Não é só no circo que tem palhaço

  Flor chega em casa furiosa. Joga a bolsa no sofá, bebe água e olha o celular. Percebe que tem pelo menos dez mensagens. Ignora todas e b...